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TANQUE DO ZUNEGA

atual largo do paissandú

história do centro de são paulo

atualizado em: 27 de setembro de 2017

 

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Em 2 de janeiro de 1856, foi publicado no Correio Paulistano (Ano II, Número 351): referente a 51a. Sessão Ordinária Aos 12 de Dezembro de 1855 - Presidência do Sr. Dr. Ribeiro Coutinho:

"A comissão permanente examinou o officio do engenheiro Carlos Rath dirigido ao Exm. presidente da província em 9 de novembro p p. outro a esta camara em 26 do mesmo mez, relativos a questões suscitadas entre elle e o vereador inspector do districto em que se está fazendo a obra do tanque do Zunega, encarregada áquele engenheiro. Antes de qualquer apreciação sbre detalhes da questão a comissão não pode deixar de notar, que um empregado publico que é aquelle engenheiro vencendo (?) salario da provincia, em troca de seus serviços, se julgasse authorisado, em dispensa de authoridade competente abandonar uma obra que lhe foi incubida, que é urgencia por sua naturesa, e que no estado de adiantamento em que se acha não pode ser convenientemente dirigida por outro engenheiro, que não em trabalhos graficos alguns para seg(?), visto que pela mesma urgencia das circunstancias confiou-se a aquelle engenheiro fazer o que mais economico e prontamente realisavel parecesse para de(?)camento do tanque o aproveitamento dos mananciaes ali existentes guardando o devido respeito á propriedade particular. Quanto ao pagamento exigido pelo mesmo engenheiro, pensa a comissão qu(?)endo admissível que elle tivesse um ajudante, entre tanto parecia dispensavel a despesa com o pratico Joaquim Teixeira, por que o servilo deste é exactamente o que deveria fazer aquello, mas como bem ou mal esse pratico esteve no serviço entende a comissão que se deve abonar a despesa, assim como a mais constante da feri(?) que se parecer ao vereador inspector do districto, que deve continuar o serviço o dito pratico ordene a continuação da despesa; esperando a camara do seu zel(?)a tão provado, que não faltará em sua suspecção cuidadosa para que os operarios de qualquer qualidade empreguem devidamente seu tempo, e finalmente pede a camara que ninguem pode utilmente substituir o Dr. Carlos Rath na direcção daquella obra, até sua conclusão, porque só elle possue o plano, e a disposição dos meios para realisal-a; e assim peça ao governo que ordene quanto antes que o referido engenheiro vá concluil-a, remettendo-se com este pedido (?)mo informação sobre o ocorrido, copia deste parecer, e das informações do Sr. vereador inspector do districto. Paço da camara 12 de dezembro de 1855 - Rodrigues dos Santos - Azevedo Junior."

Segundo os registros feitos por Saint-Hilaire, durante a sua passagem por São Paulo, era frequente ver "negras batendo roupas" na Várzea do Carmo e numa lagoa chamada Zunega, localizada na área de Santa Ifigênia, local hoje conhecido como Largo Paissandú.

Maria Vicentina de Paula do Amaral Dick, em suas pesquisas sobre "A dinâmica dos nomes na cidade de São Paulo, 1554-1897", que além do atual Largo do Paissandú ser conhecido como Tanque do Zuniga (ou Zunega), essa denominação também era usada nas áreas adjacentes no século XIX, por exemplo, onde hoje é parte da Avenida São João, entre o Edifício dos Correios e o Largo do Paissandú, era chamada de "rua que vai para o Zuniga", "rua do Zuniga", "rua do tanque", "rua do tanque do Zuniga". O "Zuniga" que originou todos esses nomes, era o sobrenome do sargento-mor Manoel Zuniga, proprietário de terras nessa região, no século XVIII.

FONTE: Correio Paulistano, 2 de janeiro de 1856.

CENTRO DE SÃO PAULO

BIBLIOGRAFIA


A dinâmica dos nomes na cidade de São Paulo - 1554 - 1897

Maria Vicentina de Paula do Amaral Dick
Annablume
1996

Este livro traz a história da cidade de São Paulo vista pelos nomes de seus logradouros. Amparada por uma vasta pesquisa que resultou na sua tese de livre-docência, a autora mostra como se efetuou a denominação dos acidentes naturais e culturais de São Paulo dos Quinhentos aos Oitocentos, proporcionando contribuições importantes e originais também a pesquisadores de áreas como História e Ciências Sociais...[+]

 

VIAGEM A PROVINCIA DE SAO PAULO

Auguste de Saint-Hilaire
Itatiaia
1976

Saint-Hilaire, com sua sólida formação científico humanística, viu o que muitos não viram, e retificou o que muitos deturparam. Por isso sua obra é de capital importância. Nada lhe escapa; a comida, os amuletos, o sincretismo religioso, a vocação histórica de tipos variados como o do mineiro, o do paulista, o do gaúcho, a diferença entre o homem do litoral e o do sertão. Foram anos agitados os que aqui permaneceu Saint-Hilaire; a elevação da colônia a Reino Unido, o regresso de D. João VI, a regência de Dom Pedro, a independência. Nesta obra vamos rever São Paulo e conhecer-lhe, em detalhes, a História, a formação étnica, a Geografia, os usos e costumes, a fauna e a flora, sempre naquele estilo agradabilíssimo, modelo de associação ....[+]

 

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