Website de Mônica Yamagawa

ANTIGO BANCO ALEMÃO

rua 15 de novembro, 268

história do centro de são paulo

atualizado em: 24 de setembro de 2017

 

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O estilo neo-românico descreve o antigo Brasilianische Bank für Deutschland, na época, em moda na Alemanha. A edificação foi construída em 1897 e parte da sua fachada original sobrevive em meios aos acréscimos recebidos nos anos seguintes. A ala voltada para a Rua Três de Dezembro foi construída entre 1910 e 1914 (autoria de Augusto Fried), o terceiro andar foi implementado em 1963.

Segundo Juan Esteves e Antônio Carlos Abdalla, o banco funcionava no térreo e os pavimentos superiores eram ocupados por residência particular (provavelmente, na época, pelo diretor da instituição).

A edificação, idealizada por Guilherme Krug & Filhos, foi uma das primeiras em São Paulo a utilizar blocos de granito lavrado em sua construção. Atualmente, a sua estrutura é feita de concreto e alvenaria de tijolos e o prédio possui quatro pavimentos.

Ao final do século XIX e início do século XX, foram elaborados planos de alinhamento para as ruas da cidade e muitos projetos arquitetônicos ou de reformas não foram autorizadas pela Comissão Técnica de Melhoramentos, pois, as propriedades estavam sujeitas ao recuo, para a ordenação do traçado urbano. No entanto, foram abertas exceções, entre elas, para a ampliação do Banco Alemão (década de 1910), como demonstram os arquivos da "Diretoria de Obras / Obras Particulares", disponíveis, no Arquivo Histórico Municipal Washington Luís:

"A fachada do novo Banco, que tem a altura aproximada da Casa Garraux, vem complementar a curva formada pelos prédios acima mencionados, curva esta que longe de ser prejudical à perspectiva da rua é um de seus elementos de beleza e de interesse - afastando-se da monotonia e banalidade dos Boulevards traçados a régua e esquadro"

[Arquivo Municipal Washington Luís, fundo "Diretoria de Obras", série "Obras Particulares", vol. 37, fls. 49-50. IN: BARBUY, Heloisa. A Cidade-Exposição: comércio e cosmopolitismo em São Paulo, 1860 – 1914. São Paulo: Edusp, 2006, p.45.]

No caso da Rua XV de Novembro, o "projeto" de alinhamento da rua começou em 1901, porém, não seguiu regras tão rígidas, pois, a medida em que novas construções surgiam, foram proprostos alinhamentos parciais, alternativos, com o objetivo de reduzir os gastos da prefeitura com as expropriações.

Por exemplo, no caso do Banco Alemão, para "retificar" a Rua XV de Novembro, a remoção de detalhes da fachada, não seriam suficientes para dar o recuo necessário para o alinhamento; aliás, nem mesmo a remodelação das fachadas de seus vizinhos, a Casa Garraux e o Edifício Progradior, alinhariam uniformemente a via pública. Diante desse impasse, a Diretoria de Obras Municipais optou por manter as fachadas e com relação à ampliação do Banco Alemão, a saída foi

"procurar uma solução de canto para o acréscimo a ser erguido pelo banco na esquina das Ruas Quinze e Boa Vista (hoje Três de Dezembro) que disfarçasse o avanço das três construções. A solução de concordância adotada (...) somente se tornou efetiva depois de o Prefeito Antônio Prado (1840-1929) ter ido ao local e verificado pessoalmente que a proposta era de fato a mais conveniente do ponto de vista estético."

[CAMPOS, Eudes (organizador). Arquivo Histórico de São Paulo: história pública da cidade. São Paulo: Divisão do Arquivo Histórico de São Paulo / Imesp, 2011, p.212.]

Durante a II Guerra Mundial, infelizmente, o edifício foi parcialmente destruído, alvo de vandalismo. Entre os anos de 1939 e 1945, aumentaram os números de bancos nacionais em detrimento dos bancos estrangeiros. Como descreve o próprio Deutsche Bank, em seu site:

"a declaração de guerra representou a paralisação de todos os negócios entre o Brasil e os países que compunham o Eixo, entre eles a Alemanha". Em 1942,"são nomeados interventores para encerrar suas atividades" e somente em 1955, o "Deutsche Ueberseeische Bank volta a operar no Brasil, com um escritório de representação em São Paulo".

[Website: Deutsche Bank]

Um livro que fala sobre as atividades "ilícitas" de alguns funcionários do banco, durante a guerra, a favor do partido nazista é "Caça às suásticas: o Partido Nazista em São Paulo sob a mira da polícia política", de Ana Maria Dietrich. Em sua pesquisa, a autora discorre sobre a relação entre o Banco Alemão Transatlântico e o Partido Nazista e, segundo a mesma, oito funcionários estavam diretamente ligados ao partido: Otto Braun, Martim Spremberg, Kurt Krahmer, Erwin Tietgen, Edgar Paulo Cramer, Bruno Hoppe, Roland Camil Braun e Kur Wendell e outros quatro, indiretamente ligados: Adolph Dobler, Hans Kedor, Werner Stein e Schafer:

Caça às suásticas:
o Partido Nazista em São Paulo sob a mira da polícia política

Ana Maria Dietrich
Imesp
2008

Esta produção resulta do inventário do Fundo DEOPS/SP desenvolvido pela equipe de pesquisadores do PROIN - Projeto Integrado Arquivo do Estado/USP - , que, desde 1996, tem contribuído para a construção do conhecimento histórico acerca do exercício moderno do poder por meio das instituições públicas. Representa uma conquista que diz respeito ao direito à memória. Expressa o retorno ao Estado de Direito que restabelece as garantias individuais e as liberdades públicas, entre as quais o direito à informação e à livre circulação de idéias.... [+]

CENTRO DE SÃO PAULO

BIBLIOGRAFIA


A CIDADE-EXPOSIÇAO

Heloisa Barbuy
Edusp
2006

O livro analisa o microterritório formado pelas três principais ruas comerciais na passagem do século XIX para o XX - ruas 15 de Novembro, Direita e de São Bento, que compunham o chamado Triângulo - tendo como eixo as casas de comércio da região. Com isso, o livro proporciona a compreensão do desenvolvimento da cidade refletido, por exemplo, na introdução gradual de uma estética cosmopolita tanto na arquitetura dos edifícios quanto na exibição de produtos ou cartazes publicitários. A união entre texto e ilustrações reconstrói o cenário do triângulo central de São Paulo, levando o leitor a conhecer os pormenores das fachadas e dos interiores das edificações da época numa imersão lenta e intensa nos processos por meio dos quais a cidade se reinventa...[+]

 


CAPITAL - SAO PAULO E SEU PATRIMONIO ARQUITETONICO

Juan Esteves
Antonio Carlos Abdalla
Imesp
2013

'A Secretaria de Estado da cultura de São Paulo tem imensa satisfação em apoiar a reedição do livro 'Capital - São Paulo e seu patrimônio arquitetônico, de Juan Esteves. Com curadoria de Antonio Carlos Abdalla, o conjunto de fotografias selecionadas oferece um amplo panorama da diversidade de edifícios de distintas naturezas que marcaram a capital paulista ao longo de sua história, especialmente os últimos 100 anos. Colocado em evidência no magistral registro de Juan Esteves, o patrimônio arqutetônico paulistano pode aqui ser apreciado nos detalhes que acabam por ficar invisíveis em meio à agitação cotidiana da metrópole. Ao dar merecida visibilidade aos edifícios retratados, esta publicação ajuda a sensibilizar para a necessidade de preservação desse patrimônio, uma importantíssima e difícil tarefa, que precisava envolver toda a sociedade.' - Marcelo Mattos Araujo...[+]

 


BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO

São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos
EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A
SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento
1984

 

Edição usada disponível na
Estante Virtual

 


ARQUIVO HISTORICO DE SAO PAULO
HISTÓRIA PÚBLICA DA CIDADE

Eudes Campos
Imesp
2011

Seleção de manuscritos, mapas, plantas, desenhos técnicos e fotografias, escolhidos dentre os mais de 4 milhões de itens pertencentes ao acervo do 'Arquivo Histórico de São Paulo', este livro busca compor um mosaico da história da cidade e ressalta a importância da conservação deste patrimônio diante dos desafios de compreensão do seu futuro...[+]

 


SÃO PAULO - A JUVENTUDE DO CENTRO

Luciano Delion
Pedro Cavalcanti
Conex
2005

Cidades são feitas de vidas humanas e de cimento armado. Evocar o centro de São Paulo nos anos de sua juventude significa trazer de volta não apenas o traçado esquecido de suas ruas e edifícios, como também a trajetória dos homens e mulheres que lá viveram, sonharam e trabalharam. Este livro trata de arquitetos e construtores, e também de revolucionários e administradores, banqueiros e industriais, jornalistas, pintores e poetas, célebres ou modestos, e das marcas materiais e imateriais que deixaram no corpo e na alma da cidade. O período coberto pelo livro, da Proclamação da República ao Quarto Centenário, foi escolhido por representar o que se poderia chamar de juventude do centro, época do apogeu de sua beleza e de seu prestígio...[+]

 


A CAPITAL DA VERTIGEM
UMA HISTORIA DE SAO PAULO DE 1900 A 1954

Roberto Pompeu de Toledo
Objetiva
2015

O jornalista Roberto Pompeu de Toledo narra em 'A capital da vertigem' sua arrancada rumo à modernidade. Eis uma cidade que deixa a condição de vila e se torna a maior metrópole do país. É a capital da vertigem - vertigem artística, industrial, demográfica, social e urbanística. Neste painel que vai do início do século XX a 1954 - quando a cidade completa quatrocentos anos -, aparecem personagens como Oswald e Mário de Andrade, Monteiro Lobato, Washington Luís, Prestes Maia, e Francisco Matarazzo, e surgem episódios que vão da Semana de Arte Moderna de 1922 à epidemia de gripe espanhola, da Revolução de 1924 à chegada do futebol ao país....[+] 

Também disponível na versão digital e-pub

 


A EVOLUÇAO INDUSTRIAL DE SAO PAULO

Edgard Carone
Senac
2001

Nas quatro décadas iniciadas com a República e finalizadas com o movimento que entregou o poder a Getúlio Vargas, São Paulo experimentou um surto de desenvolvimento cujos efeitos ainda hoje se manifestam, traduzidos na situação de liderança que o estado ocupa. A saga da evolução industrial, que é a base desse progresso, é contada neste livro por Edgard Carone, mestre da historiografia, numa obra ilustrada com fotos...[+]

 


Memória Paulistana

Carlos Augusto Calil
IMESP
2011

Livro inclui fotografias de nomes importantes da época, como Militão Augusto de Azevedo, e anônimos que fizeram registros precisos e marcantes. A coordenação da obra é de Carlos Augusto Calil, secretário de cultura da cidade de São Paulo...[+]

 

HISTÓRIA DO COMÉRCIO DO CENTRO DE SÃO PAULO

[projeto em desenvolvimento]








SÉCULO XXI

2001 - 2010

2011 - 2020

 

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