Texto e Fotografias de Mônica Yamagawa


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SÃO PAULO - A JUVENTUDE DO CENTRO

Luciano Delion
Pedro Cavalcanti
Conex
2005

Cidades são feitas de vidas humanas e de cimento armado. Evocar o centro de São Paulo nos anos de sua juventude significa trazer de volta não apenas o traçado esquecido de suas ruas e edifícios, como também a trajetória dos homens e mulheres que lá viveram, sonharam e trabalharam. Este livro trata de arquitetos e construtores, e também de revolucionários e administradores, banqueiros e industriais, jornalistas, pintores e poetas, célebres ou modestos, e das marcas materiais e imateriais que deixaram no corpo e na alma da cidade. O período coberto pelo livro, da Proclamação da República ao Quarto Centenário, foi escolhido por representar o que se poderia chamar de juventude do centro, época do apogeu de sua beleza e de seu prestígio...[+]

 


BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984.BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO

São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos
EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A
SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento
1984

 

Edição usada disponível na Estante Virtual

 


São Paulo por dentro: um guia panorâmico de arquitetura.

Carlos Perrone
Senac SP
2000

Retrato de espaços urbanos que se faz acompanhar por um texto repassado de sentido histórico e humanismo, este livro ensina a ver São Paulo por um ângulo privilegiado. Mostra os encantos da cidade e ao mesmo tempo incentiva o leitor a descobrir mais requintes e tesouros disponíveis...[+]

 


GUIA FIQUE EM SÃO PAULO NO FIM DE SEMANA

Adriana Salles Gomes
Fernando Moreira Leal
Publifolha
2001

Este guia turístico da cidade de São Paulo e seus arredores ajuda o visitante ou o paulistano a descobrir o que a cidade tem de especial, de uma maneira organizada e rápida, com mais de 200 passeios selecionados de acordo com o gosto do leitor. São 20 menus de interesse - que vão do ecoturismo a uma relação de programas gratuitos ou abertos 24 horas. Os menus incluem também parques e jardins; esportes e atividades ao ar livre; compras; história; arquitetura e arte pública; festas e tradições; curiosidades; museus; comidas e bebidas; hotéis e motéis; cursos; vida noturna; roteiros e passeios; São Paulo multicultural; artes e espetáculos; saúde e beleza e calendário com atrações organizadas por tema, além de uma relação por programas, dispostos em ordem alfabética ...[+]

Edição usada disponível na Estante Virtual

 


CAPITAL - SAO PAULO E SEU PATRIMONIO ARQUITETONICO

Juan Esteves
Antonio Carlos Abdalla
Imesp
2013

'A Secretaria de Estado da cultura de São Paulo tem imensa satisfação em apoiar a reedição do livro 'Capital - São Paulo e seu patrimônio arquitetônico, de Juan Esteves. Com curadoria de Antonio Carlos Abdalla, o conjunto de fotografias selecionadas oferece um amplo panorama da diversidade de edifícios de distintas naturezas que marcaram a capital paulista ao longo de sua história, especialmente os últimos 100 anos. Colocado em evidência no magistral registro de Juan Esteves, o patrimônio arqutetônico paulistano pode aqui ser apreciado nos detalhes que acabam por ficar invisíveis em meio à agitação cotidiana da metrópole. Ao dar merecida visibilidade aos edifícios retratados, esta publicação ajuda a sensibilizar para a necessidade de preservação desse patrimônio, uma importantíssima e difícil tarefa, que precisava envolver toda a sociedade.' - Marcelo Mattos Araujo...[+]

 

CENTRO DE SÃO PAULO

EDIFÍCIO MARTINELLI

rua são bento, 397/413
avenida são joão, 11/65
rua líbero badadó, 504/518

atualizado em: 29 de setembro de 2016

 

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Giuseppe Martinelli desembarcou no Brasil em 1889, consta que trabalhou como empregado em um açougue e como mascate, nas áreas de plantações de café.

Vários são os projetos e investimentos associados ao seu nome, em São Paulo, mas, talvez, o Edifício Martinelli, seja o que o colocou na história da cidade.

Segundo sua esposa, Rina Cataldi, Martinelli sonhava em ser arquiteto, porém, somente concluiu o curso de pedreiro na Escola Popular de Belas Artes de Luca, Itália. Trabalhou no ramo de construção civil com o pai e os irmãos; aos 19 anos embarcou para o Brasil, para trabalhar em uma empresa de importação de secos e molhados, chamada Fratelli Fiaccadori. Em Santos, cuidava dos processos alfandegários e das operações de câmbio.

Com a experiência adquirida na empresa da família Fiaccadori, fundou com seu irmão e outros dois sócios a Fratelli Martinelli: casas bancárias em Santos e São Paulo, representação do Lloyd Italiano e outras empresas de navegação e exportação de café, estavam incluídas nas atividades da empresa. Com a Primeira Guerra Mundial, montou uma frota de navios sucateados para comercializar com os países europeus: a carga valia mais que a própria embarcação. Também entrou para a área industrial, com a montagem do estaleiro Cruzeiro do Sul e a exploração de minas de carvão na região sul do país.

Com o patrimônio adquirido com suas atividades empresariais, voltou seus olhos para o terreno que adquiriu entre a Rua São Bento e Avenida São João, e onde, até 1914, funcionou o Café Brandão. Dez anos depois, começou a traçar os projetos para o futuro arranha-céu, talvez, inspirado com o Edifício Sampaio Moreira, inaugurado em 1924 e, até então, a mais alta edificação da cidade, com os seus 13 andares.

Com o engenheiro William Fillinger, projetou um Martinelli com 12 andares, em seguida outro, com 14 andares; o contrato assinado em dezembro de 1924, com a Amaral e Simões Engenheiros, mencionava 18 andares. Mas, erguer o futuro “espigão” não foi tarefa fácil: 

“O sonho de Martinelli ia se tornando cada vez mais ambicioso, porém as dificuldades que encontrou lhe renderam alguns pesadelos. Ainda na fase de escavações, começou a minar água do subsolo, e os engenheiros tiveram muitos problemas para drenar o terreno. Os trabalhos na fundação abalaram os alicerces do prédio vizinho, e a proprietária, Dona Stella Penteado da Silva Prado, embargou as obras de Martinelli. Para resolver o problema, ele comprou o prédio de Dona Stella e decidiu construir no lugar mais um bloco de seu edifício.”[1]

Dificuldades para obtenção de madeira, pedra britada, ferro aço (para o concreto armado), cimento importando da Suécia e Noruega e a suspensão do trabalho, por parte de Martinelli, para novas alterações no projeto, levaram a construtora à falência, dois anos depois do início das obras, com o “grande” edifício estagnado no terceiro pavimento.

Ítalo Martinelli, sobrinho do “Comendador” (título que recebeu em 1918), arquiteto, formado pela Universidade Mackenzie, assumiu, juntamente com o tio, a direção dos trabalhos: 

“O Comendador morava no Rio de Janeiro e quando vinha a São Paulo hospedava-se no Hotel Esplanada. Às sete horas da manhã, empunhando um binóculo, verificava da janela do Hotel se os operários já estavam trabalhando. Ao meio dia ia fiscalizar as obras pessoalmente. (...) Reencontrava agora a oportunidade de relembrar a profissão que exercera na cidade natal. (...) Atraído pelo cheiro de argamassa, tirava a pá do pedreiro e completava com entusiasmo a tarefa, demonstrando grande satisfação. Ensinava aos operários como preparar e tratar o cimento, mantendo contato muito próximo com os mesmos. Manuel Urbano, o eletricista-chefe, recorda que o Comendador era muito afável e boa pessoa; com ele aprendeu a falar o toscano.”[2]

O palacete onde vivia no Rio de Janeiro, vivia em obras, segundo comentário popular, ele “nunca pretendeu concluí-las, pois acreditava que morreria ao fazê-lo, segundo uma premonição que lhe teria sido feita[3]. Talvez isso explique os atrasos causados pelas decisões e re-decisões de Martinelli de acrescentar mais andares ao edifício. Em 1928, o novo projeto registrava vinte andar, mas, as obras continuaram; ao chegar ao vigésimo quarto andar, a obra foi embargada pela prefeitura. A construtora, Amaral e Simões, que brigava na justiça com Martinelli, declarou para os jornais que não se responsabilizava pela segurança das obras, uma vez, que o projeto original era para um prédio de 14 andares: “Pode ruir o Prédio Martinelli”, dizia o Diário Nacional, em maio de 1928.

Os peritos da Escola Politécnica, recomendaram a redução da carga: remoção de paredes e pisos e uso de materiais mais leves ou a redução para 25 andares. Mas, o Comendador queria os seus 30 andares, então: 

“No topo do prédio, decidiu construir um palacete. Acrescentou dois andares para a habitação, mais um andar para a cabina com gerador, outro com uma sala ladeada por dois terraços e, finalmente, um terrão onde eram hasteadas as bandeiras do Brasil e da Itália. Assim, ele podia dizer que havia construído seus trinta andares.[4]

Não era somente o “pai” dos futuros arranha-ceús paulistanos, como um predecessor dos futuros shopping centers, dentro do Martinelli, funcionaram o Cine Rosário, a Brasserie Paulista, as sedes do Palestra Itália e da Portuguesa de Desportos, os salões de banquetes Verde e Mourisco, a escola de dança Arturo Patrizi, além de outros estabelecimentos como lojas, barbearias, restaurante e até um night club.

Com a inauguração, também veio a crise econômica de 1929, sem conseguir pagar pelos empréstimos, vendeu seus 30 andares em 1934. O Comendador retornou para o Rio de Janeiro e refez a sua fortuna, na década seguinte.

O “Martinelli Prédio” também passou maus bocados depois da saída do Comendador: “Confiscado aos italianos pelo governo brasileiro durante a II Guerra Mundial, foi a leilão em 1944, sendo arrematado por um grupo de investidores que o transformaram em condomínio, com mais de uma centena de proprietários. Entrou em decadência e acabou virando um imenso cortiço vertical.”[5] 

“Em 1946, ao chegar a São Paulo, a italiana Maria Bonomi ouviu seu avô recomendar ao motorista do táxi: ‘Não passe na Líbero Badaró’. O comendador Giuseppe Martinelli não queria passar na rua onde estava o prédio que havia construído, batizado e, anos antes, perdido: o edifício Martinelli, primeiro arranha-céu da cidade. ‘Ver o prédio daquele jeito, subutilizado, era uma tristeza muito grande para ele, lembra.’”[6]

A partir da década de 1970, as notícias do Edifício Martinelli são sempre sobre degradação e promessas de restauração:

 

Referências bibliográficas

[1] CAVALCANTI, Pedro, DELION, Luciano. São Paulo: a juventude do centro. São Paulo: Grifo, 2005, p.78.

[2] CAVALCANTI, Pedro, DELION, Luciano. São Paulo: a juventude do centro. São Paulo: Grifo, 2005, p.78-79.

[3] CAVALCANTI, Pedro, DELION, Luciano. São Paulo: a juventude do centro. São Paulo: Grifo, 2005, p.79.

[4] CAVALCANTI, Pedro, DELION, Luciano. São Paulo: a juventude do centro. São Paulo: Grifo, 2005, p.80.

[5] CAVALCANTI, Pedro, DELION, Luciano. São Paulo: a juventude do centro. São Paulo: Grifo, 2005, p.80.

[6] MARTINELLI ABRIGARÁ CENTRO CULTURAL. Folha de São Paulo: 15 Dez. 2004.

[7] FAMÍLIA VIVIA DENTRO DE CABINE. Folha de São Paulo: 9 Abr. 1995.

[8] LUCCHESI , Cristiane Perini. “CUT vai dividida à eleição dos bancários”Folha de São Paulo: 17 jan. 1994.

[9] LUCCHESI , Cristiane Perini. Sindicatos pagam mais para cobir déficit”.Folha de São Paulo: 21 mai. 1994.

[10] SCHIVARTCHE, Fabio. “Primeiro arranha-céu de SP aguarda reforma desde 1995”.Folha de São Paulo: 25 Jan. 1998.

[11] DURAN, Sérgio. Marta supera Alckmin e leva ‘Banespinha’".Folha de São Paulo: 17 Dez. 2001.

[12] DIMENSTEIN, Gilberto. “Metro mais caro do mundo é aqui”.Folha de São Paulo: 16 Jan. 2002.

[13] CAPITAL PODE GANHAR DOIS NOVOS PONTOS. Folha de São Paulo: 17 Nov. 2002.

[14] VIVEIROS, Mariana. “Centro ganha seis ‘novos” prédios”. Folha de São Paulo: 22 de Jan. 2004.

[15] CORRÊA. Sílvia. “Prefeitura usa embargo para negociar dívida”. Folha de São Paulo: 24 Mar. 2004.

[16] MARTINELLI ABRIGARÁ CENTRO CULTURAL. Folha de São Paulo: 15 Dez. 2004.

[17] CORREA, Vanessa. “Martinelli reabre visitação após dois anos de reforma”. Folha de São Paulo: 24 Jul. 2010.

[18] FAÇA TURISMO NO METRÔ. Folha de São Paulo: 8 Mar. 2012.

[19] MARCOVITCH, Jacques. Pioneiros & Empreendedores: a saga do desenvolvimento no Brasil. Volume 1. São Paulo: Edusp / Saraiva, 2009, p. 103 e 106.

[20] MARCOVITCH, Jacques. Pioneiros & Empreendedores: a saga do desenvolvimento no Brasil. Volume 1. São Paulo: Edusp / Saraiva, 2009, p. 103 e 106.

[21] MARCOVITCH, Jacques. Pioneiros & Empreendedores: a saga do desenvolvimento no Brasil. Volume 1. São Paulo: Edusp / Saraiva, 2009, p. 103 e 106.

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