Texto e Fotografias de Mônica Yamagawa


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BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984.BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO

São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos
EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A
SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento
1984

 

Edição usada disponível na Estante Virtual

 


download gratuito 

Chalés Paulistanos

Eudes Campos
Anais do Museu Paulista/SciELO
2008

O presente artigo estuda a origem, o desenvolvimento e a decadência, no ambiente urbano paulistano, de um tipo de construção denominado chalé. Fruto do Romantismo do século XIX, e muito popular no último terço do oitocentismo, o chalé assumiu alto valor simbólico - embora de significado ambíguo -, por estar ligado tanto à noção de uma idealizada vida campestre, quanto à de modernidade técnica, que então se introduzia em São Paulo. Popularizou-se em razão da facilidade de importação de material de construção industrializado e expandiu-se durante a onda construtiva que atingiu a capital paulista a partir do ano de 1875. Em fins do Império, foi objeto de medidas restritivas municipais por ter sido considerada desregrada sua proliferação no espaço urbano da cidade. E, a partir do começo do século XX, a transformação do gosto, as reformas urbanísticas então encetadas no Centro paulistano (1902-1914) e o desejo de construir um novo cenário urbano segundo o sistema de valores e os interesses das camadas hegemônicas contribuíram para o seu gradativo ... [+]

 


Patrimônio da metrópole paulistana

Margarida Cintra Gordinho
Iatã Cannabrava
Terceiro Nome
2010

Este livro apresenta, com fotos e textos, os bens tombados pelo Condephaat na cidade de São Paulo e em sua região metropolitana. Com ele, procuramos contribuir para amplir a possibilidade desses bens serem conhecidos, admirados e preservados, mantendo vivas as memórias e histórias que ajudam a construir nosso futuro...[+]

 


Patrimônio Cultural Paulista
CONDEPHAAT
Bens Tombados
1968 - 1998

Edna Hiroe Miguita Kamide
Terza Cristina Rodrigues Epitácio Pereira
Imesp
1998

 

Informações sobre os bens tombados pelo CONDEPHAAT até o ano de 1998.

 

Edição usada disponível na Estante Virtual

 

CENTRO DE SÃO PAULO

ANTIGA CASA NÚMERO 1

CASA DA IMAGEM

rua roberto simonsen 136-B

atualizado em: 18 de agosto de 2016

 

home > centro de são paulo > ANTIGA CASA NÚMERO 1

O edifício, localizado na Rua Roberto Simonsen (antiga Rua do Carmo), é composto de alvenaria de tijolos, erguido, provavelmente, sobre as fundações da antiga casa de taipa de pilão.

De acordo com os dados da prefeitura, seu primeiro proprietário foi Francisco Dias (1689). Após sua morte, o bandeirante Gaspar de Godoy Moreira comprou o imóvel e seus filhos e descendentes fizeram uso da casa como moradia.

Em 1855 a edificação foi transformada no colégio Ateneu Paulistano, tendo como proprietário Padre Júlio Mariano Galvão de Moura, e, após a morte de seu último diretor, foi vendida ao Major Benedito Antônio da Silva, responsável pela construção em alvenaria, preservada até os dias de hoje.

Não existem registros precisos sobre a data dessa segunda construção, porém, a casa aparece em uma fotografia, elaborada entre 1881 e 1891, durante a construção da Secretaria da Fazenda.

Materiais comuns, nas construções paulistanas desse período, como o pinho-de-riga nas esquadrias e a telha tipo francesa na cobertura, estão presentes na edificação com paredes de alvenaria em tijolos.

 

Eudes Campos, em seu artigo sobre os chalés paulistanos, fornece informações adicionais sobre o período de sua construção: 

"De todos os chalés erguidos ao longo do século XIX nenhum sobreviveu. Na rua Roberto Simonsen, n. 136-B, resta uma construção que, embora não sendo um típico chalé suburbano, guarda algumas de suas características decorativas. Trata-se de um sobrado de três pavimentos, com nítidas feições urbanas (sem recuos em relação à testada e às divisas laterais do lote e com a entrada principal diretamente voltada para a rua), construído para servir de residência para seu rico proprietário, o major Benedito Antônio da Silva. A marca distintiva do chalé, neste caso, restringe-se aos beirais lambrequinados, que contornam a edificação, e às testeiras da pequena empena central, que coroa a água-furtada existente no alto da fachada principal.

Ao tempo de sua construção, esse edifício se tornou objeto de detida análise por parte da Câmara, em virtude de uma representação encaminhada por vizinhos, que denunciaram o proprietário por ter aberto uma porta na parede lateral direita, aproveitando o recuo que as moradias contíguas mantinham em relação ao sobrado. Pretendiam gradear as testadas de suas propriedades, formando pequenos jardins fronteiros, como então começava a entrar em moda, e a presença daquela porta prejudicava-lhes o intento.

A comissão encarregada de estudar o problema chegou a duas alternativas: ou a Câmara considerava os imóveis dos queixosos como situados na rua do Carmo (atual Roberto Simonsen) e permitia, em conseqüência, o avanço das frentes das edificações (mas não o desejado gradeamento das testadas), ou considerava-os voltados para o largo de Palácio, não tendo, nesse caso, direito de se orientarem pelo alinhamento daquela via pública.

Infelizmente, não nos é conhecida a decisão final dos vereadores, porque o julgamento acabou adiado e na documentação camarária nada mais consta sobre o assunto. No entanto, as circunstâncias levam-nos a deduzir que a Câmara afinal se pronunciou, e, quando o fez, foi em favor do proprietário do sobrado, ofuscada decerto pelo prestígio social do denunciado. Quanto aos reclamantes, negou-se-lhes a pretensão de regularem o alinhamento de seus prédios pelas testadas da rua do Carmo, sem dúvida sob a alegação forçada de que os imóveis tinham por endereço o largo de Palácio.

"Certificamo-nos disso não só por estampas do final do Oitocentos que perpetuam imagens daquela parte da cidade, como também pelo novo sistema de numeração das casas de São Paulo, adotado por volta de 1885 ou 1886. Por esse sistema, o sobrado que até então correspondia ao n. 81 passou a ostentar o n. 1 da rua do Carmo. Expediente que trai a interpretação, adotada anos antes pela Câmara, de que as residências à direita do sobrado achalezado não pertenciam àquela rua, mas ao logradouro vizinho.

Mais tarde, as casas velhas dos vizinhos prejudicados na questão foram derrubadas e, no lugar, fez-se o palácio da Secretaria da Justiça (1896), obra do escritório do arquiteto Ramos de Azevedo. Construção que, ao obedecer, como era lógico, ao alinhamento das demais edificações da rua do Carmo, provocou o fechamento dos vãos laterais do sobrado, àquela altura não mais pertencente ao influente major. Só quando foi demolida a antiga sede da Secretaria da Justiça, em meados do século XX, é que reapareceram entaipadas a porta do térreo e as envasaduras dos andares superiores na empena do sobrado vizinho, aberturas que foram devidamente reconstituídas durante os trabalhos de restauração realizados no imóvel acerca de vinte e cinco anos atrás.

Junius - em seu livrinho sobre São Paulo, editado pela primeira vez em 1882 - traçou breves linhas a respeito do proprietário da casa n. 1 da rua do Carmo. Embora o autor das notas explicativas incluídas na reedição de 1978 não tenha conseguido identificar o retratado, conseguimos fazê-lo com sucesso.

Por um diálogo mantido com uma personagem chamada dr. Z..., Junius toma conhecimento de que o major B... morara em Santo Amaro e, graças a seu dinamismo e tino comercial, por incrível que pareça, aí enriquecera. Depois de rico, mudou-se para São Paulo e desde então se servia de parte de sua fortuna para o embelezamento da cidade. Perguntado como fazia isso, respondeu o dr. Z:

' É fácil compreender-se: o Major compra casas velhas, verdadeiras ruínas, manda demoli-las e sobre seu solo levanta lindos palacetes, e acrescentou, lamento que ele não tenha o décuplo da fortuna que aqui [em Santo Amaro] alcançou fazer, creio que com ela daria nova feição a muitas ruas da Capital pela construção de bonitos edifícios.'

Entre os bonitos palacetes erguidos por esse major da Guarda Nacional, um dos empresários promotores da renovação e expansão edilícia paulistana durante o primeiro grande surto imobiliário experimentado pela Capital, achava-se seguramente o sobrado achalezado de que vimos tratando, em plena construção no ano de 1880.

Ainda por outras razões, o sobrado acima mencionado é notável. Do ponto de vista tipológico, mostra-se relevante por manter, ainda que tardiamente, o conceito de piano nobile, ao reunir no primeiro andar as principais peças de representação (salas de visita e sala de jantar). Do ponto de vista artístico é igualmente importante, pois conserva algumas pinturas murais em áreas de circulação vertical e horizontal. Compostas de grutescos um tanto ingênuos, representam arranjos florais, putti e paisagens. De autoria desconhecida, constituem valioso documento artístico, havendo sido os seus vestígios objeto de recuperação no ano de 1991."

[CAMPOS, Eudes. Chalés Paulistanos. Anais do Museu Paulista: história e cultura material. Volume 16. Número 1. São Paulo Jun. / Jul. 2008.]

Registros antigos constam que em 1689, no terreno onde está localizada a atual casa, existia uma edificação, em taipa de pilão, pertencente a Francisco Dias (sertanista) que, no mesmo ano vendeu a propriedade para o bandeirante Gaspar Godoy Moreira.

Em 1809, a propriedade pertencia ao Tenente Coronel Manuel José Gomes. O Padre Antônio Maria de Moura, que faleceu em 1842, também morou no local. Em 1855, o Padre Júlio Mariano Galvão de Moura, então proprietário do terreno e casa, instalou no local o Colégio Ateneu Paulistano.

Por suas dimensões, serviu, em seguida, à instalação de uma Casa de Banhos ou Casa de Saúde, que funcionou no imóvel em 1857 e 1858, sob direção do francês Charles Pierre Etchecoin. Um dos anúncios desta espécie de clínica referia-se ao imóvel como um “vasto estabelecimento, situado em um excelente lugar, tendo uma vista linda e pitoresca, e colocado mesmo na cidade”. De fato, a área atrás do hotel ainda não estava urbanizada; a cidade terminava ali, num dos limites do planalto em que se situava a cidade. O que se tinha era uma vista aberta, panorâmica.  

Ao que tudo indica, esta casa funcionava também como hotel, já que um comerciante de jóias, de nome Affonso Fierard, anunciava suas mercadorias dando como endereço a Casa de Saúde. Em 1862, a casa já não tinha mais as atividades clínicas e se constituía, exclusivamente, como Hotel do Hilário, dando hospedagem e anunciando trazer peixes de Santos e oferecer tainhas frescas, assadas, recheadas, camarões frescos, ostras em lata, além de “comidas usuais”. Atores da Companhia Dramática de São Paulo tinham ali o seu endereço.

Em 1865, o hotel passou às mãos de Domingos Henrique da Silva, foi todo reformado e ganhou o nome de Hotel da Boa Vista. Dizia um anúncio: “O proprietário não poupou esforços a fim de oferecer aos senhores viajantes e pensionistas todas as comodidades possíveis, tendo excelentes aposentos, e podendo gozar-se da linda vista da várzea” (referia-se às margens do rio Tamanduateí); “uma vista deliciosa, que daí se goza e que torna para os senhores passageiros a hospedagem amena e aprazível”. Um ano depois, porém, foram a leilão os móveis e utensílios do hotel. No ano seguinte, ainda alugavam-se alguns cômodos da casa.

["História de um lugar". Casa da Imagem. Prefeitura Municipal de São Paulo.]

Na década de 1870, a proprietária do terreno era Carolina Amália da Silva Rangel e

"por volta de 1880, o Major Benedito Antônio da Silva, que, em sintonia com o extenso processo de mudanças que começava a acontecer na cidade, mandou demolir o velho casarão de taipa para construir, como sua residência, o imóvel que atualmente abriga a Casa da Imagem, com seus três andares e pinturas ornamentais."

"História de um lugar". Casa da Imagem. Prefeitura Municipal de São Paulo.

Em 1890 foi sede da Estação Central de Urbanos e da Sociedade de Imigração e quatro anos mais tarde, o Estado comprou a casa (1894). Em 1910, o Gabinete de Investigações e Capturas foi instalado no edifício. Entre a data da compra e a instalação do gabinete (1894 - 1910), existem menções da ocupação da Companhia de Gás na casa (via alguel), porém, não há documentos que confirmem tal informação. O Gabinete de Investigações e Capturas permaneceu no local até 1917. Em 1924, a casa abrigou o Gabinete Médico Legal e a Delegacia de Plantão (Polícia Estadual).

Até o ano de 1970, a Casa Número 1 foi propriedade da Polícia, recebendo ao longo desse período, várias reformas e reparos de urgência. Entre 1971 e 1974, já sob administração municipal, o imóvel foi utilizado pelo Instituto Genealógico Brasileiro e pela Academia Paulista de Direito.

Em 1976, o projeto de restauro realizaddo pelo Departamento de Patrimônio Histórico, incluiu a decapagem de sucessivas camadas de pintura e a prospecção da alvenaria e forros, possibilitando o levantamento de informações sobre as diversas remodelações do edifício, correspondentes às diferentes ocupações, além da descoberta e recuperação de pinturas decorativas, na área interna. Com a conclusão das obras de restauro, a Casa nº 1 foi inaugurada (julho de 1980), abrigando a sede do DPH e, posteriormente, o Gabinete da Secretaria Municipal de Cultura.

Em 1985, a edificação foi interditada para obras de emergência, porém, essas foram realizadas somente a partir de 1988. Durante esse período,

"tornou-se primeiro um canteiro de escavações arqueológicas que se realizaram nesta Casa, no Beco do Pinto e no Solar da Marquesa de Santos, sob coordenação da Professora Margarida Andreatta, no âmbito de um convênio realizado entre o DPH e o Museu Paulista da Universidade de São Paulo. A própria estrutura construtiva da casa foi alvo das pesquisas; os fragmentos de objetos coletados, remanescentes da passagem do século 19 para o 20, foram integrados ao acervo do Departamento de Patrimônio Histórico do Município."

["História de um lugar". Casa da Imagem. Prefeitura Municipal de São Paulo.]

Em 1990, a casa passou a abrigar a Divisão do Arquivo Histórico Municipal, que ali permaneceu durante dez anos.

Em 2006, a Prefeitura Municipal de São Paulo, iniciou a restauração de suas estruturas. Entre os anos de 2008 e 2011, a edificação foi restaurada, com projeto assinado pelo escritório de Marcos Carrilho.  

A implantação da Casa da Image, começou em 29 de agosto de 2011, destinando o imóvel para exposições do acervo fotográfico do Museu da Cidade de São Paulo. A instituição cultural foi inaugurada em 19 de novembro de 2011 e permanece no local até os dias atuais.

 

 

 

A recuperação das pinturas decorativas nas paredes da antiga Casa Número 1

Paredes do corredor da entrada

 

Detalhe arqueológico da parede do andar superior

 

Detalhes das pinturas nas escadarias

 

Detalhes da decoração do teto do andar superior

 

Referências Bibliográficas

BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO.São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.209.

CAMPOS, Eudes. Chalés Paulistanos. Anais do Museu Paulista: história e cultura material. Volume 16. Número 1. São Paulo Jun. / Jul. 2008.

CASA NÚMERO 1. Website: Prefeitura Municipal de São Paulo. Data de acesso: 26 Ago. 2012.

"HISTÓRIA DE UM LUGAR". Casa da Imagem. Prefeitura Municipal de São Paulo.

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