História do Comércio do Centro de São Paulo: Sinhana dos Bolinhos

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SINHANA DOS BOLINHOS

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atualizado em: 12 de agosto de 2017

 

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Em "Ruas e tradições de São Paulo" (Governo do Estado, 1966), Gabriel Marques escreve sobre uma vendedora de quitutes, o que hoje seria uma ambulante, a Sinhana dos Bolinhos:

"(...) preta velha e estorricada, fôrra, já há anos, manquitolante como o saci-pererê, sempre de pitinho de barro na boca, ficava, à tardinha, horas inteiras, naqueles tempos, a atirar pedrinhas nas águas que ali corriam sob a Ponte do Acu... Acontecera que a pobre, que tinha armado seu ranchinho pouco distante dali e passava momentos alegres pescando lambaris num côvo para com eles fritar gostosos bolinhos que vendia a vintém cada um, certo dia perdera a razão. Fora o caso que alguém, por brincadeira ou perversidade, espalhara, na cidade, que os bolinhos da Sinhana matavam tanto quanto as águas do rio de onde ela tirava os peixinhos... Diante disso, mais ninguém quis saber dos bolinhos de Sinhana. E até os moleques atenazavam-na cantando, à sua passagem, as ruas, uma quadrinha da qual ninguém sabia ao certo o autor...

A Sinhana Acu
Vende bolinho
Vende peixinho
Que mata urubu!

A maldade humana sempre fere fundo. Foi assim que a pobre escrava fórra um dia enlouquecera. E sumira; desaparecera para sempre"

[MARQUES, Gabriel. "Ruas e tradições de São Paulo". São Paulo: Governo do Estado, 1966, p.66-67.]

 

[+] Outros estabelecimentos comerciais que fizeram parte da História do Centro de São Paulo

"Palácio do Governo em São Paulo", De Debret, 1827

CENTRO DE SÃO PAULO

BIBLIOGRAFIA


São Paulo Antigo 1554-1910

Antonio Egydio Martins
Paz e Terra
2003

Antonio Egydio Martins foi responsável pela organização do Arquivo do Estado de São Paulo por 30 anos, ao longo dos quais percorreu a documentação em busca dos pormenores da história paulistana. São Paulo Antigo era o título das crônicas que passou a publicar nas páginas do Diário Popular e que caíram no gosto do público, dando origem ao livro, publicado em dois volumes em 1911 e 1912. O livro permaneceu como fonte privilegiada para se conhecer o cotidiano da cidade, tratando de seus personagens, das festas, dos costumes, dos hábitos alimentares, dos governantes, dos jornais, das lojas... São Paulo Antigo é como um baú da história paulistana, ao qual se recorre em busca da informação miúda, do detalhe, da data, dos tipos da cidade, dos pormenores perdidos no rolar do tempo...[+] 

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