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Recolhimento da Luz.
Fotografia de Militão Augusto de Azevedo, 1862

 

 

DADOS TÉCNICOS DA EDIFICAÇÃO

Número de pavimentos: dois.

Técnica construtiva: taipa de pilão, de mão, e alvenaria de tijolos.

 

FONTE DA IMAGEM: Condephaat

 

TOMBAMENTO DO CONDEPHAAT

Tombamento da edificação:

Tombamento do acervo do Museu de Arte Sacra:

"Em 1918, D. Duarte Leopoldo e Silva reuniu oas objetos sacros da Arquidiocese de São Paulo e os acondicionou no extinto Museu de Arte Sacra da Cúria Metropolitana, onde permaneceram até 1970. Este acervo, com peças  dos séculos 17 e 18, considerado um dos mais completos do país, compõe-se de aproximadamente 1.500 unidades, recolhidas da Arquidiocese de São Paulo, de doações particulares e de aquisições efetuadas pelo Conselho Estadual de Cultura. O governo do Estado, mediante convênio, restaurou, em 1970, o Recolhimento da Luz adaptando-o para abrigar o acervo do Museu de Arte Sacra. A ilustração refere-se à imagem de Nossa Senhora das Dores, de madeira policromada, com 83 cm de altura, do século XVIII, de autoria de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, originária de Minas Gerais."

 

 

TOMBAMENTO DO CONPRESP

Resolução no . 05/91: Por decisão unânime dos Conselheiros presentes à reunião realizada aos cinco dias do mês de abril de 1991, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo - CONPRESP, resolve, nos termos e para os fins da Lei no 10.032/85, com as alterações introduzidas pela Lei n o 10.236/86, tombar "ex-officio" os bens abaixo descriminados:

(...)

24) Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz - Avenida Tiradentes, 676 - Luz...[+]

 

 

Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade

Leonardo Arroyo
José Olympio
1954

Em Memória e tempo das igrejas de São Paulo, os desenhos de Diana Dorothèa Danon captam todo o valor artístico desses espaços sagrados. Com extrema sensibilidade, a autora registra construções que datam do século XVI ao XX. São dezenas de construções contempladas em mais de 50 desenhos de importante valor documental e artístico. Já os textos de Leonardo Arroyo são uma verdadeira viagem pela história dessas igrejas e relatam fatos pitorescos ligados aos costumes da época...[+]

Edição usada disponível na Estante Virtual

 

BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO

São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos
EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A
SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento
1984

Edição usada disponível na Estante Virtual

 

Memória e Tempo das Igrejas de São Paulo

Leonardo Arroyo e Dina Dorothea Danon
IBEP Nacional
2010

Em 'Memória e tempo das igrejas de São Paulo', os desenhos de Diana Dorothèa Danon buscam captar todo o valor artístico de espaços sagrados. Com sensibilidade, a autora registra construções que datam do século XVI ao XX. São dezenas de construções contempladas em mais de 50 desenhos de valor documental e artístico. Já os textos de Leonardo Arroyo são uma verdadeira viagem pela história dessas igrejas e relatam fatos pitorescos ligados aos costumes da época...[+]

 

Patrimônio Cultural Paulista
CONDEPHAAT
Bens Tombados
1968 - 1998

Edna Hiroe Miguita Kamide
Terza Cristina Rodrigues Epitácio Pereira
Imesp
1998

Informações sobre os bens tombados pelo CONDEPHAAT até o ano de 1998

Edição usada disponível na Estante Virtual

 

Patrimônio da metrópole paulistana

Margarida Cintra Gordinho
Iatã Cannabrava
Terceiro Nome
2010

Este livro apresenta, com fotos e textos, os bens tombados pelo Condephaat na cidade de São Paulo e em sua região metropolitana. Com ele, procuramos contribuir para amplir a possibilidade desses bens serem conhecidos, admirados e preservados, mantendo vivas as memórias e histórias que ajudam a construir nosso futuro...[+]

 

CENTRO DE SÃO PAULO

MUSEU DE ARTE SACRA

Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz
Igreja de Nossa Senhora da Luz
avenida tiradentes, 676 e 688

atualizado em: 16 de agosto de 2017

 

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Na década de 1980, a Secretaria do Estado patrocinou as obras de conservação e restauração do conjunto (cobertura, fachadas principais e o interior da parte mais antiga do mosteiro). Porém, a adoção de um sistema elétrico para a movimentação dos sinos removeu os contrapesos originais, prejudicando as características originais da fachada.

 

Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz
Igreja de Nossa Senhora da Luz
FONTE DA IMAGEM: BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984.

 

Nossa Senhora da Luz em Guarepe

"Domingos Luiz estava acabando a igreja. Já lhe dissemos missa nella cõ mta festa", escreveu, Anchieta para o Capitão Jeronimo Leitão, em carta datada do dia 15 de novembro de 1579, registrando assim, a construção da Igreja de Nossa Senhora da Luz.

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.23.]

Domingos Luis e sua esposa Ana Camacho fundaram a primeira Igreja de Nossa Senhora da Luz, em 1579, na área hoje conhecida como Bairro do Ipiranga, onde Domingos Luíz, "O Carvoeiro" possuía terras. Ele era assim chamado - Carvoeiro -, por ser natural de Carvoeira, localizada na povoação de Torres Vedras, Portugal.

A mudança da igreja para a área do Guaré (ou Guarepe), atual Bairro da Luz, foi realizada, provavelmente, por volta da década de 1580 - o casal mudou sua residência para a região do atual Mosteiro da Luz. Sobre a data da mudança e construção do templo religioso, Leonardo Arroyo em suas pesquisas destaca algumas incoerências registradas por vários estudiosos sobre a história de São Paulo:

"Em que data se realizou essa mudança, que se fez juntamente com a igreja, não se pode afirmar com segurança por falta de um documento definitivo. O ano de 1603, aceito por Azevedo Marques, Silva Leme, Antonio Egidio Martins, Alcântara Machado e Nuto Santana, para citar os mais importantes, não corresponde absolutamente à verdade das provas circunstanciais. Afonso de E. Taunay revelou-se mais cauteloso nessa questão, cautela aliás que não pôde impedir-lhe o lapso que os demais estudiosos da nossa história vinham cometendo. Afirmou o respeitável mestre da história de São Paulo que Domingos Luiz, mudando-se em 1603 para o bairro do Guarepe 'fundou outra ermida a que doou patrimônio a 1o. de maio do mesmo anno', o que também não deixa de mostrar engano. Por outro lado, a carta de doação é de 10 de abril de 1603. Essa data fixa exatamente a doação de patrimônio não a de construção da igreja, ou mudança do Ipiranga para o Guaré. Entre as provas circunstanciais que podemos aduzir para demonstrar que essa data não corresponde à da fundação da igreja de Domingos Luiz no Guaré, ou Luz, está o histórico episódio narrado por Jaboatão. Aí, nas imediações da ermida da Luz foi um franciscano assassinado por um militar espanhol. Era frei Diogo que pagou com a morte a insolência de apenas ter pedido uma esmola ao soldado. O frade exercia o ministério de capelão da esquadra de Diogo Flores Valdez, que tocara em São Vicente no seu regresso para Europa. Jaboatão fala na ermida da Luz e a data é de 1583!"

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.24-25.]

Leonardo Arroyo em suas pesquisas ainda destaca que talvez, a fonte mais correta sobre as datas da construção da Igreja de Nossa Senhora da Luz, seja a do Monsenhor Paulo Florencio de Camargo, que descreve 1579, como o ano de inaguração do templo; 1580, como o ano de registro da escritura e 1603, como a da transferência (doação):

" 'O dito Domingos Luiz e sua mulher Anna Camacho, e por elles ambos e cada um per si foi dito que os annos atraz passados, tempo, dia e mez que na verdade se achar, elles ambos fizeram uma escriptura de doação á casa de Nossa Senhora da Luz, que fiseram em Piranga', reza o início da escritura do 'publico tabellião'."

[ARROYO, Leonardo. Igrejas de São Paulo: introdução ao estudo dos templos mais característicos de São Paulo nas suas relações com a crônica da cidade. Rio de Janeiro: José Olympio, 1954, p.26.]

A doação impôs algumas condições, entre elas a de que seus descendentes seriam os responsáveis pelos cuidados da ermida, confirmando em testamento de 1609, que o casal elegeu o filho Antônio Lourenço, para administrar o templo.

Após a administração de Domingos Luiz e seu filho Antonio Lourenço, alguns ermitões que cuidaram da ermida foram: Manuel de Atouguia, Antônio João, João de Almeida.

Não há documentos com informações, descrições sobre a edificação da Ermida de Nossa Senhora da Luz do século XVI e início do século XVII. Leonardo Arroyo supõe que não era uma grande construção, com base nas limitações das possibilidades de construção com taipa de pilão, porém, com base das muitas doações deixadas em testamentos, imagina a ermida como um espaço rico e colorido.

 

O Recolhimento da Luz

Helena Maria do Sacramento, um religiosa do Recolhimento de Santa Tereza, obteve a autorização do governador para a criação de um novo mosteiro em São Paulo. Morgado de Mateus, além da autorização, ofereceu, para o estabelecimento do mosteiro, a Capela de Nossa Senhora da Luz, uma antiga ermida que, provavelmente, foi construída ao fim do século XVI, na área do Guaré.

"Depois de uma série de exigências quanto ao orago e às práticas religiosas que deveriam ser ali observadas - todas elas ligadas à Casa de Mateus - o governador providenciou acomodações para as freiras, inaugurando o novo recolhimento em fevereiro de 1774. Foram entregues na ocasião as chaves ao Frei Antônio de Santana Galvão."

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.165-166.]

O mosteiro foi inaugurado sem forro e sem assoalho. Frei Galvão passou os 48 anos seguintes trabalhando na busca de recursos para a reconstrução da edificação e na época de sua morte (1822), o mosteiro estava quase concluído. Remodelações pequenas foram feitas pelos seus sucessores e somente no começo do século XX o edifício foi ampliado, com o patrocínio do Conde Prates.

Com base nos desenhos do começo do século XIX, o mosteiro da época,

"resumia-se a quadro alas em quadra e, curisamente, possuía dois frontispícios - admitidos como contemporâneos - um olhando para a cidade, na época o principal, e outro deitando para o Caminho do Guaré, hoje, Avenida Tiradentes. Os dois frontispícios eram arrematados por frontões triangulares (na verdade, o lateral sobre a galilé da capela era, a rigor, uma empena) e é possível que Frei Galvão tivesse ido buscar inspiração para eles na arquitetura protoneoclássica trazida a São Paulo pelos oficiais-engenheiros, no final do século XVIII. (...) De qualquer modo, as janelas do mosteiro sempre teriam tido os arcos abatidos de gosto barroco."

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.166.]

Com a morte de Frei Galvão, o projeto de seu sucessor Frei Lucas José da Purificação parece ter se inspirado na Igreja de São Francisco de Assis da Venerável Ordem dos Frades Menores (Ordem Primeira),

"para construir a sineira que substituiria as duas torres previstas no projeto original, tal como parece demonstrar o esgrafito ainda existente numa das paredes da antiga cela de Frei Galvão. Anos depois, o outro frontão triangular subsistente sofreria uma reconstrução que adotaria ironicamente as consagradas curvas barrocas em substituição às despojadas formas neoclássicas."

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.166.]

Comparando as fotografias de Militão, de 1860, com as observações da décadas de 1980, registradas em "BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO", as pequenas mudanças descritas são:

"o entaipamento parcial das envasaduras da nave devido ao novo forro da igreja e a recosntrução do nicho onde está a imagem da padroeira, (...) a ampliação do início do século (...) e a construção do novo porteiro do mosteiro em 1870."

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.166.]

Segundo os estudos realizados na década de 1980, para a publicação de "BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO", a parte mais antiga foi restaurada para abrigar o Museu da Cúria (atual Museu de Arte Sacra), porém, não sofreu grandes mutilações arquitetônicas, apesar do terreno atual representar apenas uma fração bem pequena da chácara original. Ainda segundo a publicação da Prefeitura Municipal,

"a adoção de sistema elétrico para movimentação dos sinos, (...) provocou a remoção de seus contrapesos originais, com bastante prejuízo da fachada."

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos, EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A e SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.165.]

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