Texto e Fotografias de Mônica Yamagawa


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São Paulo Antigo 1554-1910

Antonio Egydio Martins
Paz e Terra
2003

Antonio Egydio Martins foi responsável pela organização do Arquivo do Estado de São Paulo por 30 anos, ao longo dos quais percorreu a documentação em busca dos pormenores da história paulistana. São Paulo Antigo era o título das crônicas que passou a publicar nas páginas do Diário Popular e que caíram no gosto do público, dando origem ao livro, publicado em dois volumes em 1911 e 1912. O livro permaneceu como fonte privilegiada para se conhecer o cotidiano da cidade, tratando de seus personagens, das festas, dos costumes, dos hábitos alimentares, dos governantes, dos jornais, das lojas... São Paulo Antigo é como um baú da história paulistana, ao qual se recorre em busca da informação miúda, do detalhe, da data, dos tipos da cidade, dos pormenores perdidos no rolar do tempo...[+] 

Edição usada disponível na Estante Virtual

 


São Paulo naquele tempo: 1895 – 1915

Jorge Americano
Carrenho Editorial / Narrativa Um / Carbono 14
2004

Nesta obra, o autor registra suas lembranças de infância e juventude em crônicas que fazem recordar da São Paulo antiga de quem viveu a atmosfera de um dia qualquer entre os anos de 1895 e 1915. Editado pela primeira vez em 1957, mais do que objeto entre memorialistas, 'São Paulo Naquele Tempo'...[+]

 


PATEO DO COLLEGIO - CORAÇAO DE SAO PAULO

Hernani Donato
Loyola
2008

Ao convencerem os caciques Tibiriçá e Caiubi a mudarem suas tabas para as proximidades dos rios Anhangabaú e Tamanduateí, os jesuítas dão início à construção, em 25 de janeiro de 1554, do colégio que é o marco da fundação de São Paulo. A cidade tem assim seu início em um projeto educativo. O jornalista e historiador Hernani Donato faz um detalhado relato dos acontecimentos fundadores em 'Pateo do Collegio - Coração de São Paulo'. Discute quem são os fundadores, além de Nóbrega e Anchieta, e o processo de fundação, que se estende até 1560. Mas o autor não se limita aos primeiros anos e acompanha a história de um dos principais e mais importantes símbolos de São Paulo até 2007. 'Pateo do Collegio - Coração de São Paulo', fartamente ilustrado com imagens do acervo da própria instituição...[+]

 


CAPITAL - SAO PAULO E SEU PATRIMONIO ARQUITETONICO

Juan Esteves
Antonio Carlos Abdalla
Imesp
2013

'A Secretaria de Estado da cultura de São Paulo tem imensa satisfação em apoiar a reedição do livro 'Capital - São Paulo e seu patrimônio arquitetônico, de Juan Esteves. Com curadoria de Antonio Carlos Abdalla, o conjunto de fotografias selecionadas oferece um amplo panorama da diversidade de edifícios de distintas naturezas que marcaram a capital paulista ao longo de sua história, especialmente os últimos 100 anos. Colocado em evidência no magistral registro de Juan Esteves, o patrimônio arqutetônico paulistano pode aqui ser apreciado nos detalhes que acabam por ficar invisíveis em meio à agitação cotidiana da metrópole. Ao dar merecida visibilidade aos edifícios retratados, esta publicação ajuda a sensibilizar para a necessidade de preservação desse patrimônio, uma importantíssima e difícil tarefa, que precisava envolver toda a sociedade.' - Marcelo Mattos Araujo...[+]

 


SAO PAULO - PATIO DO COLEGIO

Terciano Torres
Globo
2004

O artista Terciano Torres tomou como ponto de partida o Pátio do Colégio, no centro de São Paulo, e reuniu, neste livro, os quatro séculos e meio da história da cidade, misturando desenhos reais (detalhes de arquitetura e apelos históricos) com uma paisagem urbana recheada com caricaturas de personagens que marcaram época. O livro traz 51 ilustrações - chamadas de cartuns postais pelo artista - com detalhes peculiares que contam a história da cidade. Aberta, a publicação exibe uma página com texto seguida de outra com ilustrações que começam em 1553 (um ano antes da fundação da cidade) para mostrar como era o lugar onde São Paulo seria construída. As ilustrações têm como cenário uma vista panorâmica de momentos do cotidiano do Pátio do Colégio, povoados pelos mais diversos personagens. Os textos explicativos que situam o contexto dos desenhos tratam de eventos importantes da política, da economia e da cultura paulistana, acontecimentos relacionados à cidade e que vão além da proximidade física com o Pátio do Colégio... [+]

 

CENTRO DE SÃO PAULO

MUSEU ANCHIETA

PÁTIO DO COLÉGIO

pátio do colégio, 2

atualizado em: 15 de dezembro de 2016

 

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O Pátio do Colégio atual é uma réplica da década de 1970, do original colonial, reconstruído com base nas fotografias de Militão Augusto de Azevedo. O projeto de reconstituição do antigo colégio começou em 1976 e a edificação foi inaugurada em 1979.

 

Fotografias de Militão Augusto de Azevedo, do então Largo do Palácio
(atual Pátio do Colégio), em 1862 e 1887.

[Clique nas imagens para ampliá-las]

 

FONTE: Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo

 

Em suas cartas, José de Anchieta descreveu o primeiro casebre que serviu de residência, escola, igreja e até mesmo "posto de saúde" (os jesuítas além de catequizarem as crianças, ofereciam serviços de tratamento de sáude), como uma

"De janeiro até o presente tempo permanecemos, algumas vezes mais de vinte, em uma pobre casinha feita de barro e paus, coberta de palhas, tendo quatorze passos de comprimento e apenas dez de largura, onde estão ao mesmo tempo a escola, a enfermaria, o dormitório, o refeitório, a cozinha, a despensa: todavia, não invejamos as espaçosas habitações que gozam em outras partes os nossos irmãos, pois N.S. Jesus Cristo se colocou em mais estreitos lugares."

[PONCIANO, Levino. Todos os centros da paulicéia. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2007, p.60.]

No local, além de residência e espaço de orações dos jesuítas, estes também catequizavam e tratavam da saúde de cerca de 130 crianças, segundo Levino Ponciano em Todos os centros da paulicéia. O mesmo autor também conta que os morados que nem sempre podiam pagar pela missa em espécie, e conta que um dos pagamentos foi feita com sete frangos.

Em 1556, a primeira igreja foi construída o local, sob o comendo do padre Afonso Brás. Não sendo possível construir a edificação em pedras, foram utilizados os materiais disponíveis na região:

"ao conjunto composto pelo Colégio e Seminário foram adicionados oito cubículos para servir de rediência aos padres, além de uma Igreja, construída com a técnica mais aprimorada da taipa de pilão (...) montavam-se formas de madeira com até um metro de largura, que eram recheadas com uma liga de barro, sangue de animal, pedrisco e ervaas encontradas ao redor, socados num pilão. Depois de seco o miolo, as tábua eram retiradas e um trecho da parede grossa estava pronto. A cada metro de altura colocavam uma viga transversal de madeira cilíndrica para dar sustentação. Enrolada numa folha de bananeira, de modo que não grudasse, era dispensada após a secagem e o orifício por ela deixado, a caboda tapada com barro. (...) Para a cobertura, trocaram o sapé pelas telhas do tipo capa e canal, feitas segundo uma técnica árabe que os portugueses aprenderam com os mouros. Os largos beirais dos telhados tinham a função de proteger as paredes externas durantes as frequentes tempestades."

[TORRES, Terciano. São Paulo Pátio do Colégio: uma história ilustrada a bico de pena. São Paulo: Globo, 2004.]

Por causa dos ataques das tribos indígenas contra a instalação dos jesuítas, por volta de 1560, uma muralha foi construído em torno da morada dos jesuítas. Segundo Terciano Torres, não se sabe quando e em que locais essa muralha foi construída, porém, pela leitura das Atas da Câmara, percebe-se que ela foi importante para a proteção dos ataques indígenas na época e altas o suficientes para dificultar a entrada no local. Terciano Torres, menciona que há registros de alguns moradores que a quebravam com picaretas para sair do local, ao invés de dar voltas para sair do local, através da abertura, da porteira "oficial". Ainda segundo o autor, até 1590, há menções sobre "remendos" feitos para corrigir falhas feitas pelos estragos humanos ou pelo tempo; porém, ao final do século XVI já não há mais menções sobre a muralha.

Na década de 1640 a construção jesuíta começa a se deteriorar, Terciano Torres explica que a maioria dos residentes moravam em sítios e chácaras, autosustentáveis, assim sendo ter moeda de troca, em espécie, era algo raro, a maioria dos negócios, salários e até taxas municipais eram pagas através de escambos, com tecidos de algodão, couro, cera, galinhas, bois. A população era pobre, enquanto os jesuítas viam os índios como almas para serem cristianizadas, os paulistas viam os índios como mão-de-obra barata, algo como um "gado humano", assim sendo, coma redução dos ataques, a escravização dos índios passou a ser vista como um negócio para o colonizador. Com pontos de vistas diferentes sobre "uso" dos índios, jesuítas e paulistas entraram em conflito, esses os últimos decidiram por expulsar os jesuítas. A construção dos jesuítas que já possúia buracos em suas paredes, permitindo a invasão, com a expulsão dos religiosos ela caiu em ruína.

Os jesuítas retornaram a São Paulo mais de uma década depois. Para marcar o retorno, os jesuítas instalaram no local os primeiros cursos de filosofia, teologia e artes, além de uma biblioteca e uma capela.

"Ergueram em 1683 uma torre de pedra que abalaria os alicerces da igreja, causando, anos mais tarde, os afundamento da fachada de taipa devido ao excesso de peso."

[TORRES, Terciano. São Paulo Pátio do Colégio: uma história ilustrada a bico de pena. São Paulo: Globo, 2004.]

Já no século XVIII, na década de 1740, o colégio foi ampliado, com uma construção perpendicular, na lateral direita (veja a foto de Militão Augusto de Azevedo, nos aprágrafos acima) que aproximava o Pátio do Colégio à Igreja do Rosário, quando esta ainda estava localizada no espaço hoje conhecido como Praça Antônio Prado.

O poder exercido pelos jesuítas gerou conflitos para as ambições do governo português e, em 1759, o Marquês de Pompal assinou um decreto expulsando os religiosos das terras portuguesas e de suas colônias pelo mundo.

Durante o governo de Morgado de Mateus (capitão-Geral D. Luís Antônio de Sousa Botelho Mourão), entre 1765 - 1775, o antigo colégio jesuíta passou a servir de Palácio do Governo: 

"o velho edifício tinha, do lado direito, uma ala perpendicular ao corpo principal, na qual funcionavam as repartições fiscais da antiga Província de São Paulo e o Correio Geral, (...) o corpo do edifício, do mesmo palácio ocupado pela presidência da província, secretaria e Assembléia Provincial."

[MARTINS, Antonio Egydio. São Paulo Antigo: 1554 – 1910. São Paulo: Paz e Terra, 2003, p.76.]

O Colégio dos Jesuítas ou Largo do Colégio, passou a ser chamado de Largo do Palácio, e além da sede do governo, o local passou a ser o centro das atividades cívicas e artísticas da cidade, em 1770, por exemplo, lá foi realizada a sessão inaugural da Academia dos Felizes.

Em 1817, chegou ao Brasil (Rio de Janeiro) a Missão Austríaca e o grupo percorreu o país por cerca de três anos, registrando em textos e imagens muitos do lugares que visitou. A expedição era composta por 15 cientistas, entre eles Carl Friedrich Von Martius (botânico), Johann Baptist Von Spix (zoólogo), Thomas Ender (artista, ilustrador). Posteriormente, entre 1823 e 1831, foram lançados em Munique "Viagem Pelo Brasil" (3 Volumes). Há registros do Pátio do Colégio elaborados por Thomas Ender.

Em 1881, durante o governo de Florêncio de Abreu, o Palácio do Governo, passou por uma grande reforma, perdendo as características estéticas coloniais, ganhando ornamentos neoclássicos e a ala referente ao palácio foi demolida e o corpo da edificação remodelado, mantendo apenas a área da igreja inalterada: 

"No sobrado, no lado direito e nos fundos, (...) os cômodos ocupados pelo presidente do Estado, e à esquerda, pelo secretário do Interior, e em baixo, ao rés do chão, funciona a respectiva secretaria e acha-se também, em uma sala, instalada a guarda de pessoa do presidente do Estado."

[MARTINS, Antonio Egydio. São Paulo Antigo: 1554 – 1910. São Paulo: Paz e Terra, 2003, p.76.]

Alterou-se também a área frontal da edificação, com uma praça arborizada conectada com o novo estilo arquitetônico da construção, incluindo uma fonte ornamental.

Com a Proclamação da Repúbllica, o Palácio passou para o domínio do Estado, porém, a Cúria Metropolitana protestou contra a decisão, recorrendo aos tribunais, solicitando a reintegração de posse da edificação. Por causa desse processo, o antigo colégio dos jesuítas permaneceu fechado e sem manutenção, deteriorando-se com os constantes temporais que atingiam São Paulo.

Na noite de 13 para 14 de março de 1896, após uma tempestade com vento forte, a fachada de taipa rachou, a estrutura de madeira desabou, derrubando a parede interna, vários altares e um canto da torre.

"Diante da catástrofe, o Governo nomeou uma comissão formada por Antônio De Toledo Pisa, Teodoro Sampaio, Luiz Gonzaga da Silva Leme e os cônegos Dr. José Valois de Castro e Ezequias Galvão da Fontoura, para recolher com vistas a futuro reaproveitamento, todos os objetos de culto e ornamentações de altares e púlpito que sobraram. O material foi então depositado no Beco denominado do Colégio ou do Pinto, situado na Rua do Carmo, entre o Palácio Episcopal e o prédio da Companhia de Gás. Os restos mortais e as lápides dos paulistas ali enterrados foram transferidos para a Igreja de São Pedro e, posteriormente, para a Igreja do Sagrado Coração de Maria, em 1899."

[TORRES, Terciano. São Paulo Pátio do Colégio: uma história ilustrada a bico de pena. São Paulo: Globo, 2004.]

No espaço antes ocupado pela igreja jesuíta foram erguidas uma nova ala e a torre ganhou uma cúpula neoclássica. A edificação passou a abrigar a reisdência oficial e todas as secretarias do governo. Porém, em 1908, a área destinada para a residência do Presidente do Estado foi demolida.

Em 1925, as grades, o coreto e a fonte foram retiradas da área frontal do Pátio do Colégio, e em 11 de junho do mesmo ano, instalado o monumento criado ppor Amadeo Zani: "Glória Imortal Aos Fundadores De São Paulo".

Em 1928, sob a direção de Victor Freire e Eugênio Guilhem, a construção do Viaduto Boa Vista alterou a paisagem, facilitando a conexão entre a Praça da Sé com o Largo de São Bento

O local abrigou a sede do governo até 1932, quando este foi transferido para o Palacete dos Campos Elíseos. O Pátio do Colégio passou a se chamar Praça João Pessoa e o ex-Palácio do Governo transformou-se na sede da Secretaria da Educação.

Na década de 1940, a emrpesa Cardim & Cardim apresentaram uma projeto para a remodelação do Pátio do Colégio. Durante a demolição do prédio em 1953, foi encontrada uma parede de taipa de pilão intacta, sobrevivente da antiga construção do Colégio dos Jesuítas.

Durante as comemorações do IV Centenário de São Paulo, foi anunciado a doação do terreno do Pátio do Colégio para a antiga Copanhia de Jesus. Dois anos depois (1956), a Campanha da Gratidão conseguiu arrecadar fundos para a reconstrução do Colégio e do Torreão da Igreja.

Na década de 1970, com a instalação do metrô em São Paulo, a reconstrução do Colégio foi interrompida, porém, o Museu Casa de Anchieta foi instalado na parte já existente. Em 1979, o monumento de Amadeo Zani retornou ao Pátio do Colégio, os postes antigos recuperados nos armazéns da COMGÁS foram implantados no espaço e uma réplica da igreja reconstruída.

Atualmente, o conjunto arquitetônico do Pátio do Colégio engloba o Museu Casa de Anchieta, o Café do Páteo e a Capela do Beato José de Anchieta guarda o fêmur e o manto do jesuíta.

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