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Centro de São Paulo

desinfectório central

rua tenente pena, 100

dicionário online sobre o centro de são paulo

atualizado em: 23 de fevereiro de 2021

 

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O terreno para a construção do Desinfectório Central, foi comprado pelo governo da Província de São Paulo, em 1882 - na obra de Kamide e Pereira (1998) o ano mencionado é 1882, porém, na publicação do Instituto Butantan, a data mencionada é de 1892. Apesar da data da inauguração da edificação ser de 1893, o que aproximaria da segunda data, antes da construção, no casarão da chácara funcionaram a Hospedaria de Imigrantes e Hospital da Força Pública, assim sendo, é provável que a data correta seja 1882. A propriedade, conhecida como Chácara Bom Retiro, pertencia a Manfredo Meyer e sua mulher Elvira Isabel de Souza Queiroz Meyer, sendo o antigo casarão utilizado como sede da primeira Hospedaria de Imigrantes e, posteriormente, ocupado pelo Hospital da Força Pública.  

A Secretaria de Agricultura encarregou-se da construção da nova edificação – o Desinfectório Central -, ao lado do antigo casarão, contratando para a execução das obras os serviços de Paul Rouch e J.E. Damergue. De estilo arquitetônico eclético, neomaneirista, a edificação foi inaugurada em 1 de novembro de 1893: uma das primeiras instituições voltada para o serviço sanitário, criada para o combate de epidemias, responsável, por exemplo, pela execução de desinfecções domiciliares – ambientes, roupas, objetos -, remoção de doentes para o hospital de isolamento, assim como pelo transporte de cadáveres dos residentes mortos por causa de doenças infectocontagiosas para os cemitérios e pelo controle da “população” de moscas, ratos e mosquitos da cidade. Durante a epidemia de gripe espanhola, em 1918, foi decretado que todas as residências com mais de dois óbitos causados pelo vírus, deveriam ser “expurgadas pelo pessoal do Desinfectório Central” [BERTOLLI FILHO, 2003, p. 164].

O Desinfectório Central foi:

“(...) criado ainda sob o predomínio da concepção miasmática (segundo a teoria, concebida no século XVII, as doenças teriam origem nos miasmas – odores fétidos provenientes de matéria orgânica em putrefação nos solos e lençóis freáticos) de contaminação e transmissão de doenças.”

[HISTÓRIA, IMIGRAÇÃO E SAÚDE NO BAIRRO DO BOM RETIRO, s.d.]

 

De acordo com o Instituto Butantan,

“o prédio assobradado central funcionavam a administração, a secretaria, as câmaras de desinfecção, etc. enquanto nos espaços térreos laterais se alojavam duas seções, uma de objetos infectados e outra de objetos desinfetados.”

[INSTITUTO BUTANTAN, s.d..]

 

Em 1925,

“o Desinfectório Central, o Hospital do Isolamento e o Serviço de Extinção de Moscas e Mosquitos se tornaram instituições dependentes da Inspetoria de Profilaxia de Moléstias Infecciosas. Os serviços de oficina e garagem para os transportes da Secretaria do Interior também eram atividades de responsabilidade dessa Inspetoria e se transformaram em 1938, Serviço de Transporte. Nesse mesmo ano a Inspetoria de Profilaxia de Moléstias Infecciosas se transformou em Seção de Epidemiologia e Profilaxia Gerais e ocorreu a instalação da Divisão de Transportes no local.”

[SENNE, Catia A. de, URZUA, Flávia A.M. A constituição do acervo do Museu de Saúde Pública Emílio Ribas: subsídios para a análise de sua trajetória institucional. Cadernos de História da Ciência - Instituto Butantan, Vol. VI (2), Jul./Dez., 2010, p.16.]

 

Em 1979, o espaço foi transformado em sede do Museu de Saúde Pública Emílio Ribas:

“O Decreto n. 44.572, de 22 de fevereiro de 1965 referenciou pela primeira vez esse objetivo, ao dispor sobre um ‘museu a ser instalado no Hospital do Isolamento Emílio Ribas, do Departamento de Saúde’.
(...)
O decreto previa que o acervo do museu fosse composto a partir do recolhimento de tudo o que lembrasse a figura de Emílio Ribas. Em seu artigo nº 2 estabeleceu que o governo receberia doações da família e de todos os que pudessem dispor de ‘papéis, livros, documentos, utensílios, etc., que pertenceram ao mesmo’.
(...)
Em 1969 foi publicado um novo decreto revogando o anterior e, dispondo sobre a criação do Museu Histórico Emílio Ribas, que possuía os mesmos objetivos do decreto de 1965, ou seja, de preservação da memória do médico sanitarista, que dedicou suas atividades em defesa da saúde pública do Estado. Instituiu-se que a Secretaria de Estado da Saúde – SES – seria responsável por instalar o Museu, ou seja, disponibilizar funcionários, espaço e mobiliários, além de recolher e zelar pelo acervo, que poderia ser composto por doações, mesmo financeiras, referentes à vida e obra de Emílio Ribas. A proposição também não saiu do papel e no final do ano de 1975, José Antonio Alves dos Santos, assessor técnico da Secretaria de Estado da Saúde, vendo que o museu ainda não fora instalado no edifício do Hospital Emílio Ribas, sugeriu ao Secretário de Saúde, Walter Sidney Pereira Leser, como uma alternativa provisória, que o museu fosse instalado no edifício situado à Rua Tenente Pena, n. 100, local da antiga Seção de Epidemiologia e Profilaxia Gerais. Trata-se do prédio do antigo Desinfectório Central, onde Emílio Ribas iniciou sua carreira como inspetor sanitário.”

[SENNE, Catia A. de, URZUA, Flávia A.M. A constituição do acervo do Museu de Saúde Pública Emílio Ribas: subsídios para a análise de sua trajetória institucional. Cadernos de História da Ciência - Instituto Butantan, Vol. VI (2), Jul./Dez., 2010, p.10-11.]

 

Apesar da instalação em 1979, segundo Senne e Urzua (2010), apenas em 1985 – ano de tombamento da edificação pelo Condephaat -, o museu apresentou projetos mais consistentes,  

“com três exposições: ‘O Desinfectório Central: registro de épocas’, ‘Cem anos da Saúde Pública em São Paulo: aspectos da história da Secretaria de Estado da Saúde’ e ‘Emílio Ribas: o sanitarismo paulista’.”

[SENNE, Catia A. de, URZUA, Flávia A.M. A constituição do acervo do Museu de Saúde Pública Emílio Ribas: subsídios para a análise de sua trajetória institucional. Cadernos de História da Ciência - Instituto Butantan, Vol. VI (2), Jul./Dez., 2010, p.4.]

 

A edificação, em 2006, passou por intervenção para modernização das instalações. Em 2010, de acordo com Sene e Urzua (2010), a edificação abrigava:

“1. Museu de Saúde Pública Emílio Ribas – Instituto Butantan, SES/SP.
2. Centro de Regulação de Urgência e Emergência do Estado de São Paulo – CRUE – Coordenadoria de Gestão de Contratos e Serviços de Saúde.
3. Almoxarifado da Unidade Dispensadora Tenente Pena – UDTP – CODES – Coordenadoria de Demandas Estratégicas do SUS.
4. Unidade Dispensadora Tenente Pena – UDTP – CODES – Coordenadoria de Demandas Estratégicas do SUS.
5. Arquivo Intermediário – Coordenadoria de Recursos Humanos.
6. Centro Gráfico. Coordenadoria Geral da Administração.
7.Centro de Transportes da Secretaria de Saúde – CGA – Coordenadoria Geral de Administração.”

[SENNE, Catia A. de, URZUA, Flávia A.M. A constituição do acervo do Museu de Saúde Pública Emílio Ribas: subsídios para a análise de sua trajetória institucional. Cadernos de História da Ciência - Instituto Butantan, Vol. VI (2), Jul./Dez., 2010, p.17.]

 

Em 2015, além do acesso aos acervos históricos para pesquisa, o museu passou a organizar exposições e atividades educativas abertas ao público. Atualmente, o museu continua sob a responsabilidade do Instituto Butantan (2020) e de acordo com informações do website da instituição:

passa por uma grande reforma nas áreas técnicas de guarda e tratamento dos acervos, adequando-as para a melhor preservação do local. Durante o período, o local ficará fechado para visitação.”

[Instituto Butantan, 2020.]

 

Em junho de 2020, de acordo com website do Instituto Butantan, o local encontra-se fechado para reforma, sem informações adicionais sobre a previsão de abertura para visitação pública – no entanto, consta informação sobre o horário de funcionamento administrativo no local. 

 


FONTE: Google Street View - março 2019.

 

 

tombamento CONDEPHAAT

Processo: 2388/85.
Tombamento: Resolução n.50 - de 26 de agosto de 1985.
Diário oficial: 27 de agosto de 1985.

 

 

tombamento CONPRESP

Resolução n.5 – de 1991 (ex-officio).
Resolução n.29 – de 2015 (área envoltória).

 

 

referências bibliográficas

BERTOLLI FILHO, Claudio. A gripe espanhola em São Paulo, 1918 - epidemia e sociedade. Coleção São Paulo: volume 5. São Paulo: Paz e Terra, 2003.

HISTÓRIA, IMIGRAÇÃO E SAÚDE NO BAIRRO DO BOM RETIRO. Instituto Butantan, s.d. Disponível em: <http://publicacoeseducativas.butantan.gov.br/web/museu-emilio-ribas/pages/pdf/livreto_museu_emilio_ribas_02.pdf>. Acesso em: 10 Jun. 2020.

INSTITUTO BUTANTAN: MUSEU EMÍLIIO RIBAS. Disponível em: <http://www.butantan.gov.br/atracoes/museu-emilio-ribas>. Acesso em: 10 Jun. 2020.
KAMIDE, Edna Hiroe Miguita, PEREIRA, Terza Cristina Rodrigues (coord). Patrimônio Cultural Paulista: CONDEPHAAT, bens tombados 1968-1998. São Paulo: Imesp, 1998.

PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO PAULO: DESINFECTÓRIO CENTRAL. Disponível em:  <https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/upload/Re2915RAEAntigoDesinfectorioCentralMAPA_
1447868789.pdf
>. Acesso em: 10 Jun. 2020.

SENNE, Catia A. de, URZUA, Flávia A.M. A constituição do acervo do Museu de Saúde Pública Emílio Ribas: subsídios para a análise de sua trajetória institucional. Cadernos de História da Ciência - Instituto Butantan, Vol. VI (2), Jul. / Dez., 2010, p. 7-25.

 

 

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