Texto e Fotografias de Mônica Yamagawa


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Esculturas no Espaço Público em São Paulo

Miriam Escobar
CPA – Consultoria de Projetos e Artes
1998

São Paulo vista através de seus caminhos e os lugares por onde eles passam. Foi assim que a arquiteta Miriam Escobar organizou este seu trabalho em que as esculturas estão dispostas por esses lugares e como que olhando quem passa. Uma referência de coisa viva onde caminho, lugar e escultura afirmam o espaço dos homens como sendo mais do que um fluxo onde não há tempo a perder ou uma operação mecânica a se realizar. Cada objeto anotado fala do que se homenageia e, mais que isto, marca com a sua presença um sentido possível a ser assumido por quem passa e nota.  A experiência transmitida vem dos tempos de criança, de andanças primeiras por esta cidade que muda tanto. Traz o envolvimento e a sedução de olhos encantados que tudo registram. Vem daí a satisfação imensa que estes registros fotografados provocam. É um olhar de afetividades profundas que procura tudo mostrar, mas que não interfere em nada. É a cidade sempre presente pelos gradis de proteção, pelos carros, pelas gramas e plantas do jardim. As localizações em plantas gráficas vão informando onde se...[+]  

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História da Cidade de São Paulo Através de Suas Ruas

Antônio Ridrigues Porto
Carthago
1996

A finalidade principal desta obra é divulgar fatos da história da cidade de São Paulo, através de uma síntese da vida paulistana em período superior a quatro séculos, chegando até os dias atuais. O autor retrata os costumes do povo, a sua religiosidade e os grandes acontecimentos locais. Tudo isso através da história dos logradouros públicos da cidade...[+]

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Praça Dom José Gaspar & Biblioteca Mário de Andrade

Em 1936, foi desapropriada a chácara de Augusto de Souza Queiróz, localizada na esquina da Rua da Consolação, 16 com a Rua São Luiz. No ano seguinte (1937), esta área foi ampliada e incorporada a propriedade vizinha, o Palácio Arquiepiscopal, na época, ocupada pelo Arcebispo Dom José Gaspar de Afonso e Silva.

A Instituição Biblioteca Municipal foi criada em 1925 e localizava-se na Rua 7 de Abril, 37. Desde a sua fundação, discutia-se a criação de uma nova sede para a instituição e, em 1942, no terreno do antigo Palácio Arquiepiscopal (Palácio São Luís), foi inaugurado o edifício destinado para a biblioteca municipal, batizada de Biblioteca Mário de Andrade, em homenagem ao poeta paulistano, assim como, a área ao redor foi rebatizada, em 1949, de Praça Dom José Gaspar, em homenagem ao seu antigo morador, que faleceu em 1943, em um desastre aéreo.

CENTRO DE SÃO PAULO

CERVANTES

escultura de raphael galvez
praça dom josé gaspar
biblioteca mário de andrade

atualizado em: 4 de outubro de 2016

 

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"Na rua em que ele morava foi aberta uma vala muito profunda para obras de saneamento. O barro que saiu formou, segundo um depoimento seu, 'uma montanha enorme, que, para mim, parecia um morro, uma cor de ocre, dourada'. Suas mãos foram parar no barro. Resultado: rosas e bonecos começaram a aparecer. O avô materno viu e perguntou ao neto se ele gostava de fazer aquilo. 'Acho uma coisa extraordinária', foi a resposta. A mãe acatou a vocação do filho, e daí para o entalhe em madeira, modelagem de barro, gesso, desenho de figura geométrica e estampa, práticas assimiladas na Escola de Aprendizes Artifíces, no Centro da cidade, o tempo foi curto. era o início dos anos 20, e Galvez, já órfão de pai, tinha 12 anos."

[MOURA, Diógenes. "A múltipla criação de um homem só". Suplemento da Revista BRAVO!. BRAVO! Apresenta Raphael Galvez na Pinacoteca do Estado.]

Quatro anos antes, aos 8 anos, após 20 dias em repouso, por causa de sarampo, Raphael Galvez, relata que ao abrir a janela, passou a enxergar o que via de forma diferente:

"Eu admirei aquelas árvores, naquela atmosfera fria, naqueles cinzas, e parecia que eu queria fazer algo daquela paisagem, mas não tinha com o que fazer, porque eu não conhecia uma processo de desenhar ou pintar."

[MOURA, Diógenes. "A múltipla criação de um homem só". Suplemento da Revista BRAVO!. BRAVO! Apresenta Raphael Galvez na Pinacoteca do Estado.]

O pintor, escultor e desenhista, dentro de Raphael Galvez surgiu antes mesmo dele saber o significado dessas palavras. Após as aulas na Escola de Aprendizes Artífices, o artista frequentou o Liceu de Artes e Ofícios e a Escola de Belas Artes.

Durante seu período no Liceu de Artes e Ofícios, se por um lado, estava satisfeito com os recursos materiais disponíveis, por outro, o fato de trabalhar com formas prontas, muitas das peças trazidas da Europa por Ramos de Azevedo, como a cópia da A Vênus de Milo, ou modelos de grandes vasos voltados para decoração de casas da elite paulista, o deixavam descontente, "ali estava a técnica, mas não bastava. Era preciso criar" [MOURA, Diógenes. "A múltipla criação de um homem só". Suplemento da Revista BRAVO!. BRAVO! Apresenta Raphael Galvez na Pinacoteca do Estado.].

Nesse período, conheceu o escultor Nicola Rollo e passou a frequentar o seu ateliê, onde, seu lado criativo ganhou novo impulso e "aprendeu" outras lições que moldariam sua relação com a arte:

"Rollo o vê esculpindo um pé de barro em tamanho natural. Irritado, empurra a peça para o chão repetindo que é preciso fazer "grande, grande'. Bastou para Galvez aprender duas lições, segundo outro testemunho seu: 'Uma era a dimensão, a outra era a humildade'. Logo depois reage, encomenda material, molda um pé de barro de dois metros cúbicos. Rollo considera a obra '... Uma tempestade, uma revolução'."

[MOURA, Diógenes. "A múltipla criação de um homem só". Suplemento da Revista BRAVO!. BRAVO! Apresenta Raphael Galvez na Pinacoteca do Estado.]

Na década de 1930, Galvez participou de vários salões, do Grupo Santa Helena, frequenta vários ateliês e participa frequentemente de encontros com artistas e intelectuais que se reuniam no Centro de São Paulo.

Segundo Diógenes Moura, Raphael Galvez trabalhava em um ateliê, desprovido de energia elétrica, das 7 horas da manhá até ás 6 horas da tarde, sempre sob a luz natural, uma hábito que manteve por quase toda sua vida. Outra característica do artista, pode ser descrita como a de "colecionador de sua própria obra", em várias ocasiões mostrando suas obras para um grupo pequenos de amigos e "guardando-as" logo em seguida. Não vivia com a venda de obras e sim, com o salário que recebia da Marmoaria Maia, onde modelou relevos e esculturas para túmulos, até se aposentar em 1976.

Sobre a decisão de não comercializar suas obras, em uma conversa com Momesso, ele perguntou se este seria capaz de "vender um filho". Mantendo a maior parte de suas obras em casa, então, como elas chegaram ao grande público, como foram parar em uma grande exposição na Pinacotecado do Estado? Em 1982, o colecionador Orandi Momesso, viu uma obra de Galvez no Museu de Arte Moderna e, como nunca ouvira falar dele, foi procurá-lo. Com o contato, e o desenvolvimento da amizade entre ambos, Galvez decidiu que Momesso deveria ficar com as suas obras, após a sua morte (com o consentimento dos irmãos), oficializando a decisão através de uma escritura pública.

 

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