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Vale do Anhangabaú

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atualizado em: 19 de novembro de 2020

 

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O Rio Anhangabaú nascia nas proximidades da Rua do Paraíso, ao passar pelas proximidades da Rua Jaceguai, recebia água da Bica do Moringuinho e na altura da Rua da Assembléia, as águas da Bica do Miguelzinho. Partia então, pela Rua Asdrúbal Nascimento até alcançar o Largo do Bexiga, nesse local, recebia as águas do Ribeirão Saracura, para então se projetar para os atuais Vale do Anhangabaú, Avenida São João, Rua Florêncio de Abreu, Rua 25 de Março e então, desaguar no Rio Tamanduateí (AMARAL, 2006, p. 58).

Segundo Ponciano (2007, p. 96), o conhecimento popular contava que na língua tupi, Anhangabaú significa "rio dos malefícios", "rio do diabo", provavelmente, reforçado pelas suas águas, que, de acordo com um exame realizado em 1791, eram compostas de vários minerais não indicados para o consumo humano, causando mal estar para aqueles que arriscavam consumir o líquido; somando-se a isso, nos períodos de muita chuvas, ele transbordava, contribuindo para transmissão de doenças, fortalecendo o mito do diabo em forma de água. No entanto, em suas pesquisas, o autor destaca que os estudos de Luiz Caldas Tibiriçá - "Dicionário de topônimos brasileiros de origem tupi" - apresentam outro significado para o nome Anhangabaú:

"Anhangabaú vem de Ahanga, o espírito protetor das matas, e de ambaú, que é um tipo de figueira-brava cujos frutos não são comestíveis, chamada de figueira-do-inferno. (Segundo o dicionarista, os jesuítas traduziram isso para "demônio", "diabo" ou ainda "bebedouro das assombrações", "rio do diabo" ou "água do demônio".)"

[PONCIANO, Levino. Todos os centros da paulicéia. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2007, p. 96-97.].

 

Outro fator que contribuía para os problemas do rio, alimentando sua "fama diabólica", data do começo do século XVII (1601-1700): o Matadouro Municipal ficava na Bela Vista, na Rua Humaitá e um córrego local levava os degetos para o Anhangabaú

"toda sorte de detritos, restos de sangue, caveiras, chifres, o que deixava as águas avermelhadas e o ar fétido."

[PONCIANO, Levino. Todos os centros da paulicéia. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2007.]

 

Antes do Viaduto do Chá, o morador para chegar até onde hoje está localizado o Theatro Municipal, descia a encosta, utilizava a Ponte do Lorena (Ponte 7 de Abril, ante riomente Ponte do Piques) para atravessar o Rio Anhangabaú e depois, subir a encosta do outro lado, até chegar a região da atual Rua Barão de Itapetininga - nos períodos de chuvas esse percurso era ainda mais complicado.

Até o começo do século XX, o vale apresentava um aspecto semi-rural, com vestígios das antigas chácaras que ocupavam a área e com os fundos das residências localizadas nas Ruas Líbero Badaró e Formosa, voltadas para o Anhangabaú. Como descreve Simões Junior (2004, p. 14), o vale era, "até o início do século XX, considerado o 'quintal dos fundos' da colina central - o seu setor menos valorizado".

Na segunda metade do século XIX (1851-1900), a instalação da ferrovia (1867), proporcionou o desenvolvimento urbano, antes concentrado nas áreas entre o Pátio do Colégio, Igreja da Ordem Terceira do Carmo, Igrejas do Largo de São Francisco, Igreja de Santo Antônio, antigas Igrejas de São Bento e da Sé, em direção ao Bairro da Luz, através das Ruas Florêncio de Abreu e Brigadeiro Tobias. Por volta de 1890, os investimentos urbanos, as construções residenciais da elite paulista, nos Bairros dos Campos Elíseos e Higienópolis, influenciaram as alterações no Vale do Anhangabaú, que interligavam as duas regiões com a área central mais antiga de São Paulo, através da primeira versão do Viaduto do Chá (1892). A valorização do vale continua, em especial a partir do ano de 1903, data do início da construção do Theatro Municipal que gerou necessidades de melhorias em toda a região (SIMÕES JÚNIOR, 2004, p.13-14).

"Em 1910, conclui-se finalmente um projeto de intervenções a serem feitas no loca, e nele e propõe a construção de um grande parque ajardinado em todo o vale, desapropriando-se imóveis situados nas suas laterais - Líbero Badará e Formosa. A valorização desses terrenos faz com que seja questionado o interesse público que esses projetos poderiam despertar. São então apresentadas outras versões para o projeto de melhoramentos, resguardando o interesse dos proprietários, figuras de destaque no meio social e político paulistano."

[SIMÕES JÚNIOR, José Geraldo. Anhangabaú: história e urbanismo. São Paulo: Editora Senac São Paulo / Imesp, 2004, p. 14-15.]

 

De acordo com Simões Júnior (2004, p.15), em 1917, após a conclusão das obras, o Anhangabaú passa a polarizar o centro da capital paulista, ampliando o processo de expansão da área central para essa direção. Nas décadas seguintes, o núcleo original da cidade passou a ser denominado "Centro Velho" e a região a partir da Rua Barão de Itapetininga de "Centro Novo" - termos utilizados até os dias atuais.

Posteriores reformas no Vale do Anhangabaú:

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referências bibliográficas

AMARAL, Antonio Barreto do. Dicionário de história de São Paulo. Coleção Paulística. Volume XIX. São Paulo: Imesp, 2006, p. 58.

DICIONÁRIO DE RUAS. Arquivo Histórico Municipal de São Paulo. Disponível em: <https://dicionarioderuas.prefeitura.sp.gov.br/>. Acesso em: 12 Out. 2020.

GUIA FIQUE EM SÃO PAULO NO FIM DE SEMANA. São Paulo: Publifolha / AF Comunicações, 2001, p. 105.

PONCIANO, Levino. Todos os centros da paulicéia. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2007.

PORTO, Antônio Rodrigues. História da cidade de São Paulo através de suas ruas. 2ª. Edição. São Paulo: Carthago, 1996.

PORTO, Antônio Rodrigues. História Urbanística da cidade de São Paulo (1554 a 1988). São Paulo: Carthago, 1992.

SIMÕES JÚNIOR, José Geraldo. Anhangabaú: história e urbanismo. São Paulo: Editora Senac São Paulo / Imesp, 2004.

 

 

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