O Hotel Palm antes era chamado Hotel des Voyageurs, no Largo de São Francisco. Em 25 de julho de 1860, J.J. Von Tschudi chegou em São Paulo e se hospedou no Hotel Palm, em seu relato, ele descreveu o estabelecimento:
"Hospedei-me no Hotel Palm, que me fora recomendado por diversas pessoas. Os aposentos eram medíocres, mas a recepção, a atenção dispensada aos hóspedes e a boa mesa, compensavam a lacuna. O proprietário do hotel, um alemão, era antigo colono de Santa Francisca. Durante alguns anos, tivera um albergue na estrada de Santos, depois do que viera estabelecer-se com um hotel alemão na capital da Província."
[TSCHUDI, J.J. Von. Viagem às Províncias do Rio de Janeiro e S.Paulo. São Paulo: Martins Fontes, 1976, p.120.]
Segundo Valenzuela (2013), em 1860, quando Charles Palm (ou Carlos Palm) comprou o Hotel Voyageurs, fez várias alterações na edificação, incluindo a colocação de um telhado (fotografia ao lado). Antes, o Voyageurs era uma edificação conhecida como "casa de sotéa", ao invés do telhado, possuía an sua parte superior um terraço, que foi alterado pelo novo proprietário pois, o terraço causava problemas de infiltrações que danificavam a construção. De acordo com as pesquisas de Siriani (2003), o casarão no Largo de São Francisco pertenceu ao engenheiro Carlos Abrão Bresser e foi por ele projetado. Após a morte do engenheiro, no local passou a funcionar o Hotel Palm, porém, era propriedade de Gottfriet Palm - e não Carlos/Charles Palm, nome também mencionado Campos (2009).
Bresser "ergueu seu predinho no largo do Capim para nele instalar, no térreo, uma quitanda, em que vendia produtos cultivados na horta de sua chácara estabelecida no Brás, enquanto residia na parte superior do imóvel. Em 1856, decidiu abrir um restaurante para os alunos da Academia de Direito com cardápios ao gosto francês, inglês, alemão e brasileiro, mas faleceu pouco depois, repentinamente. O prédio, conhecido pelo nome de Casa de Soteia, abrigou a seguir, ainda em 1856, o Hotel do Lion d’Or, que pouco durou, depois no ano seguinte aí funcionou o Hôtel des Voyageurs, de propriedade do francês Pedro Imbert, e do terraço de cobertura – que é justamente o significado da palavra soteia, hoje em dessuetude –, construído certamente com abóbadas de tijolos, os hóspedes, conforme anúncios publicados na imprensa, podiam gozar da bela paisagem densamente arborizada que se estendia até os altos do Caaguaçú (região da atual Avenida Paulista). Em 1860 o hotel passou para as mãos do alemão Carlos Palm, que se desfez do terraço original, sem dúvida devido à presença de alguma infiltração, mandando cobri-lo com um telhado comum, tal como pode ser observado em foto de Militão. Essa atitude teve como resultado ocultar da posteridade a importância arquitetônica da pequena construção, característica que só conseguimos recuperar após certo esforço de pesquisa, como dissemos, durante a redação de nossa tese de doutorado."
[CAMPOS, Eudes. Os primeiros hotéis da cidade de São Paulo Século XIX: Império e República. Informativo Arquivo Histórico Municipal, Mai. / Jun., 2009. Disponível em: <http://www.arquiamigos.org.br/info/info24/i-estudos.htm>. Acesso em: 28 Nov. 2021.]
O nome de "Carlos Palm", aparece relacionado com o "Hotel Palm" em um anúncio de 1863, porém, localizado em Santos:
Outras informações sobre o estabelecimento está no anúncio publicado no periódico Revista Commercial em 1860:
"Annuncios.
Hotel Palm
N.22 Largo de S. Francisco N.22
na cidade de S.PauloO abaixo assinado tendo tomado conta deste estabelecimento, que até o presente continuava como o título de Hotel dos Viajantes, participa do respeitável público, que a toda e qualquer hora, se encontrará uma grande variedade de comidas estrangeiras e nacionais, as quaes se apromtão com a maior brevidade possível, vinhos, licores etc. de todas as qualidades, e por preços muito moderada.
N.B. Encarrega-se toda e qualquer encomenda."
[REVISTA COMMERCIAL, n.89, 17 Jul. 1860.]
Na 10a. Sessão da Assembléia Legislativa Provincial de 1 de abril de 1862, o Hotel Palm é mencionado - denunciado - como local de encontro de deputados para discussões políticas [CORREIO PAULISTANO, n.1784, 16 Abr. 1862] -, local de "reuniões não oficiais", para manifestação do partido liberal. No entanto, tal "manifestação" é questionada,
"Já se vê, pois, que o fato do ler havido no hotel Palm uma tocaia o cantata por estrangeirosmas não prova que houvesse manifestação publica, e que ella deva ser atliibuida particularmente partido liberal."
[CORREIO PAULISTANO, n.1784, 16 Abr. 1862.]
Era muito comum na época, hotéis serem utilizados como endereço ou local para comercialização de serviços - no caso do Palm, endereço para compra de passagens:
O estabelecimento também é mencionado como referência de localização dos espaços que receberão obras públicas no anúncio sobre os envios de propostas para a realização das melhorias urbanas:
A mão de obra escrava - em especial, a de escravo de ganho - era presente no período, em dezembro de 1862, foi publicado um anunciando a procurar por um "bom cozinheiro, e prefere-se escravo, para tratar no hotel Palm" [CORREIO PAULISTANO, n.1994, 30 Dez. 1862], porém, não era possível afirmar se o cozinheiro seria para o hotel ou para outro interessado e o estabelecimento era apenas um local de contato.
Consta na pesquisa de Sandra Trabucco Valenzuela, que o hotel foi fechado em 1880, porém, em 1863 há uma nota sobre o seu "fechamento" em fevereiro de 1863. No Almanak da Província de S.Paulo de 1873, não encontramos nenhuma menção ao Hotel Palm.
YAMAGAWA, Mônica. Hotel Palm - História do Comércio do Centro de São Paulo. Moyarte. Disponível em: <http://www.moyarte.com.br/centro-de-sao-paulo/historia-do-comercio/indice-historia-comercio.html>. Acesso em: 21 Nov. 2021.
[Em "Acesso em", indicar a data de consulta, data de acesso ao site].
BARBUY, Heloisa. A cidade-exposição: comércio e cosmopolitismo em São Paulo, 1860 -1914. São Paulo: Edusp, 2006.
CAMPOS, Eudes. Os primeiros hotéis da cidade de São Paulo Século XIX: Império e República. Informativo Arquivo Histórico Municipal, Mai. / Jun., 2009. Disponível em: <http://www.arquiamigos.org.br/info/info24/i-estudos.htm>. Acesso em: 28 Nov. 2021.
CORREIO PAULISTANO, n.577, 22 Ago. 1857.
CORREIO PAULISTANO, n.1784, 16 Abr. 1862.
CORREIO PAULISTANO, n.1955, 12 Nov. 1862.
CORREIO PAULISTANO, n.1958, 15 Nov. 1862.
CORREIO PAULISTANO, n.1994, 30 Dez. 1862
CORREIO PAULISTANO, n.2020, 2 Fev. 1863.
CORREIO PAULISTANO, n.2260, 25 Nov. 1863.
REVISTA COMMERCIAL, n.89, 17 Jul. 1860.
SIRIANI, Silvia Cristina Lambert. Uma São Paulo Alemã: vida cotidiana dos imigrantes germânicos na região da capital (1827 - 1889). São Paulo: Arquivo do Estado / Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2003.
TSCHUDI, J.J. Von. Viagem às Províncias do Rio de Janeiro e S.Paulo. São Paulo: Martins Fontes, 1976.
VALENZUELA, Sandra Trabucco. Imagens da hotelaria na cidade de São Paulo: panorama dos estabelecimentos até os anos 1980. São Paulo: Senac SP, 2013.
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