Texto e Fotografias de Mônica Yamagawa


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BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO

São Paulo: SNM – Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos
EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A
SEMPLA – Secretaria Municipal de Planejamento
1984

 

Edição usada disponível na Estante Virtual

 


O palacete paulistano

Maria Cecília Naclerio Homem
Martins Fontes
2010

O palacete, nome que designou durante muito tempo a casa mais abastada da cidade de São Paulo, correspondendo ao termo 'mansão', serviu primeiramente de residência da elite do café que viveu na chamada belle époque paulista, na virada do século. Esse tipo de casa nasceu nos caminhos da velha Estação da Luz, para chegar à Avenida Paulista, onde se formou seu conjunto mais expressivo. Este livro apresenta a origem deste espaço e sua história...[+]

 


 

 

CENTRO DE SÃO PAULO

SOBRADO DO CORONEL

TEIXEIRA DE CARVALHO

rua florêncio de abreu, 111

atualizado em: 23 de janeiro de 2017

 

home > centro de são paulo > SOBRADO DO CORONEL TEIXEIRA DE CARVALHO

Um importante exemplar de residência urbana da alta classe paulistana da segunda metade do século XIX. Foi construída em 1884, por um "capomastro" italiano, para o Coronel Teixeira de Carvalho, um próspero comerciante da época. Durante anos, o interior foi conservado, com muitos dos móveis originais, porém, quando sua única filha faleceu, o acervo foi leiloado pelos herdeiros (1977) e os móveis dispersos.

Uma das características que destacava esse sobrado na época em que foi construído, é o fato de ser isolado em uma de sua suas laterais (não encostado na edificação vizinha, no caso, a Casa da Bóia). A casa contava com duas entradas, uma social, estreita que introduzia o visitante ao alpendre, este por sua vez, percorria a lateral da casa; e um outro portão, mais largo, era utilizado pelos criados e carros de tração animal (atualmente, esse portão é a entrada para um estacionamento).

"A casa possui um porão semi-enterrado, construído com abobadilhas de tijolos, apoiadas em perfis metálicos, solução costumeira na época, que se valia até de trilhos de estradas de ferro. Segundo D. Daniel Sutner, monge beneditino, nesse porão se alojaram escravos."

[HOMEM, Maria Cecília Naclério. O Palacete paulistano e outras formas urbanas de morar da elite cafeeira, 1867-1918. São Paulo: Martins Fontes, 1996, p.111.]

O sobrado foi um dos primeiros casarões construídos com tijolos em São Paulo. A parte assobradada compreendia os dormitórios e, segundo o parecer de Carlos A.C. Lemos, é provavél que as dependências como w.c., banheiros, toilette, tenham sido realizadas posteriormente e instaladas sobre a copa localizada no pavimento térreo e

"tornaram-se acessíveis por uma passagem sob o telhado que cobria a sala de jantar."

[HOMEM, Maria Cecília Naclério. O Palacete paulistano e outras formas urbanas de morar da elite cafeeira, 1867-1918. São Paulo: Martins Fontes, 1996, p.106.]

Quando o Senador Carlos Teixeira de Carvalho faleceu, em 1930, Dona Marieta, sua única filha, herdou o casarão e passou a viver nele. Sem filhos, para preservar o do casarão e a memória de seu pai, negociou, a venda de parte do quintal para o Mosteiro de São Bento e depois, entre as decdas 1960 e 1970 vendeu o casarão, também para os monges, residindo no imóvel até falecer em 1975.

 

Dados técnicos da edificação

Número de Pavimentos: dois mais porão.

Técnica construtiva: alvenaria de tijolos.

 

Inventário dos móveis e outros objetos de Dona Marieta

No arquivo do Condephaat há informações sobre os móveis e outros objetos de Dona Marieta, que existiam na residência. Quando faleceu, o acervo foi leiloado e distribuído entre os herdeiros da falecida, que não tinha filhos.

Em sua pesquisa, Maria Cecília Naclerio Homem, descreveu parte do conteúdo do dados registrados arquivo do Condephaat:

 

Mosteiro de São Bento e os planos de um centro cultural

Em 12 de julho de 1996, o acervo do Mosteiro de São Bento (das cidades de São Paulo e Sorocaba) estava com problemas, em péssimo estado de conservação. Segundo o artigo de Álvaro Machado (Folha de São Paulo), como a comunidade beneditina não possuia recursos próprios para a restauração, foram enviados para empresas privadas, detalhes do projeto de restauração, no valor de R$ 2,5 milhões, com o objetivo de encontrar patrocínios para o mesmo.

O projeto estava sob responsabilidade do Arteoficina SP Assessoria e previa intervenções

"em telas, murais, esculturas, madeiras, vitrais e metais dos conjuntos beneditinos paulistas incluindo, na Capital, a Basílica de São Bento, suas capelas laterais e a Capela do Colégio."

[MACHADO, Álvaro. "Acervo beneditino espera patrocínio". Folha de S.Paulo: 12 Jul. 1996.]

O projeto previa seis anos de trabalhos, com uma equipe chefiada por Nilva Calixto e a restauração da casa na Rua Florêncio de Abreu, 111 também estava incluída no projeto. Sobre a finalidade de uso da antiga residência de Dona Marieta, o artigo menciona:

"Já houve planos da comunidade beneditina de transformar a casa em instituto cultural que, junto a obras, abrigaria terminais de computador para permitir ao público acesso ao catálogo de 80 mil volumes da Biblioteca do Mosteiro."

[MACHADO, Álvaro. "Acervo beneditino espera patrocínio". Folha de S.Paulo: 12 Jul. 1996.]

No mesmo artigo, há uma lista que mencionava o que já havia sido realizado e o que estava "planejado" e a casa de Dona Marieta, estava nesse último grupo:

"Casa nº 111 da rua Florêncio de Abreu (SP) Restauro arquitetônico e recuperação de filetes e ornatos. Deve abrigar parte do acervo artístico do Mosteiro."

[MACHADO, Álvaro. "Acervo beneditino espera patrocínio". Folha de S.Paulo: 12 Jul. 1996.]

No artigo, foram publicadas duas possibilidades para o uso: espaço cultural para acesso do acervo digitalizado e espaço para abrigar o acervo artístico do Mosteiro de São Bento.

O projeto arquitetônico de recuperação da edificação ficou a cargo do arquiteto Affonso Risi, em seu site constam as seguintes informações:

"A obra de restauro foi projetada por Affonso Risi Júnior e previa ser concluída em 2007, transformado o antigo casarão em um centro cultural ligado ao Mosteiro de São Bento. O espaço seria concebido para abrigar concertos, recitais e exposições. Para reformar a senzala, de modo que o local pudesse receber exposições, foi necessário fazer escavações para que a circulação fosse agradável, uma vez que a mesma tinha cerca de um metro e meio de altura. Trata-se da última casa em taipa francesa que ainda existe na cidade de São Paulo."

Desenho da fachada, disponível no site de Affonso Risi.

Dois anos depois, em 1998, a Folha de S.Paulo publica uma atualização sobre o andamento da obra:

"As paredes sólidas, de pedra, não permitiram que tudo acabasse, mas há três anos era quase uma ruína (...). Agora, os tetos e os pisos de madeira já estão trocados, as fiações e os encanamentos também foram substituídos, as infiltrações foram dominadas e começa a difícil fase de fixação de esquadrias."

[CASA ABRIGARÁ CENTRO CULTURAL. Folha de S.Paulo - Ilustrada: 9 Jul. 1998.]

A previsão de abertura do espaço cultural era para o ano seguinte (1999):

"Entre as futuras atividades que o Centro Cultural São Bento oferecerá pode estar um ateliê de arquitetura no porão (cujo piso foi rebaixado), sob a direção da arquiteta Roseli Carmona, responsável pela obra e integrante da associação Viva o Centro. Também devem ser realizadas mostras do rico acervo de arte do mosteiro e de antigos paramentos litúrgicos, entre outras peças. Palestras e cursos serão programados."

[CASA ABRIGARÁ CENTRO CULTURAL. Folha de S.Paulo - Ilustrada: 9 Jul. 1998.]

Uma década depois das primeiras notícias sobre a transformação da casa de Dona Marieta em espaço cultural, a edificação ainda está fechada e as obras de restauração em andamento e algumas informações sobre as descobertas durante o processo de restauração são divulgadas por Nílvia Calixto:

"A pesquisa revelou pinturas em formato de medalhões com estilo da época da colônia sob cinco camadas de tinta. "Encontrei uma obra mais antiga e valiosa sob a pintura de desenho repetitivo pela qual a casa foi tombada", comemora.

A senzala no porão foi reformada para receber exposições. Originalmente com menos de um metro e meio de altura, precisou ter o solo escavado para melhorar a circulação de pessoas.

O segundo piso ainda não foi restaurado, mas suas paredes de taipa francesa já atraem estudantes de arquitetura interessados em conhecer a técnica. 'É a única casa em taipa francesa que restou em São Paulo', explica a restauradora.

Encarregada da execução da obra, a arquiteta Olívia Hiss buscou referências em fotografias antigas para reconstituir as partes faltantes na decoração. Para ela, um dos diferenciais para garantir a qualidade da restauração é a contratação de mão-de-obra qualificada."

[GAZZONI, Marina, RUI, Taniele. "Casarão da Florêncio de Abreu vai receber espaço cultural". Folha de S.Paulo: 12 Jul. 2008.]

Em outro artigo complementar, publicado na mesma data, o texto da Folha de S.Paulo relata as disputas entre o CONDEPHAAT, o Mosteiro de São Bento e os herdeiros da família de Dona Marieta.

O Mosteiro pedira o cancelamento do processo de tombamento para que pudesse utilizar o imóvel, a propriedade, livremente, sem as obrigações de restauração e conservação do espaço arquitetônico.

Na década de 1970, após a morte de Dona Marieta, o CONDEPHAAT abriu um processo para tombamento da edificação e dos móveis. Em uma dispita inicial, em um primeiro momento o órgão conseguiu cancelar o leilão, porém, em 1977, os herdeiros recorreram e conseguiram o direito de leiloar os antigos pertences de Dona Marieta.

Em 2008, uma nova nota sobre a cas é publicada na Folha de S.Paulo, porém, dessa vez, o artigo informa que não há previsão para abertura do espaço:

"Segundo Carlos Eduardo Uchôa, uma primeira etapa do restauro da casa já descobriu várias pinturas artísticas nas paredes, que foram recuperadas. Ainda não há previsão para a abertura do centro."

["BENEDITINOS FARÃO ESPAÇO EXPOSITIVO". Folha de S.Paulo: 22 Dez. 2009.]

As fotos ao lado foram realizadas em 12 de janeiro de 2017.

 

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