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Centro de São Paulo

Edifício Sampaio Moreira

rua líbero badaró, 344/350
rua líbero badaró, 101 (1924)

dicionário online sobre o centro de são paulo

atualizado em: 8 de março de 2021

 

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Edifício Sampaio Moreira, cerca de 1929.
FONTE: Vasquez, 2002.

 

Considerado o "avô" dos arranha-ceús de São Paulo, por um curto espaço de tempo, o Sampaio Moreira foi a edificação mais alta da cidade - até a construção do Edifício Martinelli, em 1929 -, com seus 596 metros quadrados de terreno, 5360 metros quadrados de área útil, 50 metros de altura, distribuídos em 13 pavimentos, porão e ático. [HORSCHUTZ, 2007].

Inaugurado em 1924, o projeto, assinado por Christiano Stockler das Neves, foi elaborado para o senhor Sampaio Moreira - segundo Cavalcanti e Delion (2004) Christiano convenceu Sampaio Moreira, proprietário do terreno, argumentando que os 1.900 contos de réis necessários para a realização da obra seriam recuperados em pouco tempo, com a locação dos imóveis.

Stockler Neves fez uso da altura máxima permitida pelo padrão municipal estabelecida pela Lei n. 2.322 de 9 de novembro de 1920 - equivalente o triplo da largura da rua, quando essa fosse maios que 12 mestros e na época a Rua Líbero Badaró tinha 18 metros.

"Tal elevação, porém, destoava do conjunto urbanístico obtido a tanto custo por Freire e Bouvard no Anhangabaú. Ao contrário dos demais edifícios em torno do parque (Teatro Municipal, prefeitura, Automóvel Club, residência Prates e Hotel Esplanada), que partilhavam de um gabarito máximo de cinco a sete andares e um teto máximo de 30 metros, equivalentes aos limites propostos por Vítor Freire em 1918, o volume assumidamente vertical do Sampaio Moreira quebrava o perfil horizontal do conjunto e destronava as cúpulas da prefeitura como ponto culminante da paisagem.

Enquanto diretor de Obras, Vítor Freire fez o que pôde para evitar essa intrusão. Como a altura projetada para o Sampaio Moreira era perfeitamente legal, nos termos da lei de 1920, a aprovação do projeto foi negada com base nas saliências previstas para a fachada. Cristiano Neves havia adotado uma linguagem movimentada e eclética, com cornijas, ornatos e balcões salientes, cuja projeção sobre a via pública ultrapassava os limites estipulados no Código de Obras. Contudo, tal argumento não seria suficiente para embargar a ânsia verticalizadora. A despeito da opisição da Diretoria de Obras, a Cãmara liberou os balcões do Sampaio Moreira por meio de lei especial, e o prédio foi completado em 1924."

[CAMPOS, Candido Malta. Os Rumos da Cidade: urbanismo e modernização em São Paulo. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2002, p.228-229.]

 

Fonte da Imagem: Prefeitura Municipal de São PauloO edifício foi criado em composição com os antigos Palacetes Prates, então, existentes, no Vale do Anhangabaú:

"Estilisticamente, pretende ser a versão em altura do Luís XVI com elementos decorativos típicos daquele estilo, recriado segundo o gosto de então. Com a destruição do Parque do Anhangabaú, o desaparecimento dos pavilhões (Palacete Prates e Prefeitura Municipal) e com a verticalização exagerada, o edifício atualmente passa quase despercebido, sendo entrevisto do Vale do Anhangabaú por um pequeno trecho de jardim sobrevivente." 

[BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM - Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos / EMPLASA - Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A / SEMPLA - Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.343-344.]

 

Parte interna do Edifício Sampaio Moreira
FONTE: Prefeitura Municipal de São Paulo

 

O uso do Edifício Sampaio Moreira sempre foi comercial: funcionou como prédio de escritórios até 2008, quando foi desapropriado pela Prefeitura para instalação da Secretaria Municipal de Cultura. [BEM-VINDO AO EDIFÍCIO..., 2010]

Na entrada, as escadarias são de mármore de Carrara, o painel de madeira maciça, os elevadores manuais, revestidos em vermelho e a cobertura do prédio, coroada por um pergolado de colunas gregas. [BEM-VINDO AO EDIFÍCIO..., 2010]

 


Parte interna do Edifício Sampaio Moreira
FONTE: Prefeitura Municipal de São Paulo

 

Em 2009, o CONPRESP -Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio, abriu o processo para tombamento da edificação (RESOLUÇÃO Nº02/COPRESP /2009).

Em 2010, o edifício foi desapropriado: prédio e fachada foram tombados pela CONPRESP. Em abril de 2012, a Prefeitura Municipal começou as obras de restauração. Segundo o site oficial da prefeitura municipal, a recepção do edifício, os elevadores e ferragem das escadarias, além do 5ª andar terão as salas preservadas, mantendo as estruturas do projeto original e as pinturas artísticas: 

"Os outros andares serão todos reformados, passando por remoção de paredes e adaptações. O projeto prevê a construção de um refeitório na cobertura, uma entrada lateral e a criação de passagens entre os lados do prédio nos andares que não tem esta ligação, do 12º ao 6º andar."

[EDIFÍCIO SAMPAIO MOREIRA PASSA POR RECUPERAÇÃO. Prefeitura Municipal de São Paulo, 17 Jul. 2012. Disponível em: <http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/infraestrutura/sp_obras/noticias/?p=43457>. Acesso em: 26 Set. 2017.]
[SP OBRAS IRÁ RECUPERAR O EDIFÍCIO SAMPAIO MOREIRA. Prefeitura Municipal de São Paulo, 28 Nov. 2012. Disponível em: <http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/infraestrutura/sp_obras/noticias/?p=35645>. Acesso em: 26 Set. 2017.]

 

Segundo a Prefeitura Municipal de São Paulo: 

Essa obra, no entanto, não irá contemplar a Casa Godinho. Com IPTU separado do restante do condomínio da casa de comércio não “pertence” ao edifício. Quem assina o projeto de recuperação histórica do Sampaio Moreira é o escritório de arquitetura e engenharia Lopes/Kalil Engenharia e Comércio Ltda.A licitação que deu origem à atual contratação foi baseada no projeto do escritório Kruchim Arquitetos.No valor de R$ 14.450.866,96, a obra deve começar no início de 2012, com prazo de 18 meses para término.” 

[EDIFÍCIO SAMPAIO MOREIRA PASSA POR RECUPERAÇÃO. Prefeitura Municipal de São Paulo, 17 Jul. 2012. Disponível em: <http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/infraestrutura/sp_obras/noticias/?p=43457>. Acesso em: 26 Set. 2017.]
[SP OBRAS IRÁ RECUPERAR O EDIFÍCIO SAMPAIO MOREIRA. Prefeitura Municipal de São Paulo, 28 Nov. 2012. Disponível em: <http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/infraestrutura/sp_obras/noticias/?p=35645>. Acesso em: 26 Set. 2017.]

 

No andar térreo da edificação, funciona a Casa Godinho, estabelecimento comercial fundado em 1888 e localizado no Edifício Sampaio Moreira, desde 1924, ou seja, desde a inauguração do prédio. Em 2013, a mercearia foi declarada patrimônio cultural imaterial da cidade pelo Conpresp.

Em outubro de 2018, o Ministério Público abriu um inquérito para verificar as condições de segurança das obras na edificação.

"O texto afirmava que o edifício não tinha AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) e não estaria totalmente adaptado para portadores de deficiência."

[ANGIOLILLO, Francesca, PERROTTA-BOSCH, Francisco. Promotoria investiga grau de segurança da nova sede da secretaria de Cultura de SP. Folha de S.Paulo, 9 Out. 2018. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/10/promotoria-investiga-grau-de-seguranca-da-nova-sede-da-secretaria-de-cultura.shtml>. Acesso em: 2 Mar. 2021.]

 

 
Imagens internas do Edifício Sampaio Moreira, antes e depois das obras de restauração.
FONTE: Daniel Ducci, Projeto Kruchin Arquitetura Apud Gonçalves, 2019.

 

A resposta da Secretaria Municipal da Cultura:

"De fato, não tem AVCB. Como, segundo a SMC, tampouco tem a Galeria Olido, sede da secretaria até a mudança.

A pasta justifica a mudança por economia —a Galeria Olido lhes custava R$ 1,5 milhão em aluguel ao ano, gasto que, porém, não será todo cortado de uma vez, pois parte das atividades da SMC continua no endereço anterior.

Ainda conforme a pasta, as condições de segurança eram piores na antiga sede. Na nova, foram implementadas medidas de segurança, orientadas pelo Corpo de Bombeiros, vigentes até o fim do restauro, em maio do ano que vem.

Faltam R$ 2,4 milhões para a conclusão das obras, segundo a SMC. Recursos do Fundurb (Fundo de Desenvolvimento Urbano) complementarão a economia com aluguel —mas só em 2019, o que não permitia concluir a obra neste ano.

A SMC confirma ter sido notificada pelo MPSP e diz que entregará respostas no prazo previsto, de 20 dias úteis a partir da notificação —na qual a Promotoria pedia que a secretaria apresentasse o AVCB, o que não será possível obter sem a conclusão do restauro.

Embora tenham sido apresentados projetos técnicos ao Corpo de Bombeiros, estes ainda não foram aprovados em vistoria, passo necessário para a obtenção do AVCB.

Esse tipo de projeto deve ser aprovado em casos específicos, como edificações tombadas, caso do Sampaio Moreira, que é protegido pelo Conpresp, nas quais o interesse histórico se choca com a imposição das normas vigentes de segurança.

(...)

A SMC diz que, embora não tenha o documento do Corpo de Bombeiros a atestar segurança, está se adequando e 'executou as diretrizes determinadas pelo Corpo de Bombeiros' a fim de obter, primeiro, um documento provisório e, mais adiante, o AVCB.

A pasta informa que tem, além da escada externa com portas corta-fogo, sistema de detecção de fumaça, hidrantes e extintores, sinalização de emergência e um bombeiro civil, durante o horário de funcionamento do prédio."

[ANGIOLILLO, Francesca, PERROTTA-BOSCH, Francisco. Promotoria investiga grau de segurança da nova sede da secretaria de Cultura de SP. Folha de S.Paulo, 9 Out. 2018. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/10/promotoria-investiga-grau-de-seguranca-da-nova-sede-da-secretaria-de-cultura.shtml>. Acesso em: 2 Mar. 2021.]

 



Imagens do interior do Edifício Sampaio Moreira, após as obras de restauração.
FONTE: Daniel Ducci, Projeto Kruchin Arquitetura Apud Gonçalves, 2019.

 

De acordo com a Lopes Kalil, as obras de restauração preservaram as seguintes características do Sampaio Moreira:

"- Escadarias de mármore Carrara;
- Pisos de peroba Rosa;
- Ladrilhos hidráulicos;
- Esquadrias das janelas de pinho de Riga;
- Fachada em massa raspada;
- Pergolado de colunas gregas na cobertura."

[EDIFÍCIO SAMPAIO MOREIRA. Lopes Kalil Engenharia. Disponível em: <https://www.lopeskalil.com.br/obras/edificio-sampaio-moreira>. Acesso em: 2 Mar. 2021.]

 

 

Fotografias das obras executadas pela Lopes Kalil Engenharia, recuperando os detalhes da Sampaio Moreira
FONTE: Lopes Kalil Engenharia

 

 

referências bibliográficas

ABDALLA, Antônio Carlos, ESTEVES, Juan. Capital - São Paulo e Seu Patrimônio Arquitetônico. São Paulo: Imesp, 2013.

ANGIOLILLO, Francesca, PERROTTA-BOSCH, Francisco. Promotoria investiga grau de segurança da nova sede da secretaria de Cultura de SP. Folha de S.Paulo, 9 Out. 2018. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/10/promotoria-investiga-grau-de-seguranca-da-nova-sede-da-secretaria-de-cultura.shtml>. Acesso em: 2 Mar. 2021.

BENS CULTURAIS ARQUITETÔNICOS NO MUNICÍPIO E NA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO. São Paulo: SNM - Secretaria de Estado dos Negócios Metropolitanos / EMPLASA - Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo S/A / SEMPLA - Secretaria Municipal de Planejamento, 1984, p.343-344.

BEM-VINDO AO EDIFÍCIO SAMPAIO MOREIRA. Jornal da Tarde, 14 Out. 2010. Disponível em: <http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/bem-vindo-ao-edificio-sampaio-moreira/>. Acesso em: 26 Set. 2017.

CAMPOS, Candido Malta. Os Rumos da Cidade: urbanismo e modernização em São Paulo. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2002.

CASA GODINHO. Disponível em: <http://www.casagodinho.com.br/index.html>. Acesso em: 26 Set. 2017.

CAVALCANTI, Pedro, DELION, Luciana. São Paulo, a juventude do centro. São Paulo: Conex, 2004.

EDIFÍCIO SAMPAIO MOREIRA. Lopes Kalil Engenharia. Disponível em: <https://www.lopeskalil.com.br/obras/edificio-sampaio-moreira>. Acesso em: 2 Mar. 2021.

EDIFÍCIO SAMPAIO MOREIRA PASSA POR RECUPERAÇÃO. Prefeitura Municipal de São Paulo, 17 Jul. 2012. Disponível em: <http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/infraestrutura/sp_obras/noticias/?p=43457>. Acesso em: 26 Set. 2017.

CAMPOS, Candido Malta, SIMÕES JÚNIOR, José Geraldo (org.). Palacete Santa Helena: um pioneiro da modernidade em São Paulo. São Paulo: Senac SP / Imesp, 2006.

HORSCHUTZ, Alessandra Maria Cerqueira Lima. Ocupação de Edifícios de Escritórios Corporativos em São Paulo – O Caso do IBM Tutóia. Dissertação de Mestrado – Arquitetura & Urbanismo. Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2007. Disponível em: <http://tede.mackenzie.com.br//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=324>. Acesso em: 26 Set. 2017.

GONÇALVES, Cristiane Souza. Retrofit: uma perspectiva para a sustentabilidade. Revista Restauro, Volume 3, Número 6. Disponível em: <http://web.revistarestauro.com.br/retrofit-uma-perspectiva-para-a-sustentabilidade/?print=print>. Acesso em: 8 Mar. 2021.

NEVES NETO, Christiano Stockler das. Arquiteto do Concreto. São Paulo: Dialeto Latin American Documentary, 2008.

SIMÕES JÚNIOR, José Geraldo. Anhangabaú: história e urbanismo. São Paulo: Editora Senac São Paulo / Imesp, 2004.

SP OBRAS IRÁ RECUPERAR O EDIFÍCIO SAMPAIO MOREIRA. Prefeitura Municipal de São Paulo, 28 Nov. 2012. Disponível em: <http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/infraestrutura/sp_obras/noticias/?p=35645>. Acesso em: 26 Set. 2017.

VASQUEZ, Pedro Karp. Postaes do Brazil: 1893-1930. São Paulo: Metalivros, 2002.

 

 

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