Texto e Fotografias de Mônica Yamagawa


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ALVARES DE AZEVEDO O POETA QUE NAO CONHECEU O AMOR FOI NOIVO DA MORTE

Luciana F. da Silva
Annablume
2009

Diferentes dos habitantes da cidade daquele tempo, os estudantes da recém-constituída Academia de Direito de São Paulo dedicavam-se a diversas extravagâncias, inspiradas, sobretudo, pelo bardo inglês Lord Byron. Nesta província quase insípida...[+]

 

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ÁLVARES DE AZEVEDO
OBRAS COMPLETAS

livro digital
Autch
2015

Nesta edição você encontrará uma coletânea da obra de Álvares de Azevedo, um escritor da segunda geração romântica Brasileira. Nascido em 1831 ele veio a falecer prematuramente de em 1852, o que fez com que as suas obras fossem publicações póstumas. Nesta coletânea o leitor leva consigo uma cuidadosa edição dos seus trabalhos: 1853 – Lira dos Vinte Anos (antologia poética) 1855 – Macário (peça de teatro) 1855 – Noite na Taverna (contos) 1886 – Poemas Malditos A Autch Editora tem o prazer de trazer para você mais esta obra com conteúdo completo, em formato editado e revisado. Sua estrutura foi montada para que você possa aproveitar o melhor da tecnologia em uma experiência leve e prazerosa. Agradecemos o seu interesse pelos nossos produtos e nos colocamos a sua inteira disposição...[+]

 



O canto dos abismos: a adolescência de Alvares de Azevedo

Eloisa Aguiar
E-papers
2001

Intercâmbio entre literatura e psicologia, este livro aborda a vida e a obra deste poeta romântico...[+]

 

 

 



Esculturas no Espaço Público em São Paulo

Miriam Escobar
CPA – Consultoria de Projetos e Artes
1998

São Paulo vista através de seus caminhos e os lugares por onde eles passam. Foi assim que a arquiteta Miriam Escobar organizou este seu trabalho em que as esculturas estão dispostas por esses lugares e como que olhando quem passa. Uma referência de coisa viva onde caminho, lugar e escultura afirmam o espaço dos homens como sendo mais do que um fluxo onde não há tempo a perder ou uma operação mecânica a se realizar. Cada objeto anotado fala do que se homenageia e, mais que isto, marca com a sua presença um sentido possível a ser assumido por quem passa e nota.  A experiência transmitida vem dos tempos de criança, de andanças primeiras por esta cidade que muda tanto. Traz o envolvimento e a sedução de olhos encantados que tudo registram. Vem daí a satisfação imensa que estes registros fotografados provocam. É um olhar de afetividades profundas que procura tudo mostrar, mas que não interfere em nada. É a cidade sempre presente pelos gradis de proteção, pelos carros, pelas gramas e plantas do jardim. As localizações em plantas gráficas vão informando onde se...[+]  

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CENTRO DE SÃO PAULO

ÁLVARES DE AZEVEDO

escultura de amadeo zani
largo de são francisco

atualizado em: 11 de julho de 2016

 

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Atualmente, a escultura de Álvares Azevedo está no Largo de São Francisco, em frente à Faculdade de Direito, onde o poeta estudou. Anteriormente, seu endereço era a Praça da República.

A obra é de Amadeo Zani e foi executada pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e A. Scuotto Fuse. A escultura foi doada para a cidade pelo Centro Acadêmico Onze de Agosto, em 1907. Em uma das faces do pedestal as seguintes palavras gravadas: "Foi poeta, sonhou e amou a vida".

 

A Família de Álvares de Azevedo

Com a criação da Academia de Direito, em São Paulo (1827), vários jovens que atravessaram o oceano Atlântico para frequentar a Universidade de Coimbra, retornaram para o Brasil, para completar seus estudos no seu país de origem.

Um desses era Inácio Manuel Álvares de Azevedo que, retornava para o Brasil, com uma das mãos mutiladas, resultado de um acidente com espingarda, o que lhe valeu o apelido de "Mãozinha", dado pelo colegas e futuros bacharéis do Largo de Sâo Francisco.

Porém, o acidente não o impediu de dedilhar o violão, muito menos o atrapalhou perante o sexo oposto, carregando em seus ombros a fama de conquistador, uma figura desembaraçada e atrevida diante das mulheres paulistas.

Perto da Academia de Direito, morava a família do Dr. Joaquim Inácio Silveira da Mota, juiz de direito, recém transferido de Santos para São Paulo.

Maria Luísa Carlota Silveira da Mota, então, com 17 anos, era a filha do juiz, e logose tornou objeto das serenatas e bilhetes de amor de Mãozinha:

"Ambos eram impetuosos e não mediram as consequências de seus atos. Coração confiante, ambora sabendo que um simples acadêmico de 21 anos de idade dificilmente poderia assumir responsabilidades matrimoniais, Maria Luisa o admitiu em sua alcova, às ocultas. Repetia-se, com mais sérias consequências, o idílio noturno de Romeu e Julieta. Não foi possível, porém, guardar o segredo, que chegou aon conhecimento do digno magistrado, tornando-se imperioso casamento, oficiado na Igreja de Santo Antônio, na noite de 14 de novembro de 1829"

[MAGALHÃES JÚNIOR, R. Poesia e vida de Álvares de Azevedo. São Paulo: Editora das Américas, 1962, p.12.]

Mãozinha ainda estudante da Academia não possuía recursos financeiros além da mesada paterna, assim sendo, ele e Maria Luísa moraram na casa dos pais desta até a conclusão do curso e obtenção do diploma, para então, posteriormente, mudarem para o estado do Rio de Janeiro, onde morava a família do recém bacharel.

Ainda em São Paulo, em agosto de 1830, nasceu Maria Luísa (mesmo nome da mãe), conhecida na família como "Nhanhã" e no ano seguinte, nasceu Manuel Antônio Álvares de Azevedo.

 

Nasceu na Biblioteca da Academia de Direito?

Conta a lenda que Álvares de Azevedo nasceu na Biblioteca da Acadêmia de Direito, lenda essa que fora reforçada por um primo e amigo do poeta, Dr. Domingos Jacy Monteiro e um de seus primeiro biógrafos: Joaquim Norberto de Sousa e Silva.

"Domingos Jacy Monteiro, falando numa sessão do Ginásio Brasileiro, em 1852, seis meses após a morte do autor da Lira dos Vinte Anos, dissera: 'Às duas horas da tarde do dia 12 de setembro de 1831, na cidade de São Paulo, ao passarem, saindo da lição, os estudantes do curso jurídico, ouviram-se vagidos de recém-nascido, partidos de uma sala da biblioteca... Aquele a quem pulsava o coração de pai, inquirindo acerca de novo fruto do seu amor, obteve de alguém a resposta: 'É um estudante'!"

[MAGALHÃES JÚNIOR, R. Poesia e vida de Álvares de Azevedo. São Paulo: Editora das Américas, 1962, p.14.]

Com pequena variação, Joaquim Norberto, repetiu a mesma lenda, no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, durante as comemorações de 20 anos da morte de Álvares de Azevedo.

Porém, Almeida Nogueira, em Tradições e Reminiscências da Academia de São Paulo, foi o primeiro a refutar tal história que, posteriormente, seria confirmada por Vicente de Paulo Vicente de Azevedo, que publicou uma carta de Maria Francisca de Azevedo Amaral, uma das irmãs do poeta:

"Em tal carta, escrita no ano de 1917, quando a missivista contava 75 anos, ela declara que o irmão nascera 'em casa e na sala da biblioteca do avô materno, conselheiro Joaquim Inácio Silveira Mota'."

[MAGALHÃES JÚNIOR, R. Poesia e vida de Álvares de Azevedo. São Paulo: Editora das Américas, 1962, p.14-15.]

Posteriormente, em 1931, em uma palesttra no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, o Dr. Luis Felipe Vieira Souto, parente e historiador, confirmou a declaração da irmã do poeta:

" 'Devido ao estado da filha, hospedou-os o Dr. Joaquim Inácio no grande salão do andar térreo, cujas janelas deitavam para a rua e onde alojara sua enorme biblioteca. Na manhã de 12 de setembro de 1831, saíra Inácio Manuel, deixando em casa da parteira, e fora assistir às aulas do quainto ano; ao voltar, acompanhado por alguns colegas, pouco depois do meio-dia, na janela mostra-lhes a parteira um menino, dizendo: Já nasceu-lhes mais um estudante.' "

[MAGALHÃES JÚNIOR, R. Poesia e vida de Álvares de Azevedo. São Paulo: Editora das Américas, 1962, p.15.]

Álvares de Azevedo nasceu em uma biblioteca, porém, não a da Academia de Direito e sim, a do seu avô, que ficava na Rua da Freira (atual Senador Feijó), esquina da Cruz Preta (atual Quintino Bocaiúva).

 

Estudos no Colégio Stoll

Em 1840, "Maneco", como era chamado pela família, iniciou seus estudos no Colégio Stoll, onde se destacou na área de humanas: francês, inglês, história e geografia. Durante o período em que permaneceu no colégio, entre os elogios do diretor e narrativas sobre o sucesso nos estudos, também haviam informações sobre sua saúde, nem sempre boa. Segundo as histórias da família, os problemas de saúde que o acompanharam a vida inteira, começaram na época da morte do irmão, ainda bebê. Mais detalhes sobre esse período da infância e sua estadia no Colégio Stoll, podem ser encontradas na obra de R. Magalhães Junior, Poesia e vida de Álvares de Azevedo.

 

Uma pré-temporada em São Paulo

Em 1843, na companhia de seu tio José Inácio Silveira da Mota (professor na Academia de Direito), retornou para São Paulo, para visitar os parentes maternos e, provavelmente, de acordo com o desejo da família, ir se familiarizando com o ambiente da Academia.

Nas cartas para a família, em 1844, Álvares de Azevedo contava que já arranjara professores de francês, inglês e latim, porém a dedicação aos estudos não o impediu de participar da vida social da cidade, descrevendo com detalhes o baile oferecido pelo Coronel Francisco Antônio de Sousa Queirós, o convite da Marquesa de Santos para passar o domingo em sua residência, o batizado do primo Artur ou de uma procissão de cinzas.

No segundo semestre do ano seguinte (1845) voltou para o Rio de Janeiro, dessa vez, para estudar no Internato do Imperial Colégio Dom Pedro II. Em 1847, Maneco completou o sétimo e último ano do curso preparatório e em dezembro foi declarado bacharel em letras, tal título o isentava da obrigação de prestar exames para a admissão em cursos superiores, como a Academia de Ciência Jurídicas e Sociais (Academia de Direito de São Paulo). Apesar da conclusão do curso, somente recebeu o diploma em fevereiro do ano seguinte (1848) e, com a intervenção dos parentes do lado materno, a 1o. de março já estava matriculado na Academia de Direito.

 

As moradias de Maneco em São Paulo

Ao chegar em São Paulo, Álvares de Azevedo morou na Chácara dos Ingleses, tendo como vizinhos o cemitério e um casarão em ruínas; em seguida, residiu em um quartinho na Rua da Boa Vista, depois na Rua da Consolação e a seguir, no Largo de São Francisco, onde conta a lenda, escrevia nas paredes os nomes dos colegas que faleciam. Aliás, não os nomes dos falecidos, segundo o sobrinho do poeta (Dr. Inácio Azevedo Amaral), um de seus tios contou que

"depois da morte de Álvares de Azevedo foi preciso pintar por dentro a casa de São Paulo em que o poeta residia, tão obscenos eram os desenho feitos por ele nas paredes"

[MAGALHÃES JÚNIOR, R. Poesia e vida de Álvares de Azevedo. São Paulo: Editora das Américas, 1962, p.63.]

Sobre sua habitação, ele mesmo descreve em "Idéias ìntimas" a desordem comum na vida de muitos estudantes (de ontem e de hoje):

"Reina a desordem pela sala antiga
Desce a teia de aranha as bambinelas
à estante pulverulenta. A roupa, os livros
Sobre as poucas cadeiras se confundem.
Marca a fôlha do Fausto um colarinho
E Alfred de Musset encobre, às vezes
De Guerreiro ou Valasco um texto obscuro.
Como outrora do mundo os elementos
pela treva jogando cambalhotas,
Meu quarto, mundo em cáos, espera um Fiat,"

[Trecho de "Ideias Íntimas", de Álvares Azevedo. IN: MAGALHÃES JÚNIOR, R. Poesia e vida de Álvares de Azevedo. São Paulo: Editora das Américas, 1962, p.63.]

Em São Paulo, Maneco fez amizade com outros dois poetas: Bernardo Guimarães e Aureliano Lessa, que moravam juntos na Rua da Forca, enquanto Maneco, no Campo dos Curros (hoje, Praça da República).

 

Àlvares de Azevedo, Bernardo Guimarães e Aureliano Lessa: Três Liras

"Os dois mineiros não desdenhariam de se ligar ao adolescente paulista, cuja precocidade intelectual a todos surpreendia. Nâo se relacionaram, porém, desde logo: a confiança foi surgindo aos poucos, com a convivência forçada, durante as aulas, nos corredores da Academia e nas sessões literárias, organizadas para animar a vida tediosa da medíocre cidade Provinciana."

[MAGALHÃES JÚNIOR, R. Poesia e vida de Álvares de Azevedo. São Paulo: Editora das Américas, 1962, p.48-49.]

Porém, os primeiros meses em São Paulo não foram suficientes para que o tímido Álvares de Azevedo mostrasse seus versos para os colegas, em uma carta enviada no dia 20 de julho de 1848 para seu amigo Luís Antônio da Silva Nunes ele confidencia que

"aqui, em São Paulo, não há viva alma nem morta que lesse versos meus, exceto os do álbum da O. que remeti-te já"

[MAGALHÃES JÚNIOR, R. Poesia e vida de Álvares de Azevedo. São Paulo: Editora das Américas, 1962, p.49.]

Com o fortalecimento da amizade com Guimarães e Lessa, os três passaram a ler e trocar sua impressões sobre os versos que escreviam entre as aulas (ou até, quem sabe, durante as aulas). Os três passaram a morar juntos, e pensaram em publicar uma obra coletiva, a seis mãos, que não se realizou (o nome escolhido para o volume seria Três Liras).

 

Lira dos Vinte Anos de Um Trovador Sem Nome

Falando em liras, sobre Lira dos Vinte Anos, Magalhães conta que

"Durante algum tempo, Maneco hesitou quanto ao título do livro. Deu-lhe, de início o de Brasileirasa. Trocou-o, porém, pelo de Fôlhas Sêcas da Mocidade de Um Sonhador. E, de novo, pelo de Lira dos Vinte Anos de Um Trovador Sem Nome, reduzido, quando da publicação, às quatro primeiras palavras, por decisão da família, que, assim, contrariava a intenção, implícita, de manter-se o autor no anonimato."

[MAGALHÃES JÚNIOR, R. Poesia e vida de Álvares de Azevedo. São Paulo: Editora das Américas, 1962, p.54.]

 

Um morto para fazer a bolsa

"Um episódio anedótico, narrado na Atualidade, sob a assinatura de Couto de Magalhães, comprova que as aperturas não seriam só dele, mas de vários de seus colegas. Num fim de mês, em que o dinheiro da bolsa comum se evaporara, Bernardo Guimarães, Aureliano Lessa e Álvares de Azevedo recorreram a um estratagema que tanto tinha de burlesco como de macabro. Este último, talvez por ser o de constituição mais franzina, pálido e enfermiçom fez o papel de defunto, estirado, na sala de visitas, sobre um catre, debaixo de um lençol. Para dar ao ambiente o aspecto de uma verdadeira Cãmara ardente, velas foram acesar em redor do 'cadáver'. Propalada a notícia da morte súbita de Maneco, Barnardo e Aureliano começaram a recber as visitas de colegas sinceramente contristados. Com muita seriedade e compunção, os dois colocavam, perante os demais, o grave problema do enterramento do 'inditoso companheiro, tão repentina e prematuramente desaperecido'. Choveram as constribuições. Nem seria compreensível a indiferença e a falata de solidariedade num meio acadêmico tão sensível e generoso. Aureliano e Bernardo trataram de comprar provisões, com que se regalavam, enquanto o 'defunto' jazia na sala, para receber as homenagens 'póstumas' dos colegas retardatários. Mas os dois tanto comeram, tanto beberam, tanto ruído fizeram, com suas gargalhadas rabelaisianas, que o 'morto' não resistiu mais ao cheio das vitualhas, ao tilintar dos copos e à alegria báquica dos companheiros. Atirando para o lado o lençol, sem fazer caso de uns poucos estudantes que piedosamente o velavam, Álvares de Azevedo saiu do leito mortuário e bradou indignado:

- Canalhas! Eu estou aqui, morto, e vocês, aí dentro, a se banquetearem! Assim, não! Vou também regalar-me...

E marchou resolutamente para participar do festim... a 'estudantada', que deve ter divertido enormemente todo o meio acadêmico, inclusive os próprios logrados, prova duas coisas: as dificuldades financeiras de Maneco e seus amigos e, ainda, a capacidade de 'representação' do poeta, que era, na verdade, um grande fingidor."

[MAGALHÃES JÚNIOR, R. Poesia e vida de Álvares de Azevedo. São Paulo: Editora das Américas, 1962, p.69-70.]

 

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