Website de Mônica Yamagawa

CASA DE JULES MARTIN

IMPERIAL LITORGRAFIA

largo do rosário
rua de são bento, 37

história do comércio do centro de
são paulo

atualizado em: 18 de outubro de 2017

 

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"Cri-Cri

POLKA PARA PIANO

Vende-se em casa de Jules Martin á rua de S.Bento n.37 a (?)$000 rs. o exemplar"

[Correio Paulistano, Anno XXIII, Número 6055: 31 de dezembro de 1876]

 

Jules Martin

Segundo Antônio Barreto do Amaral, Jules Victor André Martin, foi cartógrafo, desenhista, litógrafo e construtor. Nasceu na França, em Montiers, em 26 de fevereiro de 1832.

Estudou Belas Artes em Marselha e trabalhou em Paris, no Ateliê de George Schlater (1852). Veio para o Brasil em 1868, trabalhou com o irmão Pierre e Fracisco de Paula Xavier de Toledo no interior de São Paulo, onde montaram uma máquina para beneficiar algodão. Ainda nesse setor, tentou obter a patente da criação de um equipamento que aproveitava as sementes desperdiçadas no beneficiamento do algodão (uma prensa para extração de óleo das sementes).

Após um acidente com seu filho (ele perdeu seu braço esquerdo), resolveu mudar de profissão e mudou-se para São Paulo, onde abriu um curso de desenho e pintura e lecionou em vários colégios da capital.

Montou a primeira oficina litográfica da Província de São Paulo em 1870, que posteriormente foi batizada de "Imperial Litografia", em homenagem ao imperador Dom Pedro II visitou o estabelecimento. Aliás, o uso do título "Imperial", foi concedido em uma carta imperial datada de 30 de outubro de 1875.

Dois anos depois, em 1872, no antigo Largo do Rosário, abriu um escritório, onde os clientes faziam encomendas de impressos litográficos e onde mantinha um depósito dos produtos da olaria Bom Retiro. Posteriormente, esse escritório passou a funcionar na Rua São Bento n. 37 (em dezembro de 1876, um anúncio no Correio Paulistano já registrava esse novo endereço).

Sobre sua participação na criação do primeiro Viaduto do Chá, em outubro de 1877,

"apresentou ao público o projeto desta grande obra e, em abril de 1879, apresentou um novo projeto, em substituição do viaduto por um boulevard e obteve privilégio para esse projeto em 11 de maio de 1882. Em maio de 1885, firmou contrato com o governo provincial para o viaduto. Em 30 de abril de 1888, deu-se o começo às obras sobre a Rua Formosa e, por questão de desapropriação, só em 6 de maio de 1889 é que prosseguiram as mesmas obras."

[MARTINS, Antonio Egydio. São Paulo Antigo - 1554-1910. Coleção São Paulo: volume 4. São Paulo: Paz e Terra, 2003, p.166.]

Além do Viaduto do Chá, seu nome está envolvido em vários projetos: mapa da capistal paulista, projeto da Avenia Paulista, projeto da estátua de José Bonifácio (O Moço), projeto a estrada de ferro para São Sebastião, entre outros.

Jules Martin faleceu em São Paulo, em 18 de setembro de 1906.

 

[+] Outros estabelecimentos comerciais que fizeram parte da História do Centro de São Paulo

[Correio Paulistano, Anno XXIII, Número 6055: 31 de dezembro de 1876]

 

[Correio Paulistano, Anno XXII, Número 5761: 21 de dezembro de 1875]

 

[Diário de S.Paulo, Anno XIII, Número 3619: 12 de janeiro de 1877]

 

[Jornal da Tarde, Anno I, Nùmero 90: 3 de fevereiro de 1879]

 

[Jornal da Tarde, Anno I, Número 220: 14 de junho de 1879]

CENTRO DE SÃO PAULO

BIBLIOGRAFIA


Dicionário de história de São Paulo

Antonio Barreto do Amaral
Imesp
2006

'A Coleção Paulística' trata de diversos aspectos da História do Estado de São Paulo, de sua formação e cultura, de alguns de seus municípios e de algumas de suas personalidades. Disponibiliza-se, assim, a pesquisadores e estudiosos da história de São Paulo, bem como ao público em geral. Os exemplares selecionados, escritos por nomes relevantes da prosa paulista, cobrem desde a saga dos Bandeirantes até a história dos teatros paulistas, destacando-se o 'Dicionário de História de São Paulo'...[+]

 


São Paulo Antigo 1554-1910

Antonio Egydio Martins
Paz e Terra
2003

Antonio Egydio Martins foi responsável pela organização do Arquivo do Estado de São Paulo por 30 anos, ao longo dos quais percorreu a documentação em busca dos pormenores da história paulistana. São Paulo Antigo era o título das crônicas que passou a publicar nas páginas do Diário Popular e que caíram no gosto do público, dando origem ao livro, publicado em dois volumes em 1911 e 1912. O livro permaneceu como fonte privilegiada para se conhecer o cotidiano da cidade, tratando de seus personagens, das festas, dos costumes, dos hábitos alimentares, dos governantes, dos jornais, das lojas... São Paulo Antigo é como um baú da história paulistana, ao qual se recorre em busca da informação miúda, do detalhe, da data, dos tipos da cidade, dos pormenores perdidos no rolar do tempo...[+] 

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