Texto e Fotografias de Mônica Yamagawa


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Largo do Capim, 1862/1863 (Largo de São Francisco)
Igreja de São Francisco de Assis da Venerável Ordem dos Frades Menores e Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitenciária

Fotografia de Militão Augusto de Azevedo

 

Largo de São Francisco, 1862

Fotografia de Militão Augusto de Azevedo

 

Igreja de São Francisco e a Academia de Direito, 1862 / 1863
Os futuros bacharéis em frente a faculdade

Fotografia de Militão Augusto de Azevedo

 

Largo de São Francisco, c.1874

Fotografia de Militão Augusto de Azevedo

 

Faculdade de Direito, 1887 (restaurada em 1884)

Fotografia de Militão Augusto de Azevedo

 

BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984.BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO

São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos
EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A
SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento
1984

 

Edição usada disponível na Estante Virtual

 


Militão Augusto de Azevedo

Militão Augusto de Azevedo

Cosac & Naify
2012

Pioneiro da fotografia urbana, Militão Augusto de Azevedo (1837-1905) foi o primeiro a organizar um álbum comparativo da cidade de São Paulo (1862- 87). A estrutura editorial, inédita no Brasil na época, é reproduzida em menor escala nesta edição.Além de um ensaio fotográfico com imagens do álbum e muitas outras (comentadas), a edição traz três mapas comparativos que demarcam os locais fotografados por Militão em três tempos(1862, 1887 e 2012), uma lista das mudanças nominais dos logradouros e bibliografia. O livro traz textos que contextualizam a produção de Militão e a relevância de seu trabalho para a preservação da memória da cidade. O ensaio do pesquisador e crítico de fotografia Rubens Fernandes Junior foca a trajetória de Militão, sua repercussão e alguns aspectos técnicos de seu trabalho; Fraya Frehse, professora do departamento de sociologia da usp, observa a persistência de traços “caipiras” na metrópole em formação; e Heloisa Barbuy, professora de história na usp, analisa as mudanças na vida comercial da cidade a partir das imagens comparativas...[+]

 


Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade

Leonardo Arroyo
José Olympio
1954

Em Memória e tempo das igrejas de São Paulo, os desenhos de Diana Dorothèa Danon captam todo o valor artístico desses espaços sagrados. Com extrema sensibilidade, a autora registra construções que datam do século XVI ao XX. São dezenas de construções contempladas em mais de 50 desenhos de importante valor documental e artístico. Já os textos de Leonardo Arroyo são uma verdadeira viagem pela história dessas igrejas e relatam fatos pitorescos ligados aos costumes da época...[+]

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Patrimônio da metrópole paulistana

Margarida Cintra Gordinho
Iatã Cannabrava
Terceiro Nome
2010

Este livro apresenta, com fotos e textos, os bens tombados pelo Condephaat na cidade de São Paulo e em sua região metropolitana. Com ele, procuramos contribuir para amplir a possibilidade desses bens serem conhecidos, admirados e preservados, mantendo vivas as memórias e histórias que ajudam a construir nosso futuro...[+]

 


História da Cidade de São Paulo Através de Suas Ruas

Antônio Ridrigues Porto
Carthago
1996

A finalidade principal desta obra é divulgar fatos da história da cidade de São Paulo, através de uma síntese da vida paulistana em período superior a quatro séculos, chegando até os dias atuais. O autor retrata os costumes do povo, a sua religiosidade e os grandes acontecimentos locais. Tudo isso através da história dos logradouros públicos da cidade...[+]

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Memória e Tempo das Igrejas de São Paulo

Leonardo Arroyo e Dina Dorothea Danon
IBEP Nacional
2010

Em 'Memória e tempo das igrejas de São Paulo', os desenhos de Diana Dorothèa Danon buscam captar todo o valor artístico de espaços sagrados. Com sensibilidade, a autora registra construções que datam do século XVI ao XX. São dezenas de construções contempladas em mais de 50 desenhos de valor documental e artístico. Já os textos de Leonardo Arroyo são uma verdadeira viagem pela história dessas igrejas e relatam fatos pitorescos ligados aos costumes da época...[+]

 


MILITAO AUGUSTO DE AZEVEDO

Pedro Correa do Lago
Capivara
2001

Este livro reúne a totalidade das fotografias de São Paulo produzidas por Militão Augusto de Azevedo na década de 1860. A pesquisa foi conduzida por Pedro Corrêa do Lago que analisou as primeiras imagens da cidade de São Paulo nos primórdios da fotografia no Brasil...[+] 

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CENTRO DE SÃO PAULO

IGREJAS DO

LARGO DE SÃO FRANCISCO

Igreja de São Francisco de Assis da Venerável Ordem dos Frades Menores

Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitenciária

largo de são francisco, 133 e 173

atualizado em: 17 de fevereiro de 2017

 

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Convento e Igreja: a arquitetura

Segundo o guia BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO, o conjunto possui dois pavimentos e a técnica construtiva é descrita como "taipa de pilão e embasamento de pedra".

Os frades receberam da Câmara de São Paulo o terreno para a construção da igreja em dezembro de 1642. Cerca de cinco anos depois, em 1647, foi inaugurado o Convento de São Francisco e São Domingos. Apesar de não existir registros iconográficos da época, é provável que a construção original do conjunto religioso era similar as de Pernambuco, registradas po Frans Post:

"Igreja arrematada por empena triangular ao lado do convento com pequenas e poucas janelas."

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.163.]

Em 1676, foi fundada a capela da Ordem Terceira na igreja franciscana:

"Como de hábito, ela se comunicava com a nave principal da igreja conventual por um grande arco, ficando em posição ortogonal ao corpo da igreja pela lado da Epístola."

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.163.]

Desde 1694 foram realizadas várias alterações na edificação e em 1783, o espaço foi ampliado, tornando a igreja independente do convento. Para a realização dessa ampliação, os frades franciscanos doaram o terreno necessário, porém, estipularam algumas condições para o acordo, relacionadas com as características arquitetônicas da nova igreja:

"terá fachada contígua à da igreja conventual, de modo a deixar transparecer a dependência espiritual daquela em relação à igreja dos frades."

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.164.]

Para a construção da Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitenciária, ao invés de demolir a antiga capela octagonal, optaram por transformá-la em transepto. Em paralelo ao corpo da Igreja de São Francisco de Assis da Venerável Ordem dos Frades Menores, foi construída a capela-mor ao fundo e para frente, a nave, com direta comunicação com o adro. O antigo retábulo foi mantido, transformando-o em parte de uma pequena capela localizada dentro do transepto.

No início da década de 1790, ambas as igrejas exibiam novos frontispícios, pois os frades optaram por remodelar, também, a sua igreja:

"A igreja conventual ganhou a galilé, dependência arcaica mantida por tradição pelos franciscanos, e uma sineira. Aliás, a atitude de não ser valorizar plasticamente os campanários, recuando-os da fachada, ou de se adotar simples sineiras, parece ser também um arcaísmo, herdado da arquitetura medieval das ordens medicantes, onde por austeridade os sinos estavam proibidos."

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.164.]

Em 1934, a área onde estão as igrejas, sofreu remodelações: o terreno foi alterado para reduzir a íngreme escarpa do Vale do Anhangabaú, com isso os templos ganharam degraus e um muro de arrimo, para permitir o acesso às igrejas.

Sobre a parte interna das igrejas, na década de 1980:

"o de São Francisco encontra-se mais prejudicado, pelas reformas sucessivas e pelo antigo incêndio que consumiu o retábulo principal. O que lá existe foi encomendado na Alemanha pelos lentes da Faculdade de Direito, em auxílio à Irmandade de São Beneditino, então responsável pela igreja. É uma revivescência historicista do rococó germânico que não destoa da talha restante rococó, recentemente pintada de azul, merece também menção a pintra do forro abobadado que recobre a nave. Quanto à igreja dos terceiros, está bastante conservada, exibindo retábulos laterais que, como toda talha restante, são rococós e estão sendo também redourados e pintados de azul, no lugar do branco tradicional. A capela do transepto da Nossa Senhora da Conceição abriga o primitivo retábulo principal joanino, entalhado entre 1736 e 1740. A cúpula octagonal ostenta pinturas dos fins do século XVIII, sendo que dois painéis foram substituídos por clarabóias. Distribuem-se ppor toda a igreja e outras dependências inúmeras telas do século XVIII, executadas para a primeira capela e para a igreja atual."

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.164.]

 

Santo Antônio & São Francisco em São Paulo

"É curioso observar que a fundação do Convento de São Francisco em 1642 não recebeu esse nome que conserva até hoje e é por ele conhecido. A primeira fundação, segundo Azevedo Marques, fora feita com o nome de Santo Antonio do Brasil. O nome de São Francisco parece datar de 1644. Comum é o encontro de referências a 'Santo Antonio o velho' em contraosição a 'São Francisco o novo'. No inventário de Manuel Chaves, de 1646, consta 'uma morada de casas que tem nesta villa em que vive junto a Santo Antonio o velho'. Pedroso de Barros, de 1658, vamos encontrar umas 'casas que tem nesta villa em que vive na rua Direira de Santo Antonio o velho'. E no inventario de Janueario Ribeiro, de 1654, apensa aos autos, figura uma notificação em que se lê 'rua de São Francisco o novo'. E isso explica a profunda devoção que nela tem o Santo Antonio, procurado por homens e mulheres, principalmente mulheres, não na sua igreja da Praça do Patriarca, como seria mais consentãneo, mas, na de São Francisco, cujo prestígio nasceu na humilde ermida."

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.51.]

 

O Santo Antônio de São Francisco
terça-feira: os rapazes na porta da igreja

"Às terças-feiras, então, o movimento dos devotos é muito maior, pois se trata do dia consagrado a Santo Antonio, que lá tem um altar bem cuidado e disputado pelas moças, pelas meninas casadoiras. Essas meninas, isso é comum, deixam os namorados à porta de São Francisco, enquanto diante do Santo Antonio fazem suas preces casamenteiras. Não entram juntos na igreja, porque isso seria mau agouro, na sua crença. Daria briga. Por isso, nessas mesmas terças-feiras, é comum a frente da igreja encher-se de rapazes, principalmente à noite. (...) É curioso porque o ilustre Santo Antonio tem a sua igreja alí na Praça do Patriarca, e nem por isso deixa de ser cortejado na igreja de São Francisco. (...) O que as moças sabem é que Santo Antonio atende melhor em São Francisco, nesses casos de casamentos e de brigas de namorados, do que no seu templo oficial."

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.159.]

 

Os franciscanos do Centro de São Paulo

Frei Diogo e seus milagres

Segundo Leonardo Arroyo, já na década de 1580, haviam integrantes da ordem franciscana em São Paulo. Em suas pesquisas sobre as igrejas da cidade, ele relata um episódio, ocorrido em 1583, quando Frei Diogo encontrou um soldado espanhol blasfemando contra religiosos, nas proximidas do atual Convento da Luz. O frade advertiu o soldado que não gostou da reprimenda e no dia seguinte, ao esbarrar, novamente com o religioso, apunhalou e matou Frei Diogo. O frei foi sepultado pelos jesuítas na Igreja do Colégio (Pátio do Colégio) e por décadas, o nome do franciscano ainda estava presente na memória da população de São Paulo, pois, a ele foram creditados milagres e curas. No século seguinte, em 1639, Frei Manuel de Santa Maria, ao saber do frei "milagroso" procurou por sua sepultura, porém, sem sucesso, pois, todos os sepultados na Igreja do Colégio tiveram seus corpos transladados e re-sepultados em uma única cova, quando da construção de uma nova edificação erguidas para os jesuítas.

 

A sopa do Frei José, o Santinho

"(...) José de Santo Antonio (...) irmão e depois frei José, o Satinho, a quem até a Câmara da cidade manisfetsva seus interesse. Em 1660 o povo e os oficiais do Senado chegaram a procurar impedir a partida de frei José para Olinda. No convento de São Paulo, (...) desempenhou frei José o ofício de porteiro. Seus prediletos era os pobres com quem repartia seus alimentos. No caso de não ter o que dividir com os mendigos consolava-os com boas palavras. Daí nasceu a sopa dos pobres, que ainda continua a ser distribuída pelo convento. Tal o prestígiio de frei José que a Cãmara, por ocasião de sua partida às ocultas, rumou para Santos, com o objetivo de trazê-lo de volta. Era tarde, porém. O navio de frei José havia partido, levando-o para Olinda."

[ARROYO, Leonardo, DANON, Diana Dorothèa. Memórias e Tempo das Igrejas de São Paulo. São Paulo: Editora Nacional / EDUSP, 1971, p.12].

Quando doente, ao receber um prato de comida melhor do que o dos dias normais, para ajudar em sua recuperação, Frei Santinho, suplicava para que dessem o seu alimento para os mais pobres que ele.

 

A construção do convento franciscano
no Centro de São Paulo

Em 28 de novembro de 1624, Felipe III concedeu o alvará para que os franciscanos fundassem seus conventos na Bahia e em São Paulo. Na década seguinte, os franciscanos chegam ao Brasil e começam a busca por um local para erguer seu convento. Em São Paulo, o grupo de frades chegou em 5 de janeiro de 1640 e, passaram a residir, temporariamente na ermida de Santo Antonio:

"A contribuição do povo da Vila para a construção da casa dos franciscanos foi em gêneros os quais o custódio frei Manuel de Santa Maria transformou em 'ornamentos, cálices, livros, ferro, burel, pano de linho e outras miudezas', ele mesmo conduzindo essas coisas para São Paulo quando para cá veio pela segunda vez e onde já se achavam aqueles primeiros sete religiosos da ordem, recolhidos à ermida de Santo Antonio."

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.160.]

Os sete religiosos mencionados acima eram: os freis Francisco dos Santos, Manuel Martires, Salvador do Nascimento, Pedro da Piedade, João da Luz e os irmãos leigos Simão do Salvador e José de Santo Antonio. Junto com o custódio frei Manuel de Santa Maria ergueram a primeira casa franciscana na Praça Patriarca. Com a cooperação da população de São Paulo, a obra começou em 17 de abril e em 12 de junho já estava apta para habitação.

Em 1642, frei Francisco das Neves chegou ao Brasil para substituir frei Manuel de Santa Maria. Ao chegar em São Paulo, encontrou seus irmãos franciscanos na Praça do Patriarca e, examinando a situação, decidiu por determinar a mudança de endereço, baseado nos problemas com falta de água e nos ventos fortes que atingiam o local.

Ainda em 1642, na sessão do dia 24 de dezembro, a Câmara

"passava uma carta de data de chão aos frades da Custódia de Santo Antônio. Nessa carta lê-se que 'nossos Antecessores lhes haviam dado um sítio para edificarem seu mosteiro, e porque o dito sítio é falto de agua, e mui sujeito à inclemencia do tempo, por ser lugar alto, e desabrigado', pediam outro terreno , 'mais para baixo do dito sitio para a banda do rio Anhengobá está outro capaz, e acomodado, nos pediam lhe dessemos oitenta braças de chãos de comprimento começando da ponta das casas de Pedro Leme do Prado, ficando rua em meio, e setenta braças de largo na cháa (?) de cima, e para o corrego que houver até o canto do muro do sitio de Domingos Coutinho, e dai cortando para a pedreira até se meter no olho da agua, que perto dela está."

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.163.]

O novo convento foi inaugurado no dia 17 de setembro de 1647, no dia das Festas de Chagas de São Francisco, com o título de Convento de São Francisco e São Domingos. Segundo, Leonardo Arroyo, apesar do conjunto ser, oficialmente, inaugurado em 1647, há outras informações que indicam que a igreja foi concluída já em 1643, pois

"no inventário de Manuel João Branco, de 1643, há uma passagem elucidativa nesse sentido, quando se especifica a exist~encia de 'dez braças de chão que estão pegados á igreja nova que fez de São Francisco em dez mil réis digo avaliados em dez mil réis'."

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.163-164.]

Em 1648, foi registrado o primeiro sepultamento na igreja de São Francisco, a de Pedro Fernandes. Em 1691, há o registro no inventário de Joana Lopes, dispondo que seu corpo fosse enterrado no Convento de São Francisco, na Capela da Venerável Ordem Terceira.

Nessa época (século XVII), não existia o espaço que hoje conhecemos como Largo de São Francisco. A área em frente ao convento era o terreno de plantio dos fraciscanos, com horta e pomar; em frente à igreja, um pequeno largo conhecido como "Adro de São Francisco", posteriormente chamado de "largo do Capim" e depois, 'Largo do Ouvidor". Havia também, em frente a igreja, uma cruz de pedra que peermaneceu no local até 1870.

Apesar de histórias como a do Frei Santinho, os frades seguiam, por assim dizer, os costumes da época, e

"possuíam os seus escravos, as sua senzalas ao lado do convento, que trabalhavam em atividades agrícolas. Na sessão de 2 de maio de 1733 se 'pasou hum rol dos moradores das casas contiguas as sanzalas dos Reverendos Padres de Sam Francisco, desta cidade'."

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.165.]

Em 11 de junho de 1776, os franciscanos obtiveram um alvará que autorizava a criação de uma escola no local, com oito disciplinas (oito cadeiras): retórica, hebraico, grego, filosofia, história eclesiástica, teologia dogmática, teologia moral e teologia exegética. A existência desses cursos talvez expliquem porque o convento foi escolhido para sediar, anos depois, o curso jurídico (1828), em detrimento dos outros conventos existentes na cidade.

Ao final do século XVIII, os franciscanos gozavam de prestígio na cidade, um exemplo da importância do grupo, aconteceu em 27 de maio de 1797, quando o Bispo Mateus de Abreu Pereira fez sua entrada solene a partir do convento.

Em 1828, o convento cedeu seus aposentos para a Academia de Direito e durante o processo de desapropriação, os frades que ali moravam foram "distribuídos" para outros conventos. Além do espaço para as salas de aula, a biblioteca dos frades, com cerca de 5 mil volumes, também foi cedida para o curso jurídico. Com o espaço ocupado pelos bacharéis, a administração da Igreja de São Francisco passou para o grupo da Ordem Terceira de São Francisco, e com ela permaneceu até 1858. O governou tentou desapropriar a igreja, em 1910, porém, sem sucesso.

Em sua passagem por São Paulo, Daniel P. Kidder ficou impressionado com a Capela da Ordem Terceira da Penitência de São Francisco (Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco), com suas imagens e pinturas coloridas, trabalhos realizados por Luís Rodrigues Lisboa e José Patrício.

A Irmandade de São Beneditino tomou posse da igreja em 1858 e depôs a imagem de São Francisco do altar, trocando-o pela de São Benedito. O novo grupo não agradou os professores e alunos do curso jurídico que em seguida fundaram a Irmandade de São Francisco, com o objetivo de trazer os franciscanos de volta para a administração da igreja. Sob a chefia de Frei Estanislau Pinez, os franciscanos retomaram sua igreja, seu santo retomou seu lugar no altar - segundo Leonardo Arroyo, para que isso acontecesse, foi necessário recorrer na justiça contra a Irmandade de São Benedito.

Um incêndio, em 1870, destruiu o altar-mor e gráças aos lentes da Academia de Direito que arrecadaram doações, foi possível importar da Alemanha, um novo altar-mor, sagrado por Dom Lino Deodato em 1880.

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