Texto e Fotografias de Mônica Yamagawa


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FOTOLABOR - A FOTOGRAFIA DE WERNER HABERKORN

FOTOLABOR - A FOTOGRAFIA DE WERNER HABERKORN

Vários Autores
Espaço Líquido
2014

'A fotolabor' teve destaque nos anos 1950 atuando com uma das maiores produtoras de cartões postais fotográficos em São Paulo...[+]

 


CADERNOS DE FOTOGRAFIA BRASILEIRA SAO PAULO 450

IMS
2004

Como uma espécie de catálogo da mostra 'São Paulo, 450 anos - A Imagem e a Memória da Cidade no Acervo do Instituto Moreira Salles', os 'Cadernos de Fotografia Brasileira', trazem além de ampla documentação visual - com as mais antigas fotos que se conhece da capital paulista, feitas por Militão Augusto de Azevedo, textos assinados por especialistas na história e formação da capital paulista e da fotografia brasileira. A edição também inclui uma cronologia ilustrada dos principais acontecimentos que marcaram a vida de São Paulo...[+] 

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Fotografia e cidade: da razão urbana à lógica de consumo : álbuns de São Paulo, 1887-1954

Solange Ferraz de Lima
Vânia Carneiro de Carvalho
Mercado de Letras
1997

O número de pesquisas históricas que têm feito uso de fontes iconográficas é crescente no Brasil, delineando um novo campo de abordagem que pode ser denominado de História Visual. Neste livro, as autoras analisam dois momentos de inflexão na história social da cidade de São Paulo a partir dos...[+]

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CAPITAL - SAO PAULO E SEU PATRIMONIO ARQUITETONICO

Juan Esteves
Antonio Carlos Abdalla
Imesp
2013

'A Secretaria de Estado da cultura de São Paulo tem imensa satisfação em apoiar a reedição do livro 'Capital - São Paulo e seu patrimônio arquitetônico, de Juan Esteves. Com curadoria de Antonio Carlos Abdalla, o conjunto de fotografias selecionadas oferece um amplo panorama da diversidade de edifícios de distintas naturezas que marcaram a capital paulista ao longo de sua história, especialmente os últimos 100 anos. Colocado em evidência no magistral registro de Juan Esteves, o patrimônio arqutetônico paulistano pode aqui ser apreciado nos detalhes que acabam por ficar invisíveis em meio à agitação cotidiana da metrópole. Ao dar merecida visibilidade aos edifícios retratados, esta publicação ajuda a sensibilizar para a necessidade de preservação desse patrimônio, uma importantíssima e difícil tarefa, que precisava envolver toda a sociedade.' - Marcelo Mattos Araujo...[+]

 


SAUDADES DE SAO PAULO

Claude Levy-Strauss
Companhia das Letras
1996

Uma cidade em que o gado convivia com carros e bondes nas ruas; em que construções moderníssimas despontavam no topo de colinas ainda rústicas; em que lençóis caseiros, pendurados nos varais, formavam o primeiro plano para o imponente prédio Martinelli. Essa a paisagem que Claude Lévi-Strauss ...[+]

 


As Artes de um Negocio: a Febre Photographica São Paulo
1862-1886

Cândido Domingues Grangeiro
Mercado das Letras
2000

Durante muitos séculos, a única forma de obter a reprodução da própria imagem foi, principalmente, por intermédio das diversas técnicas de pintura. A óleo, aquarela, nanquim ou crayon, possuir um desses retratos era possível para poucos e desejo de muitos. A partir da segunda metade do século XIX, a fotografia apoderou-se deste desejo, ou sonho, e transformou o outrora signo aristocrático em objeto...[+]

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AURELIO BECHERINI

Vários autores
Cosac Naify
2009

Este livro reúne cerca de 200 imagens do Aurélio Becherini. Nascido na Itália, Becherini chegou ao Brasil no começo do século passado e registrou as mudanças pelas quais a capital paulistana passou nos anos 20 e 30, como ampliação de ruas, demolições e crescente urbanização, além das mudanças de hábitos que resultavam dessa pequena revolução. As imagens, organizadas de acordo com cada ponto retratado pelo fotógrafo, estão acompanhadas por textos de Rubens Fernandes Junior, historiador da fotografia, da pesquisadora Ângela C. Garcia e do sociólogo José de Souza Martins. O livro também conta com uma biografia do fotógrafo, índice das imagens por regiões da cidade e versões...[+] 

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A SAO PAULO DE GERMAN LORCA

José de S. Martins
German Lorca
Imesp
2014

German Lorca, pertence à geração de grandes nomes da fotografia como Geraldo de Barros, B. J. Duarte, Thomas Farkas, Fernando Lemos. Nascido em 1922, filho de imigrantes espanhóis, se forma como contador, em 1940. Logo a seguir, adquire sua primeira câmera fotográfica, começando cedo a exercitar seu olhar, documentando cenas familiares e a vida urbana. Seu ingresso, em 1948, no Foto Cine Clube Bandeirante, o grande polo de difusão da fotografia moderna na cidade de São Paulo, e a convivência com seus integrantes, o levam à decisão de se profissionalizar como fotógrafo. Atua, então, como free lancer, dedica-se simultaneamente a experimentações fotográficas, e o componente subjetivo - que se pode reconhecer mesmo como afetivo -, passa a se evidenciar em sua obra nos inúmeros registros da cidade de São Paulo. Lorca foi autor de grandes fotorreportagens, notadamente quando documentou a visita de Nelson Rockefeller ao Brasil, mas, especialmente nesse domínio, se destacou com seu registro da inauguração da Catedral da Sé e o desfile cívico no Anhangabaú, celebrando as festividades do IV Centenário de São Paulo, em 1954, documentadas nesta edição...[+]

 


MILITAO AUGUSTO DE AZEVEDO

Pedro Correa do Lago
Capivara
2001

Este livro reúne a totalidade das fotografias de São Paulo produzidas por Militão Augusto de Azevedo na década de 1860. A pesquisa foi conduzida por Pedro Corrêa do Lago que analisou as primeiras imagens da cidade de São Paulo nos primórdios da fotografia no Brasil...[+] 

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CENTRO DE SÃO PAULO

DUAS IMAGENS DO CENTRO DA

CIDADE DE SÃO PAULO

análise morfológica
décadas de 1910 e 1950

atualizado em: 21 julho de 2016

 

home > centro de são paulo > DUAS IMAGENS DO CENTRO DA CIDADE DE SÃO PAULO

Na imagem escolhida (abaixo), extraída do Álbum Comparativo da cidade de São Paulo: 1862 – 1887 – 1914, publicado pelaCasa Duprat, em 1914 (sem indicação de autoria), alguns elementos icônicos são passíveis de identificação: a antiga edificação da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, a Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco, a Igreja de São Francisco de Assis da Venerável Ordem dos Frades Menores, o logradouro Largo de São Francisco. Somando-se a esses, outros: os trilhos de bondes, o calçamento de paralelepípedos, um veículo (automóvel), o guarda de trânsito (identificado pela indumentária e pela localização dentro do contexto da imagem), as árvores (entre elas, uma espécie de palmeira), o poste de iluminação, um cavalo (pequena parte da cabeça do animal à esquerda), um escultura, algumas figuras humanas (transeuntes). 

 

Academia de Direto, 1914 (legenda original). Álbum comparativo da cidade de São Paulo: 1862 – 1887 – 1914. São Paulo: Casa Duprat, 1914, v.1, p.16. Acervo da Biblioteca Municipal Mário de Andrade.

Legenda: Academia de Direto, 1914 (legenda original). 
Álbum comparativo da cidade de São Paulo: 1862 – 1887 – 1914
.
São Paulo: Casa Duprat, 1914, v.1, p.16.
Acervo da Biblioteca Municipal Mário de Andrade.

 

Trata-se de uma imagem com vista parcial, pois, não são apresentadas várias vias urbanas e seus entrecruzamentos, como em uma vista panorâmica, restringindo-se ao espaço do logradouro conhecido como Largo de São Francisco, onde a linearidade das árvores, similares em altura e espécie, indica o trabalho de paisagismo - área verde planejada.

 

Academia de Direto, 1914 (legenda original). Álbum comparativo da cidade de São Paulo: 1862 – 1887 – 1914. São Paulo: Casa Duprat, 1914, v.1, p.16. Acervo da Biblioteca Municipal Mário de Andrade.

 

O ponto de vista do fotógrafo, sua posição na tomada da cena é diagonal, de forma a captar a totalidade do conjunto edificado, composto pela antiga edificação da Faculdade de Direito do Largo São Francisco e as duas Igrejas, a das Chagas do Seráfico Pai São Francisco e a  de São Francisco de Assis da Venerável Ordem dos Frades Menores. Somando-se a isso, a escolha do momento para a realização do registro: sem a presença do bonde, que cobriria parte da construção e do cavalo à esquerda.

A linearidade, imposta pelo projeto paisagístico, cria um arranjo rítmico, através da cadência, da repetição do elemento “árvore”. O mesmo ocorre com as janelas da instituição de ensino:

 

Academia de Direto, 1914 (legenda original). Álbum comparativo da cidade de São Paulo: 1862 – 1887 – 1914. São Paulo: Casa Duprat, 1914, v.1, p.16. Acervo da Biblioteca Municipal Mário de Andrade.

 

À cadência das árvores e janelas, somam-se outros vetores de direção, neste caso a fachada da edificação e o traçado da calçada, formando uma contigüidade espacial, que atravessa os planos da imagem.

 

Academia de Direto, 1914 (legenda original). Álbum comparativo da cidade de São Paulo: 1862 – 1887 – 1914. São Paulo: Casa Duprat, 1914, v.1, p.16. Acervo da Biblioteca Municipal Mário de Andrade.

 

A leitura ocidental da esquerda para direita, ganha reforço como o posicionamento da cabeça do animal à esquerda, como um vértice que conecta com outra linha, formada pelos trilhos de bonde.

Apesar de a fotografia datar de 1914, ou seja, século XX, seu ponto de vista tem como base as fotografias de Militão Augusto de Azevedo, realizadas na segunda metade do século XIX, período em que as tomadas diagonais, a linha do horizonte no terço superior e a ausência de atividade humana são características presentes, contribuindo para a percepção de estabilidade na imagem.... [continue lendo]

 

Imagem reproduzida de cartão-postal: Academia de Direito. Fotografia de Militão Augusto de Azevedo. São Paulo, c.1862. Acervo Instituto Moreira Salles.

Imagem reproduzida de cartão-postal: Academia de Direito.
Fotografia de Militão Augusto de Azevedo.
São Paulo, c.1862.
Acervo Instituto Moreira Salles.

 

Avenida São João. A cidade não descansa, (...) (legenda original). Foto de Georg Paulus Waschinski. Eis São Paulo. São Paulo: Monumento, 1954, p. 14. Acervo da Biblioteca Mário de Andrade.

Avenida São João. A cidade não descansa, (...) (legenda original).
Foto de Georg Paulus Waschinski. 
Eis São Paulo.
São Paulo: Monumento, 1954, p. 14.
Acervo da Biblioteca Mário de Andrade.

 

Na segunda imagem escolhida, extraída da publicação Eis São Paulo, publicada pela Monumento, em 1954, autoria de Georg Paulus Waschinski, os elementos icônicos passíveis de identificação são: o Edifício Altino Arantes e o Edifício Martinelli. Adicionando-se ao grupo, outros elementos como: tubulação, entulho, poste de iluminação, guindaste, galões, edificações, figuras humanas, placas de identificação de casas comerciais, letreiros de publicidade, pneus, texto inserido “não descansa,”.

Entre a parcial e a pontual, a vista escolhida por Waschinski não descontextualiza a imagem, pois, incorpora dois elementos identificáveis: os edifícios Altino Arantes e Martinelli, sendo possível localizar o logradouro, sem o auxílio da legenda, desde que conhecido tal repertório. No entanto, o foco principal são o entulho e a tubulação, expostos no logradouro, conseqüências da demolição/construção/implantação resultantes das transformações na malha urbana na região central de São Paulo, ocorridas na década de 1950.

Duas figuras humanas estão presentes, ao lado da tubulação, porém, com base nas suas vestimentas e posições, não é possível diferenciá-los, se transeuntes ou funcionários da obra em realização. Porém, as comparações entre as dimensões da tubulação e das figuras humanas, sugerem a possibilidade de localização do fotógrafo: no interior de uma tubulação semelhante.

Nesse caso, a posição do fotógrafo, permitiu a criação de uma “moldura” circular delimitando o enquadramento da imagem, nesse caso, um ponto de vista central, com arranjo discreto, no qual o primeiro plano encobre, parcialmente, os demais elementos: os entulhos e tubulação, a continuidade do logradouro; os edifícios laterais, o guindaste e o poste de iluminação, a visão ampla das três edificações com número superior de andares.

A sobreposição acima mencionada gera o efeito de inversão de escalas, no caso, a tubulação onde se encontra o fotógrafo (moldura), parece possuir dimensão superior à da tubulação no centro da imagem, assim como essa, a de possuir a metade da dimensão do Edifício Martinelli.

O contraste “claro-escuro” está presente nos efeitos de “sol-sombra”, dentro e fora da tubulação, assim como, a similitude formal, no formato circular do objeto citado, a “moldura” criada pela posição do fotógrafo e o objeto central da imagem:

 

Avenida São João. A cidade não descansa, (...) (legenda original). Foto de Georg Paulus Waschinski. Eis São Paulo. São Paulo: Monumento, 1954, p. 14. Acervo da Biblioteca Mário de Andrade.

 

A estrutura gera tensão visual, o olhar, como em um binóculo ou monóculo, segue os formatos circulares, assim como as linhas das fachadas ad edificações tentam formar um vértice e os três arranha-ceús, transportam o olhar para o sentido vertical.

 

Avenida São João. A cidade não descansa, (...) (legenda original). Foto de Georg Paulus Waschinski. Eis São Paulo. São Paulo: Monumento, 1954, p. 14. Acervo da Biblioteca Mário de Andrade.

 

A fragmentação está presente na imagem, com a vista parcial do equipamento à direita, com o entulho encobrindo parte da figura humana, dificultando a compreensão das atividades nesse contexto (humano e do maquinário), no entanto, como já mencionado acima, há uma contextualização espacial, papel das edificações verticais, nesse caso.

 

Considerações Finais

Trinta anos separaram a imagem do Largo de São Francisco e a da Avenida São João. Em ambas, edificações com referências históricas (a antiga edificação da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, a Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco, a Igreja de São Francisco de Assis da Venerável Ordem dos Frades Menores, o Edifício Altino Arantes e o Edifício Martinelli). No entanto, na primeira imagem, a edificação é tema central e na segunda, apesar da posição, é um referencial.

A cidade de São Paulo apresentada em 1914, sugere um “produto final acabado” e a percepção de que alterações urbanas, breves ou futuras na cidade não estariam em pauta. O contrário ocorre na metrópole de 1954, em plena ebulição de transformação da malha urbana. A Academia de Direto da Casa Duprat parece ter saído de uma pintura de Benedito Calixto ou de uma aquarela de José Wasth Rodrigues, iconografias com a intenção de captar os melhores ângulo e momento. A Avenida São João com seus Edifícios Altino Arantes e Martinelli, de Waschinski, sugere um registro jornalístico, sem a preocupação do citado “embelezamento”, o registro de algo que com certeza sofrerá alterações em um curto espaço de tempo.

Passados mais de cinqüenta anos, é interessante observar e cotejar as imagens dos cartões-postais disponíveis no mercado, com as analisadas nos parágrafos anteriores. O conjunto franciscano sofreu uma grande alteração, com a construção da nova edificação destinada à Faculdade de Direito e o ponto de vista escolhido primeiramente por Militão e posteriormente para o álbum de 1914, não está presente nos cartões atuais, provavelmente, devido às mudanças na malha urbana, o enquadramento não seja mais favorável para captação do conjunto inteiro, assim como, destacá-lo como tema central, sem competir com as construções do entorno. Por outro lado, o Altino Arantes e o Martinelli, vistos da Avenida São João, continua sendo o ponto de vista dos fotógrafos responsáveis pelas iconografias dos postais à venda.

 

Largo de São Francisco. Reprodução de cartão-postal. Fotografia: Waldemir A. Oliveira.
Reprodução de cartão-postal. Fotografia: Waldemir A. Oliveira.
 
Largo de São Francisco. Reprodução de cartão-postal. Fotografia: Maurício Cardim
Reprodução de cartão-postal. Fotografia: Maurício Cardim
 
Largo de São Francisco. Reprodução de cartão-postal. Fotografia: Maurício Cardim
Reprodução de cartão-postal. Fotografia: Maurício Cardim
 
Avenida São João, Prédio Banespa, Altino Arantes e Edifício Martinelli. Reprodução de cartão-postal. Fotografia: Waldemir de Araujo Oliveira
Reprodução de cartão-postal. Fotografia: Waldemir de Araujo Oliveira
 
Vale do Anhangabaú, Avenida São João, Prédio Banespa, Altino Arantes e Edifício Martinelli. Reprodução de cartão-postal. Fotografia: Anízio L. de Miranda
Reprodução de cartão-postal. Fotografia: Anízio L. de Miranda

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