Texto e Fotografias de Mônica Yamagawa


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SALOES, CIRCOS E CINEMAS DE SAO PAULO

Vicente de Paula Araújo
Perspectiva
1981

Entremeado de farta iconografia, precedido de considerável lastro informativo e adotando o mesmo critério cronológico de sua obra anterior sobre a Bela Época do cinema brasileiro, Vicente de Paula Araújo retrata figuras pouco conhecidas e revela aspectos desconhecidos da chamada idade da pedra do cinema paulistano. Seu autor foi perquirir no registro quotidiano das publicações da época, os acontecimentos políticos, econômicos, religiosos, policiais e esportivos em torno dos divertimentos mecânicos e artísticos que surgiram, antecederam, conviveram, competiram, desapareceram e se transformaram com a consolidação do cinematógrafo no gosto e hábito de todas as classes sociais da população. Trata-se, portanto, de um movimentado e colorido painel da vida urbana de São Paulo no setor das diversões populares, entre os últimos anos do século XIX e os primeiros tiros do grande desatino mundial de 1914...[+]

 

CENTRO DE SÃO PAULO

SALÃO DA PAULICÉA

história do comércio do
centro de são paulo

atualizado em: 23 de outubro de 2016

 

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Em 2 de fevereiro de 1897, com base no anúncio publicado no periódico "O Comércio de São Paulo", o Salão da Paulicéa recebeu o Vitascope de Edison:

"SALÃO DA PAULICÉA
EDISON'S ELETRICAL EXHIBITION
PROFESSOR KIJ & JOSEPH

A ÚLTIMA MARAVILHA
HOJE HOJE
O VITASCOPE
Fotografia Viva
Combinação com o moderno MICROFONÓGRAFO, de grande buzina, para ouvir-se sem necessidde de tubinhos auditivos.
No Salão de Concertos da
PAULICÉA
Rua Quinze de Novembro
Função Permanente das 8 às 10 horas da noite.

Os intervalos serão preenchidos pela excelente orquestra da Paulicéa.
Esta maravilha científica, última criação do genial EDISON, apresenta em tamanho natural a reprodução fiel das cenas vivas da vida quotidiana dos povos e da natureza.
O novo fonógrafo que acompnha esta exibição é um moderno aperfeiçoamento especial para o salão, que permite ouvir clara e distintivamente, SEM NECESSIDADE DO TUBINHOS auditivos.
Magnífico e variado repertório de canto, bandas e orquestras, excêntricos, etc. etc., em seis línguas diferentes.

INGRESSO, 2$000
SENSAÇÃO DO DIA! A VER!
A MARAVILHA DAS MARAVILHAS"

[ARAÚJO, Vicente de Paula. Salões, circos e cinemas de São Paulo. São Paulo: Perspectiva, 1981, p.15-16.]

O comentário sobre o espetáculo:

"O acolhimento que tem tido o tríplice divertimento do Salão da Paulicéa, constitui uma revelação para nós que nunca vimos em um compartimento tantas pessoas reunidas. O concerto, o microfonógrafo e o vitascópio são o divertimento predileto do nosso público."

[O Comércio de São Paulo: 2 Fev. 1897, p.2. Apud: ARAÚJO, Vicente de Paula. Salões, circos e cinemas de São Paulo. São Paulo: Perspectiva, 1981, p.13.]

Nas sessões do dia 1 de fevereiro de 1897, o salão estava lotado, Domingos José Coelho, proprietário do Salão da Paulicéa, precisou improvisar e providenciar noas cadeiras e mesas, pois, muitos ficaram em pé. No entanto, o sucesso foi temporário, pois, no dia 7 de feveiro, o "Comércio de São Paulo" noticiava que o Vitascópio de Edison foi quebrado, suspendo as sessões seguintes.

No mês seguinte, no dia 19 de março de 1897, "O Estado de S.Paulo" anunciava que a "Confeitaria Paulicéa" estava à venda e seu proprietário, doente:

"CONFEITARIA PAULICÉA

Traspassa-se o contrato desta casa e vende-se o estabelecimento, visto o proprietário não poder dirigí-lo por estar doente, Aceitam-se propostas até o dia 30 do corrente.
Informa-se no mesmo estabelecimento."

[O Estado de São Paulo: 19 Mar. 1897, p.4. Apud: ARAÚJO, Vicente de Paula. Salões, circos e cinemas de São Paulo. São Paulo: Perspectiva, 1981, p.16.]

Infelizmente, a Confeitaria Paulicéa fooi a leilão,

"com todas as suas mercadorias, móveis, espelhos, lustres, fogão econômico, tachos de cobre, bateria de cozinha, caixas de vinhos e outras bebidas, balcões, serviço de cristal, armações, cadeiras, mesas, cofre de ferro, um piano Boisselot, uma grande máquina para fazer 200 sorvetes em 15 minutos, etc."

[ARAÚJO, Vicente de Paula. Salões, circos e cinemas de São Paulo. São Paulo: Perspectiva, 1981, p.16.]

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