História do Comércio do Centro de São Paulo: tintureiro N.J.V. Ferard

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TINTUREIRO N.J.FERARD

rua alegre, 33

história do comércio do centro de
são paulo

atualizado em: 1 de setembro de 2017

 

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Em anúncio publicado no Correio Paulistano, no dia 2 de janeiro de 1856, o tintureiro N.J.V. Ferard, publicou aviso para seus clientes:

"N.J.V. Ferard
TINTUREIRO

PARTICIPA ás pessoas que tiverem obras em sua casa desde 1 a 2 annos, tenhão a bondade de procurarem n'estes dois mezes a contar d'esta data pelo contrario serão vendidas para cobrar-se do seu trabalho."

[Correio Paulistano, Anno II, Número 351, 2 de Janeiro de 1856.]

Esse anuncio foi re-publicado no Correio Paulistano do dia 4 de janeiro de 1856. Também nessa data, no mesmo jornal, o tintureiro francês publicou um anúncio adicional, com mais detalhes sobre os seus serviços:

"CASA PINTADA DE MUITAS CORES

33 Rua Alegre 33

N.J.FERARD,

TINTUREIRO FRANCEZ.

Com 11 annos de pratica, sendo 10 na Europa e 11 (?) no Rio de Janeiro, sciente de todos os processos antigos e modernos empregados na sua arte, segundo as melhores atê hoje conhecidos, tinge e lava com perfeição, todas as qualidades de sedas, lãs, algodão, linho, e as fazendas mescladas de seda e algodão, seda, lã e algodão, lãs e sedas, &c, seja em peças ou chales, vestidos, casacas sobre-casacas, calças, coletes, mantilhas, capas, ponches, palla, ardas, botinas, vêos, rendas; ornatos de Igreja, cochenilhos, marfim, &c., ou mesmo em meiadas, seja preto ou de qualquer cor, e conforme as amostras que se arpesentarem. - O mesmo lava, alveja e lustra, á franceza com o maior aceio os chales o vestidos de cahemira filó e chita, (estas sem offender as cores,) as meias de seda e os chapéos e com a pparencia de novo os gallões e bordados de ouro e praia velhos e denegridos: igualmente tinge as plimas e penachos. - Tira mofos das fazendas de lãs e seda; lava e tinge as luvas de pellica, de camurça e outras. - Faz tinta de escrever preta, roza, e encarnada. 9de encommenda.) - Enfim occupa-se de todo o concernente á sua arte, e obriga-se a satisfazer com promptidão as pessoas que o occuparem. As cores são fixas, e se faz reapparecer o chamalotado e as flores das fazendas de lãs e seda com o seu brilho primitivo. - Emfim com o lustro e preparo que o annunciante dá ás fazendas, ellas podem apparecer nos bailes ou em qualquer parte sem que o publico podem taxá-laas de tintas com o que muito podem economizar os Srs. paes de familias, e lucrarem os Srs. paes de familias, e lucrarem os Srs. negociantes que tiverem peças arruinadas - Tinge por peças razoaveis.

Tinge o cobre chapeos de mola.

O annunciante para prova de tudo quanto allega só deseja que o respeitável publico desta capital e provincia o occupe, pois está seguro de confirmar suas palavras pelo seu trabalho."

[Correio Paulistano, Anno II, Número 352: 4 de janeiro de 1856.]

Em outro anúncio, publicado em 11 de janeiro de 1856, parece que o texto foi corrigido: ao invés de 11 anos, foi impresso 21 anos (imagem do anúncio corrigido ao lado).

 

[+] Outros estabelecimentos comerciais que fizeram parte da História do Centro de São Paulo

[Correio Paulistano, Anno II, Número 351, 2 de Janeiro de 1856.]

 

FONTE DA IMAGEM: Correio Paulistano, Anno II, Número 352: 4 de janeiro de 1856.

 

FONTE DA IMAGEM: Correio Paulistano, Anno II, Número 354: 11 de janeiro de 1856.

CENTRO DE SÃO PAULO

BIBLIOGRAFIA


SÃO PAULO - A JUVENTUDE DO CENTRO

Luciano Delion
Pedro Cavalcanti
Conex
2005

Cidades são feitas de vidas humanas e de cimento armado. Evocar o centro de São Paulo nos anos de sua juventude significa trazer de volta não apenas o traçado esquecido de suas ruas e edifícios, como também a trajetória dos homens e mulheres que lá viveram, sonharam e trabalharam. Este livro trata de arquitetos e construtores, e também de revolucionários e administradores, banqueiros e industriais, jornalistas, pintores e poetas, célebres ou modestos, e das marcas materiais e imateriais que deixaram no corpo e na alma da cidade. O período coberto pelo livro, da Proclamação da República ao Quarto Centenário, foi escolhido por representar o que se poderia chamar de juventude do centro, época do apogeu de sua beleza e de seu prestígio...[+]

 

São Paulo Antigo 1554-1910

Antonio Egydio Martins
Paz e Terra
2003

Antonio Egydio Martins foi responsável pela organização do Arquivo do Estado de São Paulo por 30 anos, ao longo dos quais percorreu a documentação em busca dos pormenores da história paulistana. São Paulo Antigo era o título das crônicas que passou a publicar nas páginas do Diário Popular e que caíram no gosto do público, dando origem ao livro, publicado em dois volumes em 1911 e 1912. O livro permaneceu como fonte privilegiada para se conhecer o cotidiano da cidade, tratando de seus personagens, das festas, dos costumes, dos hábitos alimentares, dos governantes, dos jornais, das lojas... São Paulo Antigo é como um baú da história paulistana, ao qual se recorre em busca da informação miúda, do detalhe, da data, dos tipos da cidade, dos pormenores perdidos no rolar do tempo...[+] 

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Estante Virtual

 

LIBERTAS ENTRE SOBRADOS
MULHERES NEGRAS E TRABALHO DOMESTICO EM SAO PAULO (1880-1920)

Lorena F. da Silva Teles
Alameda
2014

Lidando com contratos de trabalho e com a crônica policial, a historiadora faz vir à tona vários aspectos relevantes do cotidiano popular de São Paulo daquele fim de século XIX e começo do século XX. Conforme os registros policiais, a extrema miséria nas mulheres sempre se confundiu com vagabundagem e prostituiçãor....[+]

 

A São Paulo Inventada por Álvares de Azevedo

Monica Gomes da Silva
AR
2014

Em 1848, Álvares de Azevedo chegou a São Paulo para estudar na Faculdade de Direito do Largo São Francisco e lá permaneceu até 1851. Foi companheiro de Aureliano Lima e Bernardo Guimarães, grandes boêmios, mas tornou-se amigo particular de Luís Antônio da Silva Nunes, o correspondente escolhido para falar de suas 'fantasias' e confessar dores marcadas pela maldição da melancolia e do tédio mais profundo. Na sua jornada, Mônica Gomes encontra, no 'espaço biográfico' das cartas, as sensações de estranhamento de um missivista peculiar, que se expressa e se constitui como sujeito da escrita, numa linguagem ondulada, que busca o tom exato das coisas, mesmo as mais triviais, com alusões, ...[+]

 

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