Texto e Fotografias de Mônica Yamagawa


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SINHANA DOS BOLINHOS

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atualizado em: 30 de outubro de 2016

 

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Em "Ruas e tradições de São Paulo" (Governo do Estado, 1966), Gabriel Marques escreve sobre uma vendedora de quitutes, o que hoje seria uma ambulante, a Sinhana dos Bolinhos:

"(...) preta velha e estorricada, fôrra, já há anos, manquitolante como o saci-pererê, sempre de pitinho de barro na boca, ficava, à tardinha, horas inteiras, naqueles tempos, a atirar pedrinhas nas águas que ali corriam sob a Ponte do Acu... Acontecera que a pobre, que tinha armado seu ranchinho pouco distante dali e passava momentos alegres pescando lambaris num côvo para com eles fritar gostosos bolinhos que vendia a vintém cada um, certo dia perdera a razão. Fora o caso que alguém, por brincadeira ou perversidade, espalhara, na cidade, que os bolinhos da Sinhana matavam tanto quanto as águas do rio de onde ela tirava os peixinhos... Diante disso, mais ninguém quis saber dos bolinhos de Sinhana. E até os moleques atenazavam-na cantando, à sua passagem, as ruas, uma quadrinha da qual ninguém sabia ao certo o autor...

A Sinhana Acu
Vende bolinho
Vende peixinho
Que mata urubu!

A maldade humana sempre fere fundo. Foi assim que a pobre escrava fórra um dia enlouquecera. E sumira; desaparecera para sempre"

[MARQUES, Gabriel. "Ruas e tradições de São Paulo". São Paulo: Governo do Estado, 1966, p.66-67.]

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