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Centro de São Paulo

Militão Augusto de Azevedo

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atualizado em: 3 de outubro de 2020

 

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Filho de Antonio Ignácio de Azevedo e Lauriana Augusta de Azevedo, MIlitão Augusto de Azevedo nasceu no Rio de Janeiro, em 1837.

Atuou como cantor e ator no Rio de Janeiro com a Companhia Teatral Joaquim Heleodoro, entre 1858 e 1860 e com a Companhia Dramática Nacional, entre 1860 e 1862.

Chegou em São Paulo, em 1862, como integrante (ator) da Companhia Dramática Nacional. Na época, vivia com a atriz Benedita Maria dos Santos Pedroso, mãe de seu filho, recém-nascido, Luiz Gonzaga de Azevedo - segundo Fernandes Junior (2012), uma das hipóteses para a decisão de fixar residência em São Paulo pode estar relacionada ao fato da opção de Militão assumir a paternidade, porém, sem oficializar o casamento com a mãe do menino; deixar o Rio de Janeiro afastava-o de comentários "inconvenientes" sobre sua situação paternal.

Não há informações se na época ela já possuía conhecimentos sobre o ofício de fotógrafo e as técnicas fotográficas e, se sim, se esses conhecimentos foram adquiridos do Rio de Janeiro ou em São Paulo. Seu trabalho começou por volta de 1862.

"Pode ser que a série de vistas urbanas realizadas nos seus primeiros anos de trabalho seja o resultado de uma iniciativa pessoal, cujo principal objetivo era muito mais um necessário e intensivo aprendizado e domínio técnico de fotografia do que um ensaio consciente sobre a cidade que o acolheu.

Militão parece ter utilizado as ruas da cidade para aperfeiçoar seu aprendizado e ampliar sua capacidade de enfrentar as adversidades técnicas e estéticas que poderiam encontrar fazendo retratos, atividade responsável pelo sobrevivênci financeira de qualquer estúdio do país. Raramente se via fotógrafos que realizaram ensaios sobre o espaço urbano com tanta libedade como MIlitão o fez."

[BARBUY, Heloisa, FERNANDES JÚNIOR, Rubens, FREHSE, Fraya, SIQUEIRA, Henrique. Militão Augusto de Azevedo. São Paulo: Cosa Naify, 2012, p. 10-11.]

 

Não abandonou os palcos de imediato, era empregado no estabelecimento de Joaquim Feliciano Alves Carneiro - que estava estabelecido no Rio de Janeiro desde 1850 e em 1862, abriu uma filial em São Paulo -, enquanto atuava com a Companhia Dramática Nacional, em São Paulo (até 1863); posteriormente, excursionou pela Europa em 1866, com a Companhia Teatral e o último registro como ator data de1869, com a Companhia João Caetano (Rio de Janeiro).

"Sua dedicação à profissionalização fotográfica ocorria em paralelo, e faria dele, mais tarde, um dos nomes essenciais da fotografia paulistana. Ironia do destino ou não, um carioca protagonizou a primeira grande reportagem fotografia da cidade de São Paulo."

[BARBUY, Heloisa, FERNANDES JÚNIOR, Rubens, FREHSE, Fraya, SIQUEIRA, Henrique. Militão Augusto de Azevedo. São Paulo: Cosa Naify, 2012, p. 12.]

 

Rubens Fernandes Júnior (2012) destaca a importância dos registros de Militão, ao observar que cidades importantes no mesmo período, como Rio de Janeiro, Recife e Salvador, não possuem, "quantativamente, um conjunto tão expressivo e bem elaborado como o produzido por Militão em São Paulo" (BARBUY, FERNANDES JÚNIOR, FREHSE, SIQUEIRA, 2012, p. 13).

A "Carneiro & Gaspar" (Joaquim Feliciano Alves Carneiro & Gaspar Antonio da Silva Guimarães), aberta em 1865 em São Paulo. Dez anos depois (1875), com a morte de Gaspar Antonio - no texto de Fernandes Júnior (2012), consta a data de 1875, no dicionário de Kossoy (2002), a data de 1874 -, Joaquim Feliciano vende o estabelecimento para Militão, que de sócio-gerente do estúdio, passou a ser o proprietário, alterando o nome do estúdio para "Photographia Americana".

[Correio Paulistano, n.5.743, 28 de Novembro de 1875.]

 

De acordo com Kossoy (2002), Militão tinha, na capital paulista, uma "clientela abrangente e diversificada que atravessava os diferentes estratos sociais" (Kossoy, 2002, 67); seus álbuns de retratos são, atualmente, importentes fontes de informação sobre a história da fotografia, da cidade e da sociedade de São Paulo do século XIX:

"as imagens neles contidas forman, no seu conjunto, uma 'verdadeira enciclopédia visual de personagens sociais' da vida paulista e brasileira; do imperador ao escravo, do militar ao funcionário público, do literato ao estudante da Academia de Direito, do ator ao maestro, do lavrador ao comerciante urbano, da senhorita de alta classe à corista imperial, além de padres, políticos e até 'fantasmas', todos foram registrados pela objetiva de Militão."

[KOSSOY, Boris. Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro: fotógrafos e ofícios da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002, p. 68.]

 

[Correio Paulistano, n. 5.961, 25 Ago. 1876.]

 

Segundo Kossoy (2002), esse acervo de registros fotográficos da sociedade do século XIX de Militão encontra-se reunido em 6 volumes, com cerca de 12.500 retratos. Além desse material, fooi preservado o "Livro Copiador de Cartas", com mais de 400 páginas, com registros de correspondências entre 1883 e 1902:

"cópias de cartas de cobrança, balanços, cartas pessoais e profissionais, recibos e outras referênicas sobre importação de materiais fotográficos, produtos químicos específicos e equipamentos afins, os quais eram comercializados com fotógrafos do interior e remetidos via estrada de ferro, construindo-se tal fornecimento numa atividade paralela à de seus estabelecimento fotográfico."

[KOSSOY, Boris. Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro: fotógrafos e ofícios da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002, p. 68.]

 

Em 1878, fez as primeiras tentativas de vender o estabelecimento - nesse ano viajou para Europa -, porém, as atividades fotográficas e comerciais prosseguiram nos anos seguintes; a partir do último bimestre de 1884 há registros de correspondências para diversos destinatários, com propostas para venda do Photographia Americana:

"Estou resolvido a acabar com o meu estabelecimento até o fim do anno. Preciso por conseuqeica vendel-o (sic). Não conseguiria aqui tenho certesa (sic) disso (...). Veja se me consegue arranjar isto, pois além de vender o estabelcimento vejo-me livre de São Paulo."

[Livro Copiador de Cratas, 11 Nov. 1884, snp APUD KOSSOY, Boris. Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro: fotógrafos e ofícios da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002, p. 69.]

 

No ano seguinte (1885) Militão optou por "enviar requerimento aos poderes competentes comunicando o fechamento do 'estabellecimento photographico sito á rua da Imperatriz n.55 placa' " (KOSSOY, 2002, p; 70).

 

 

referências bibliográficas

 

BARBUY, Heloisa, FERNANDES JÚNIOR, Rubens, FREHSE, Fraya, SIQUEIRA, Henrique. Militão Augusto de Azevedo. São Paulo: Cosa Naify, 2012.

Correio Paulistano, n.5.743, 28 Nov. 1875.

Correio Paulistano, n. 5.961, 25 Ago. 1876.

KOSSOY, Boris. Dicionário Histórico-Fotográfico Brasileiro: fotógrafos e ofícios da fotografia no Brasil (1833-1910). São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2002.

 

 

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