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FRESNEAU ALFAIATE

rua do rozário
rua direita

história do comércio do centro de
são paulo

atualizado em: 12 de agosto de 2017

 

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Fresneau publica anúncio sobre seus serviços, em 1854:

"Fresneau

ALFAIATE

Já bem conhecido nesta capital participa ao publico e aos seus antigos freguezes, que acha-se estabelecido na Rua Direita, 15, onde espera continuar a merecer a mesma confiança que outr'ora, se persuade adquiriu das pessoas que o honrarão com sua freguezia, por quanto trabalhará com a mesma promptidão, bom gosto, e preços commodos, que sempre teve em suas obras."

[Correio Paulistano, Anno I, Número 147: 20 de dezembro de 1854.]

Em 2 de janeiro de 1856, no Correio Paulistano o alfaiate Fresneau informa seu novo/antigo endereço:

"MUDANÇA

Fresneau Alfaiate, participa aos seus freguezes que mudou a sua loja de alfaiate da rua Direita para a sua antiga morada na rua do Rozario."

[Correio Paulistano, Anno II, Número 351, 2 de Janeiro de 1856.]

No dia 19 de março de 1856, no Correio Paulistano, é publicado uma nota na seção "Gazetilha":

"APPOLLINIA - A M.m. Fresneau chegarão hontem riquissimos figurinos de caracter serio para o baile á phantasia."

[Correio Paulistano, Anno I, Número 388: 19 de março de 1856.]

Com base em anúncio publicado no Correio Paulistano e nos dados do "Almanak Administrtativo, Mercantil e Industrial da província de S. Paulo - 1857", Fresneau, além de roupas está conectado com o comércio de chá. Não fica claro se o endereço serve apenas para correspondência ou contatos de negócios ou se há compra-venda física do produto no local:

"Fabricantes de Chá

(...) Cazimiro Moulte, freguezia da Penha (deposito emcasa de Fresneau, rua da Imperatriz.)"

[Almanak Administrtativo, Mercantil e Industrial da Província de S. Paulo - 1857.]

 

"VENDE-SE a chácara de Cazimiro Moulte, na Freguezia da Penha, distante desta cidade legoa e meia, com casa no pateo da freguezia, e caminho dentro das terras até a chácara, grande casa de pilões e moinho de fubá tocado por agoa, fabrica de chá, produzindo de 35 a 40 arrobas, gradne pomar de arvores fructiferas, como peras, peros, maças &c., e uma plantação de uvas com mais de 300 pés. Para tratar podem dirigir-se á mesma chacara, ou a casa do Sr. Fresneau, rua do Rozario n.18."

[Correio Paulistano, Anno V, Número 562: 17 de junho de 1857.]

 

Em 1858, Fresnau começa a expandir seus negócios para além de sua alfaiataria:

"HOTEL DU COMMERCE ET RESTAURANT

EM A CIDADE DE S. PAULO

RUA DO ROZARIO N. 49

FRESNEAU, tem a honra de participar ao respeitavel publico, e especialmente aos seus amigos e conhecidos, que tem estabelecido no excellente e espaçoso prédio do sr. José Manoel Paes, de fronte á sua officina de alfaiate (o que continua sempre sob a sua direcção), um Hotel com a denominação acima mencionada.

Este estabelecimento, é por sua posição collocado n'um dos melhores lugares desta cidade, poisque além de ser uma das ruas mais espaçosas e aceiadas, tem uam bella vista para a varzea, e por isso gosa dos mais saudaveis ares.

Tendo sido esta casa ultimamente reedificada, e apropriada para este estabelecimento, não só contém espaçosas salas (entre ellas uma com bilhares), mas tãobem quartos para so srs. viajantes, com todos os commodos e aceio.

A direção da cosinha, se acha a cargo d'um habil e perito chefe, que na Europa exerceu com vantagem este emprego, e que já nesta cidade é bem conhecido, pelos seus difficeis trabalhos de pastelaria.

O proprietario deste novo estabelecimento, nada tem poupado, para tornal-o digno da concurrencia, tanto dos Nacionaes, como dos Estrangeiros, e promette esmerar-se para que nada falte ás pessoas que se designarem honral-o com sua confiança.

Haverá sempre boas e variadas iguarias, sendo os vinhos das melhores qualidades.

Tambems e incumbe de jantares para pensionistas, e encommendas de differentes massas de pastelaria.

Este Hotel achar-se-ha aberto todos os dias até ás 11 horas da noite, e quanto houve theatro uma hore depois de findar o expectaculo."

[Correio Paulistano: Anno V, Número 776: 23 de outubro de 1858.]

Este mesmo anúncio/texto foi publicado várias vezes, entre outubro de 1858 e agosto de 1859.

Em 1862, agora na Rua Rozario 18, Fresnau continua com sua alfaiataria aberta:

"18 - RUA DO ROZARIO - 18

Fresneau alfaiate tema a honra de participar a seus freguezes, amigos e o respeitavel publico que acaba de recer um sortimento de roupas feitas para o inverno, como palitots, sobrecasacas, colletes, e calças tudo de qualidade muito superior"

[Correio Paulistano, Anno IX, Número 1817: 4 de julho de 1862.]

"A la ville de Pariz,

18 - Rua o Rosario - 18

Fresneau tem a honra de participar ao respeitavel publico e a seus numerosos freguezes que acaba de receber em direitura de Pariz um lindo sortimento de roupa feita, como sobrecasacas de panno preto, de todos os tamanhos, na idade de 10 annos para cima, paletots sacoe paletots sobrecasa de todas as cores e tamanhos para homens e meninos, paletots de brim branco, pardo escuro, ditos de alpaca, calças de casemira preta e de cores, colletes de seda e de casemira, des fustão branco e de cores, chambres de chita, coin de feo. Garibaldi para crianças d 3 a 4 annos. Lindos vestidinhos de criança, Bretão, Matelot e outros para meninos de 4 a 7 annos.

Tudo por preços muito moderados.

18 - Rua do Rosario - 18"

[Correio Paulistano, Anno IX, Número 1945: 30 de outubro de 1862.]

Em 1863:

"A la ville de Pariz,

18 - Rua o Rosario - 18

FRESNEAU acaba de receber da Europa um grande e variado sortimento de roupa feita para homens e meninos, proprias para o inverno. Preços muito moderados."

[Correio Paulistano, Anno X, Número 2109: 24 de maio de 1863.]

Em 1864:

"A la ville de Pariz,

18 - Rua o Rosario - 18

FRESNEAU tem a honra de participar a seus amigos e freguezes acaba de receber da Europa um rico sortimento de roupa feita propria para o verão, preços muito razoaveis."

[Correio Paulistano, Anno XI, Número 2297: 12 de janeiro de 1864.]

Em 1866, em um Edital publicado no Correio paulistano (17 de abril de 1866), chega a informação sobre os prejuízos causados pelo hotel, assim como a mudança na forma de consumo de vestuário, que obrigaram Freneau a declarar falência:

"EDITAL

O doutor José Pedro de Azevedo Segurado, juiz do commercio desta imperial cidade de S.Paulo e seu termo por Sua Magestade O Imperador etc.

Faço saber aos que este edital virem, que por Luiz Sebastião Fresneau me foi feita a petição do theor seguinte: - Illustrissimo senhor doutor juiz do commercio. Diz Luiz Sebastião Fresneau, residente nesta cidade com loja de alfaiate e roupa feita, rua do Rosario n. 32, que elle supplicante vem perante vossa senhoria apresentar o seu ultimo balanço, no qual se vê quel é o seu activo e passivo; vendo-se porém em embaraços para solver as obrigações que tem contrahido, e mais ainda para continuar o dito seu negocio, pela rasão de que de tempos a esta parte lhe tem diminuido a freguezia, já porque tenhão-se multiplicado as casas de identica natureza; já porque a maior parte dos seus freguezes (estudantes) se abasteção no Rio de Janeiro (quando vão ás ferias) do que necessitão; já finalmente por que a introdução de grande quantidade de roupa feita no mercado tem consideravelmente diminuido os lucros aos alfaiates, além de ter o supplicante se empenhado aidna com um hotel que lhe deu prejuizo; tudo isto junto á paralização geral do commercio aggravado pelas consequencias da presente guerra, levarão o supplicante á dura necessidade de vir perante vossa senhoria declarar a sua fallencia, para acautelar os direitos de seus credores, e não aggravar mais o seu estado pela continuação de um commercio prejudicial, desejando proceder como sempre tem procedido de boa fé, em cumprimento ao que dispõe o artigo 805 do codigo commercial. Pede a vossa senhoria que destribua e autuada a presente petição, se digne declarar aberta a fallencia do supplicante a datar do dia 10 do mez passado, época em que reconheceu não lhe ser possivel continuar. Espera recener mercê. - Luiz Sebastião Fresneau. - É o que constava da dita petição na qual dei o despacho seguinte: - Destribuida, autuada, venhão conclusos. S.Paulo, 12 de abril de 1866. - Azevedo Segurado. - E sendo-me os autos conclusos, dei nelles a sentença seguinte: - Attendendo a petição de folhas 2 e o balanço de folhas 3 do negociante não matriculado Luiz Sebastião Fresneau, hei psor declarada a sua fallencia a datar do dia 10 do mez de Março proximo passado, como o mesmo declara em sua petição. Nomeio o credor Lourenço Domingues Martins para curador fiscal, devendo ser intimado para prestar juramento e procedder nos termos da lei. Por meio de editaes afixados nos lugares do costume, e pela imprensa faça-se publica a fallencia e convoquem-se os credores, para a reunião que terá lugar na casa do fallido na rua da Imperatriz n. 32, no dia 18 do corrente para procederem á nomeação de depositorio provisorio. E como consta do balanço que o capital com que negociava o fallido era menor de rs. 10:000$000, proceda-se em seguida á nomeação do depositario e sem dependencia de apposição de sello á avaliação dos bens moveis do fallido com avaliadores que deverão ser propostos pelo curador, assim como ao leilão pelo leiloeiro José Elias de Paiva que será intimado, o que terá lugar no mesmo dia ás 11 horas da manhã, precedendo os necessarios annuncios. S.Paulo, 14 de Abril de 1866. - José Pedro de Azevedo Segurado. - É o que constava da dita sentença, por bem da qual hei por declarada a fallencia de Luiz Sebastião Fresneau na forma na mesma declarada, e convoco os credores do fallido para no dia 18 do corrente mez, ás 9 horas da manhã, comparecerem na casa de negocio do fallido, na rua da Imperatriz n.32, a fim de nomearem o depositário ou depositários que devem tomar conta dos bens da massa, na forma da lei. E para que chegue a noticia de todos mandei lavrar tres editaes de um só theor que serão publicados e afixados nos lugares do costume, e pela imprensa. S.Paulo aos 16 de Abril de 1866. Eu, Joaquim José Gomes, escrivão a escrevi. - José Pedro de Azevedo Segurado. - Valha sem sello, ex-causa. - Azevedo Segurado. - Edital pelo qual se faz publica a fallencia de Luiz Sebastião Fresneau, e são convocados os credores para nomearem depositarios aos bens da massa."

[Correio Paulistano, Anno XIII, Número 2969: 17 de abril de 1866.]

Ao lado, estão os anúncios sobre os leilões da massa falida de Luiz Sebastião Fresneau (1866).

Anos depois, sua víuva Joanna Rosalina Fresneau mandou publicar no Correio Paulistano do dia 5 de maio de 1880, um agradecimento para as pessoas que compareceram no funeral de Luiz Sebastião Fresneau, informando que uma missa de 7o. dia em sua homenagem seria realizada no dia 7 de maio de 1880. Joanna Rosalina faleceu dois anos depois, no dia 4 de setembro de 1882. (Anuncio publicado sobre a missa de um ano. Correio Paulistano, Anno XXX, Número 8115: 4 de setembro de 1883).

 

[+] Outros estabelecimentos comerciais que fizeram parte da História do Centro de São Paulo

[Correio Paulistano, Anno I, Número 147: 20 de dezembro de 1854.]

 

[Correio Paulistano, Anno II, Número 351, 2 de Janeiro de 1856.]

 



[Correio Paulistano: Anno V, Número 776: 23 de outubro de 1858.]

 

[Correio Paulistano, Anno IX, Número 1817: 4 de julho de 1862.]

 

[Correio Paulistano: Anno IX, Número 1945: 30 de outubro de 1862.]

 

[Correio Paulistano, Anno X, Número 2109: 24 de maio de 1863.]

 

[Correio Paulistano, Anno XI, Número 2297: 12 de janeiro de 1864.]

 

[Correio Paulistano, Anno XIII, Número 2970: 18 de abril de 1866.]

 




[Correio Paulistano, Anno XIII, Número 3053, 26 de julho de 1866.]

 

[Correio Paulistano, Anno XIII, Número 3098: 21 de setembro de 1866.]

 

[Correio Paulistano, Anno XIII, Número 3108: 3 de outubro de 1866.]

CENTRO DE SÃO PAULO

BIBLIOGRAFIA


A CIDADE-EXPOSIÇAO

Heloisa Barbuy
Edusp
2006

O livro analisa o microterritório formado pelas três principais ruas comerciais na passagem do século XIX para o XX - ruas 15 de Novembro, Direita e de São Bento, que compunham o chamado Triângulo - tendo como eixo as casas de comércio da região. Com isso, o livro proporciona a compreensão do desenvolvimento da cidade refletido, por exemplo, na introdução gradual de uma estética cosmopolita tanto na arquitetura dos edifícios quanto na exibição de produtos ou cartazes publicitários. A união entre texto e ilustrações reconstrói o cenário do triângulo central de São Paulo, levando o leitor a conhecer os pormenores das fachadas e dos interiores das edificações da época numa imersão lenta e intensa nos processos por meio dos quais a cidade se reinventa...[+]

 


A Academia de São Paulo Tradições e Reminiscências

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1977

Baseados em grande parte em pesquisas realizadas no Rio de Janeiro e em São Paulo, este livro permite aos leitores uma reflexão comparativa, oferencendo-lhes ricas descriçoes etnográficas, dados e argumentos instigantes. Vale ressaltar ainda que os textos foram, na medida do possível, muito bem sucedidos diante do desafio a que se ...[+]

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Entre a casa e o armazém: relações sociais e experiência da urbanização
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2005

Este livro é um convite para o leitor voltar a um tempo no qual São Paulo combinava características de uma cidade moderna com traços fortemente rurais. Bastava uma rápida caminhada até a Igreja da Misericórdia para avistar, do alto de seu campanário, descampados, grotões, charnecas, beiras de rios e até animais silvestres e matas, que se estendiam muito além dos vales do Anhangabaú e Tamanduateí. Os personagens deste cenário? Aquela parte da população abstratamente designada como "classes médias" - na verdade, uma gente esquecida, os remediados da sociedade, uma multidão de figurantes mudos da cena paulistana - os quais atendiam pelos nomes de Dona Carolina, Seu Marcelino, Ana de Sorocaba e centenas de outros que aparecem nos registros dos quase mil inventários e testamentos que chegaram até nós. A maioria tinha pouco mais de quarenta anos no longínquo ano de 1872, quando surgiram na cidade os primeiros lampiões a gás. Pessoas que vivenciaram um tempo de incertezas e mudanças, abriram lojas e armazéns, compraram uma casinha, faliram, venderam tudo, tiveram dias bons ou ruins - enfim, sentiram na pele aquele diagnóstico certeiro de António de Alcântara Machado, quando dizia que 'em São Paulo não há nada acabado e nem definitivo, as casas vivem menos que os homens e se afastam, rápidas, para alargar as ruas'...[+]

 

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