Texto e Fotografias de Mônica Yamagawa


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Capela dos Aflitos em 1939

FONTE DA IMAGEM: BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984.

 

BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984.BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO

São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos
EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A
SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento
1984

 

Edição usada disponível na Estante Virtual

 


Dicionário de história de São Paulo

Antonio Barreto do Amaral
Imesp
2006

'A Coleção Paulística' trata de diversos aspectos da História do Estado de São Paulo, de sua formação e cultura, de alguns de seus municípios e de algumas de suas personalidades. Disponibiliza-se, assim, a pesquisadores e estudiosos da história de São Paulo, bem como ao público em geral. Os exemplares selecionados, escritos por nomes relevantes da prosa paulista, cobrem desde a saga dos Bandeirantes até a história dos teatros paulistas, destacando-se o 'Dicionário de História de São Paulo'...[+]

 


Memória e Tempo das Igrejas de São Paulo

Leonardo Arroyo e Dina Dorothea Danon
IBEP Nacional
2010

Em 'Memória e tempo das igrejas de São Paulo', os desenhos de Diana Dorothèa Danon buscam captar todo o valor artístico de espaços sagrados. Com sensibilidade, a autora registra construções que datam do século XVI ao XX. São dezenas de construções contempladas em mais de 50 desenhos de valor documental e artístico. Já os textos de Leonardo Arroyo são uma verdadeira viagem pela história dessas igrejas e relatam fatos pitorescos ligados aos costumes da época...[+]

 


Patrimônio Cultural Paulista
CONDEPHAAT
Bens Tombados
1968 - 1998

Edna Hiroe Miguita Kamide
Terza Cristina Rodrigues Epitácio Pereira
Imesp
1998

 

Informações sobre os bens tombados pelo CONDEPHAAT até o ano de 1998.

 

Edição usada disponível na Estante Virtual

 

CENTRO DE SÃO PAULO

CAPELA DE

NOSSA SENHORA DOS AFLITOS

rua dos aflitos, 70

atualizado em: 6 de fevereiro de 2017

 

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O Cemitério dos Aflitos

A história do Cemitério dos Aflitos está associada a história da Santa Casa de Misericórida. A fundação do cemitério, inicialmente conhecido como "Cemitério da Rua do Arcipreste", foi "oficialmente" sagrada em 27 de junho de 1779 (há menções de enterramentos no local, datadas de 1775), foi uma iniciativa de Dom Frei Manuel da Ressurreição, então Bispo de São Paulo, ao assumir o cargo de provedor dessa irmandade:

"Com o cemitério, estaria a Mitra criando um local apropriado para que a Santa casa continuasse a proceder aos sepultamentos das classes desfavorecidas, então sob sua responsabilidade, e acerca do qual não estava a irmandade em condições de tomar providências, dada sua difícil situação financeira.

Destinava-se ele, portanto, a receber os corpos das pessoas pobres e escravos, além dos despojos de todos os soldados, conforme afirmação de Castro Mendonça feita em 1802, datando, porém, a primeira menção a enterramento naquele cemitério de outubro de 1775. Em 1811, entretanto, o físico-mor Dr. João Alvares Fragoso retificava a informação do ex-governador, assegurando que dos doentes falecidos no Hospital Militar, só os civis, para lá encaminhados pela Santa Casa, eram inumados no cemitério; aos soldados estava reservada a igreja da Misericórdia."

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.167-168.]

Na época da origem do cemitério, a forca estava arruinada, o que talvez explique a ausência de dados sobre os supliciados, porém, a Santa Casa era a responsável pelos corpos dos setenciados e como o cemitério ficava próximo ao local onde ficava a forca, é provável que os condenados tenham sido sepultados no Cemitério dos Aflitos.

Francisco José das Chagas, popularmente conhecidos como Chaguinhas, foi um dos condenados em 1821 e sepultados no Cemitério dos Aflitos. Ele foi um dos responsáveis pelo Motim de Santos, quando na noite de 28 para 29 de junho de 1821, pela falta, por longo período, do pagamento de soldo, encontrando-se "a maioria das praças andrajosas e famintas", segundo Antonio Barreto do Amaral, o 1o. Batalhão de Caçadores revoltaram-se, arrombaram a cadeia e casa do trem bélico, e com as armas obtidas nessas instituições, "prenderam ou initimidaram autoridades, invadiram lares, saquearam e impuseram resgate". No dia 2 de julho, partiram da capital o 2o. Batalhão de Caçadores, chegando de surpresa em Santos, no dia 6 de julho com ordens de prisão para os amotinados. Foram condenados os responsáveis pelos motim e os oficiais que no momento do levante abandoram a unidade: os sete responsáveis pelo motim foram condenados à morte, outros vinte foram enviados para África (pérpétuo degredo) e os demais receberam penas menores. Dos sete condenados à morte, cinco foram executados em Santos e dois, Francisco José das Chagas e Joaquim José Cotindiba, por serem naturais de São Paulo, foram enviados para a forca da capital.

Os condenados partiram de Santos no dia 15 de setembro de 1821 e no dia 17 foram colocados à disposição do juiz relator para que fosse concluída a sentença, sendo sentenciados no dia 20.

A execução da sentença de morte de Francisco José das Chagas, o Chaguinhas, comoveu a população:

"Um fato macabro então aconteceu, enchendo de espanto e ao mesmo tempo de piedade o povo que assistia ao tétrico espetáculo: partiu-se a corda de barbante que suspendia o cabo José das Chagas. mandado fosse substituída pelo laço de couro, ttrazido de um açougue próximo, este não suportou o peso do condenado, sendo preciso que lançassem mão de um novo laço de couro para que a sentença fosse cumprida."

[AMARAL, Antonio Barreto do. Dicionário de história de São Paulo. Coleção Paulística. Volume XIX. São Paulo: Imesp, 2006, p.189.]

Anos depois, na sessão da Câmara de 22 de maio de 1835, Padre Diogo Antônio Feijó, relembrou o acontecimento:

"Senhor Presidente, o que eu entendo por atrocidade é, por exemplo, isto: mandar enforcar um homem, tendo ainda recurso legal contra sentença. Senhor Presidente, eu o vi com meus p´roprios olhos, na minha província. Era o primeiro espetáculo destes; a curiosidade chamou-me àquele lugar. O desgraçado pendurado, caiu por haver se cortado a corda. Recorreu-se ao Governo da Província, pedindo que se demorasse a execução, enquanto se implorava a clemência ao príncipe regente; não foram atendidos; alegou-se não haver corda própria para enforcar; mandou que se usasse laço de couro. Foi-se ao açougue, levou-se o laço; o infeliz foi de novo pendurado, mas o instrumento não era capaz de sufocar com presteza. Partiu-se de novo a corda e o miserável caiu ainda semivivo; já em terra fooi acabado de assassinar."

[AMARAL, Antonio Barreto do. Dicionário de história de São Paulo. Coleção Paulística. Volume XIX. São Paulo: Imesp, 2006, p.189-190.]

O cemitério estava localizado na época, no que era considerado o limite sul da cidade: entre o Caminho de Carro para Santo Amaro e o Caminho do Mar. Atualmente, seria a área entre as Ruas Galvão Bueno, Dos Estudantes e Da Glória.

Anos depois, em suas proximidades fora erguido, em julho de 1825, na Chácara dos Ingleses o Hospital de Caridade da Santa Casa (posteriormente transferido para Rua da Glória e em 1884, para o atual endereço, na Rua Doutor Cesário Motta Júnior).

Com a construção do Cemitério Municipal (Cemitério da Consolação), apesar dos protestos da população, o Cemitério dos Aflitos foi impedido de funcionar, pois, a partir de 15 de agosto de 1858, foram proibidos sepultamentos em outros lugares que não o novo Cemitério da Consolação (Cemitério Municipal).

 

A Capela dos Aflitos

A Capela dos Aflitos, construída contra um dos muros do cemitério, tem sua existência constada em documento do ano de 1779, quando, em sua sacristia fooi lavrada a ata de sagração do cemitério.

Em 1857, foi criada a Irmandade de Nossa Senhora dos Aflitos, para a manutenção do templo. Anos depois, em 1872, constam registros de problemas financeiros, com relatos direcionado para a Mitra, pela irmandade informando sobre a impossibilidade de manter a tarefa de manutenção da igreja, por falta de recursos.

O frontispício, ainda que um tanto mutilado, que resistiu ao tempo, deve ter sido erguido após a Irmandade assumir sua administração, pois, segundo o historiador Affonso Taunay, em uma aquarela de Carlos Rath, datada de 1850,

"a torre está ainda retratada com a aparência diversa da atual, e pela inscrição de ano de 1869 - seria essa a data da reforma? - no antigo mostrador do relógio, hoje desaparecido", sugerem que as alterações foram feitas nesse intervalo de tempo.

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.168.]

Na sessão de 27 de de maio de 1885, o vereador Manoel José de Araújo Costa, propôs que fosse solicitado ao bisppo a recosntrução dos muros do cemitério, uma vez que o local à Mitra pertencia. Porém, no final de 1885, a Santa Casa de Misericórdia, procurando um local para implantar o Asilo de Mendicidade, comunicou ao bispo que o cemitério pertencia a sua irmandade, e o grupo tinha intenção de tomar posse do local e lá instalar o asilo.

No ano seguinte, Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, declarou que o local pertencia a Igreja Paroquial da Sé, autorizando o loteamento e venda do terreno, excluindo do negócio, o terreno da capela e o o espaço para criar um logradouro para acesso para a mesma, dando origem ao Beco dos Aflitos, hoje conhecido como Rua dos Aflitos.

Em dezembro de 1883, Dr. José Maria Bourroul, foi nomeado, por tempo indeterminado, o zelador da capela. Sua irmã, Dona Sebastiana sucedeu o Dr. Bourroul até a sua morte, em 1948, quando a zeladoria foi passada para sua filha Dona Branca. Porém, em 1962, Dona Branca devolveu as cheves da Capela dos Aflitos para a Mitra, alegando não ter forças para prosseguir com sua manutenção.

Durante a zeladoria da Família Bourroul, a capela foi ampliada: nova sacristia, nave do Evangelho e coro; em 1889, foi construída uma pequena capela das almas e em 1939, uma outra intervenção foi feita para sua conservação.

Na década de 1960, a Mitra designou um de seus padres para a administração, este foi responsável pelo

"atual velário - construção medíocre - seguido de alterações que, entre outros efeitos nocivos, desfiguraram o fronstispício a ponto de comprometer o interesse arquitetônico do pequeno templo."

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.169.]

Em 1981, já sob a administração da Capela de Santa Cruz dos Enforcados, a edificação sofreu uma nova reforma, que agravou as descaracterizações arquitetônicas realizadas na década de 1960.

Segundo a descrição da década de 1980:

"Seu interior modestíssimo, conserva, sob várias camadas de pintura, restos de antigas talhas, de origem não esclarecida: o retábulo principal com características rococó e um remanescente de sacrário extremamente valioso, dada a sua raridade, do início do século XVIII e que, adaptado, abriga a imagem de Santo Antônio de Categeró."

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.169.]

 

Dados técnicos da construção:

Número de pavimentos: um.

Técnica construtiva: taipa de pilão, alvenaria de tijolos de várias épocas e concreto armado no acréscimo.

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