Texto e Fotografias de Mônica Yamagawa


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Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, 1978

FONTE DA IMAGEM: BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984.

 

Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade

Leonardo Arroyo
José Olympio
1954

Em Memória e tempo das igrejas de São Paulo, os desenhos de Diana Dorothèa Danon captam todo o valor artístico desses espaços sagrados. Com extrema sensibilidade, a autora registra construções que datam do século XVI ao XX. São dezenas de construções contempladas em mais de 50 desenhos de importante valor documental e artístico. Já os textos de Leonardo Arroyo são uma verdadeira viagem pela história dessas igrejas e relatam fatos pitorescos ligados aos costumes da época...[+]

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BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984.BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO

São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos
EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A
SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento
1984

 

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CENTRO DE SÃO PAULO

IGREJA DE NOSSA

SENHORA DA BOA MORTE

rua do carmo, 202
rua tabatinguera, 285/317

atualizado em: 10 de fevereiro de 2017

 

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Consta em uma certidão emitida pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, que os homens pardos, livres e escravos, possuíam em 1724, uma Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, no Convento do Carmo. Porém, em "BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO", consta que o pesquisador Nuno Santana, ao transcrever um documento de 1873, encontrou a informação de que a irmandade foi criada em 1728 (quatro anos depois do documento mencionado), no mesmo Convento do Carmo.

Em outras pesquisas (década de 1950), Leonardo Arroyo, com base nos registros sobre as devassas ordenadas contra os jesuítas em 1768, menciona que a irmandade foi criada no Pátio do Colégio, na Igreja dos Jesuítas, :

"dia 27 de agosto comparecia à secretaria do governo o cônego João Rodrigues Paes, que se declarou 'Irmão da Confraria ou Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, erecta na Igreja deste Collégio'."

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.259.]

Porém, com base na certidão mencionada no início do texto, uma das possibilidades é que naquele período (1768) a irmandade estava organizada na Igreja do Collégio, mas, isso não signfica que fora criada no local.

A Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte admitia pessoas de todas as classes sociais, sem distinção, aqui estão alguns exemplos:

Uma das finalidades da Irmandade era a adoração do Santíssimo Sacramento e o regimento dessa adoração foi estabelecido na Bahia, em 1693. Um exemplar desse regimento foi enviado para São Paulo: todos os membros recebiam um pequeno papel, com o dia, o mês e a hora em que cada um devia estar em oração, para manter a "adoração perpétua do Santíssimo".

"A técnica se revestia de certo mistério que agradava a todos os membros da confraria, mas que, com a expulsão dos jesuítas, provocou (...) muita dor de cabeça aos irmãos, porque as autoridades paulistas implicaram com o papelinho distribuído em segredo pela direção da Irmandade."

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.259.]

"Nos autos das davassas ordenadas contra os jesuítas em São Paulo, em 1768, surge a declaração de que aquela irmandade se encontrava sediada então na igreja da Companhia, de onde retornaria ao Carmo aí permanecendo até a conclusão de sua própria igreja, erigida em terreno adquirido em 1802 e situado na Rua do Carmo junto à rua que levava ao Tabatinguera."

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p171.]

O terreno mencionado na Rua do Carmo, foi adquirido no dia 24 de julho de 1802, comprado de Joaquim de Sousa Ferreira, pelo valor de 112$000,

"terreno esse 'a partir das casas do falecido Salvador Gonçalves Lessa, fazendo canto para a rua que vinha do quartelamento de Voluntários para o Tabatinguera'"

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.261.]

A cerimônia de benção do novo templo aconteceu em 14 de agosto de 1810, sendo a igreja inaugurada no dia 25 do mesmo mês, com a procissão de translado para a igreja das imagens que estavam guardadas no Convento do Carmo.

Na época, por estar localizada no Outeiro de Tabatinguera, na entrada dos Caminhos de Santos e Rio de Janeiro, era considerada a igreja das boas notícias, pois, de sua torre era possível avistar a chegada dos presidentes da província, dos bispos, que eram anunciados pelos seus sinos, quando estes entravam na cidade para assumirem seus cargos e,

"os demais sinos respondiam, o da Sé, o do Carmo, o de São Gonçalo, o de Santa Ifigênia, o dos Remédios, o da Ordem Terceira do Carmo, o de São Francsico, todos eles elevando para p céu a batida dos bronzes, a satisfação do povo pela chegada de tão altos personagens."

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.262.]

Entre 1810 e 1870, a igreja ganhou uma nova sacristia e janelas em seus fronstispício. Em 18 de setembro de 1871, a irmandade começou a remodelação da torre e a construção de uma nova fachada, obras que se arrastariam por anos. Em 22 de novembro de 1873, no registro das obras realizadas, constam os valores utilizados até a data mencionada: Rs. 14:635$490.

Em "A Cidade de São Paulo em 1900", Alfredo Moreira Pinto assim descreveu a Igreja de Nossa Senhoa da Boa Morte:

"Tem cinco janellas de frente, a torre à direita, a porta principal e duas lateraes.
O seu interior não tem ornamentação digna de menção.
Possue a capella-môr com seis tribunas, e um altar com Senhora da Boa Morte.
No corpo da egreja ha seis tribunas, dous pulpitos e dous altares, da Senhora da Piedade e N.S. da Conceição.

[PINTO, Alfredo Moreira. A cidade de São Paulo em 1900. Coleção Paulística. Volume XIV. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo, 1979.]

Na década de 1950, Leonardo Arroyo acrescenta que:

"o orago atualmente é Nossa Senhora da Assunção e o templo é sede da paróquia da Sé"

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.263.]

Entre 1927 e 1928 a igreja providenciou obras para a conservação de suas pinturas e da douração de suas talhas (algumas com características do rococó tardio outras de inspirações neoclássicas). E entre os anos de 1970 e 1974 outras reformas foram realizadas no templo.

Destacam-se na decoração interna, a imagem do Senhor Bom Jesus (proveniente da igreja jesuíta, que desabou em 1896) e o busto relicário de Santa Úrsula (aparentemente do século XVII).

Em 1954, Leonardo Arroyo, assim a descreveu, comparando-a com todas as mudanças urbanas ocorridas em seu entorno:

"A igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, porém, parece ignorar tudo isso. Está lá no seu canto, envelhecendo tranquilamente, querendo atingir seu século e meio de vida, vida, diga-se de passagem, pautada num ritmo sossegado. Se há um templo em São Paulo a que se pode atribuir aquele adjetivo tão bem posto às igrejas da Bahia - o de gordas - é o de Nossa Senhora da Boa Morte. Esta é uma igreja gorda, pesada, ronceirona, dir-se-ia ter criado banhas e por isso adotado ademanes de matrona que não gosta de se mexer do lugar. E por isso mesmo lá ficou na sua humildade comovente. Tão simples e reta, tão pura e sem lances dramáticos"

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.257-258.]

 

Dados técnicos da edificação

Número de pavimentos: dois na igreja e um, mais porão, no salão de festas.

Técnica construtiva: taipa de pilão, alvenaria de tijolos, alvenaria de pedras.

 

Alguns membros da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte

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