Website de Mônica Yamagawa

HISTÓRIA DO

CENTRO DE SÃO PAULO

século XIX: 1851 - 1860

atualizado em: 18 de outubro de 2017

 

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1850século XIX: 1851 - 18601861

 

1854

 

22 de junho:

Dr. Josino do Nascimento Silva fundou a irmandade de São Jorge, composta por militares e cavaleiros de todas as ordens.

 

24 de junho:

Segundo o Correio Paulistano [Anno, Número 1: junho de 1854]. O Dr. José Antônio Saraiva, chegou à São Paulo, para tomar posse do cargo de presidente da província.

 

25 de junho:

Celebração no Convento de São Francisco as festividades de São Benedito, com procissão solene na parte da tarde.

Baile mensal no Cassino Paulistano.

 

26 de junho:

Lançamento do jornal "O Correio Paulistano".

 

28 de junho:

Publicado no Correio Paulistano, sobre os problemas da falta de iluminação da cidade:

    "CORRESPONDÊNCIAS
    Sr. Redactor - Tem de realisar-se muito breve o contracto para a illuminação da cidade, e como eu sou um dos moradores de um dos arrabaldes da cidade, onde ha lampiões
    pro formula, e que nunca se acendem, aproveito-me da sua renascida folha para pedir á S.Ex. que descarregue a mão no applicar as multas, visto que até o presente o contractor nenhum caso tem feito das que lhe tem sido applicadas, com prejuizo do publico que anda por ahi as marradas pelo escuro, chegando á ponto de um pobre viajor vindo de Santos, andou a noite inteira perdido pela cidade sem achar sahida, não podendo por isso seguir a sua viagem para Jundiahy, o que só fez demanhã quando o Sr. Apollo mandou acender o seu grande lampião.
    Um dos que tem sofrido."

    [Correio Paulistano, Anno I, 28 Jun. 1854, n.3, p.3-4.]

 

1 de julho:

Oficiais da Guarda nacional resolveram oferecer um baile para o Dr. Josino do Nascimento Silva (ex-presidente da província), a ser realizada na casa do Capitão Antonio Bernardo Quartim, baile este que terminou às 3h30.

 

2 de julho:

Apresentação no Theatro de S.Paulo: "O Noviço", "Meu Paisinho".

 

5 de julho:

Apresentações no Theatro de S.Paulo: 'Os Infantes de Lara", "O Noivo em Mangas de Camisa".

 

17 de julho:

Início do mandato de José Antônio Saraiva, como administrador da Província de São Paulo (o mandato terminou em 12 de novembro de 1855), segundo Almeida Nogueira, em Academia de São Paulo: tradições e reminiscências: volume 5. São Paulo: Saraiva, 1977. No mesmo livro, há um rodapé informando que Eugênio Egas, na Galeria dos presidentes de São Paulo, I, 233, informa que o período correto é de 26 de junho de 1854 a 16 de maio de 1855.

 


1855

12 de novembro:

Fim do mandato de José Antônio Saraiva, como administrador da Província de São Paulo (o mandato iniciu em 17 de julho de 1854), segundo Almeida Nogueira, em Academia de São Paulo: tradições e reminiscências: volume 5. São Paulo: Saraiva, 1977. No mesmo livro, há um rodapé informando que Eugênio Egas, na Galeria dos presidentes de São Paulo, I, 233, informa que o período correto é de 26 de junho de 1854 a 16 de maio de 1855.

 

12 de dezembro:

51a. Sessão Ordinária Aos 12 de Dezembro de 1855 - Presidência do Sr. Dr. Ribeiro Coutinho:

"A comissão permanente examinou o officio do engenheiro Carlos Rath dirigido ao Exm. presidente da província em 9 de novembro p p. outro a esta camara em 26 do mesmo mez, relativos a questões suscitadas entre elle e o vereador inspector do districto em que se está fazendo a obra do tanque do Zunega, encarregada áquele engenheiro. Antes de qualquer apreciação sbre detalhes da questão a comissão não pode deixar de notar, que um empregado publico quel é aquelle engenheiro vencendo (?) salario da provincia, em troca de seus serviços, se julgasse authorisado, em dispensa de authoridade competente abandonar uma obra que lhe foi incubida, que é urgencia por sua naturesa, e que no estado de adiantamento em que se acha não pode ser convenientemente dirigida por outro engenheiro, que não em trabalhos graficos alguns para seg(?), visto que pela mesma urgencia das circunstancias confiou-se a aquelle engenheiro fazer o que mais economico e prontamente realisavel parecesse para de(?)camento do tanque o aproveitamento dos mananciaes ali existentes guardando o devido respeito á propriedade particular. Quanto ao pagamento exigido pelo mesmo engenheiro, pensa a comissão qu(?)endo admissível que elle tivesse um ajudante, entre tanto parecia dispensavel a despesa com o pratico Joaquim Teixeira, por que o servilo deste é exactamente o que deveria fazeer aquello, mas como bem ou mal esse pratico esteve no serviço entende a comissão que se deve abonar a despesa, assim como a mais constante da feri(?) que se parecer ao vereador inspector do districto, que deve continuar o serviço o dito pratico ordene a continuação da despesa; esperando a camara do seu zel(?)a tão provado, que não faltará em sua suspecção cuidadosa para que os operarios de qualquer qualidade empreguem devidamente seu tempo, e finalmente pede a camara que ninguem pode utilmente substituir o Dr. Carlos Rath na direcção daquella obra, até sua conclusão, porque só elle possue o plano, e a disposição dos meios para realisal-a; e assim peça ao governo que ordene quanto antes que o referido engenheiro vá concluil-a, remettendo-se com este pedido (?)mo informação sobre o ocorrido, copia deste parecer, e das informações do Sr. vereador inspector do districto. Paço da camara 12 de dezembro de 1855 - Rodrigues dos Santos - Azevedo Junior."
[FONTE: Correio Paulistano, de 2 de janeiro de 1856.]

 

14 de dezembro:

Publicado no Correio Paulistano o falecimento no Hospital da Mizericordia, do trabahador alemão Frederico Ringamann, natural da Villa de Janno do Reino da Prussia:

FONTE: Correio Paulistano 2 de janeiro de 1856

 

21 de dezembro:

Publicado na seção Expediente da Presidencia, referente a data de 21 de dezembro de 1855, (publicado no Correio Paulistano de 2 de janeiro de 1856):

    "A camara da capital. - Em resposta ao officio de Vmcs. com data do 14 do corrente, representando a necessidade de reparos na maior parte das pontes, e pontilhões desde a do Carmo até Itaquera, das que estão proxima a ponte Grande da Conceição, e o attero junto ao tanque do Arouche, tenho a communicar-lhes que estão dadas as providencias para esses reparos."

    [Correio Paulistano: 2 de janeiro de 1856, p.2.]

Publicado na seção Expediente da Presidencia, referente a data de 21 de dezembro de 1855, (publicado no Correio Paulistano de 2 de janeiro de 1856):

    "Ao delegado da capital. - Autoriso a V.S. para mandar fazer as saias e camisas, de que carecem 10 presas pobres, apresentando á thesouraria a conta da despeza para o pagamento: assim fica respondido o seu officio datado de hoje."

Publicado na seção Expediente da Presidencia, referente a data de 21 de dezembro de 1855, (publicado no Correio Paulistano de 2 de janeiro de 1856):

"Ao engenheiro Francisco Gonçalves Gomide. - Communico a Vmc., em resposta ao officio de hoje, que expedi ordem á thesouraria para pagar-lhe a quantia de 82$ rs. despendida na commissão, de que se achã encarregados os engenheiros Elliot e cameron, deduzidos os 200$ rs. que já recebeu por conta."

 


1856

Antonio Joaquim de Sant'Anna foi amanuense da Secretaria da Assembléia, residia no Largo da Sé, em 1856.

Antonio José Soares era praticante da Contadoria/Thesouraria da Fazenda Geral e residia na Ladeira São João, em 1856.

Candido Xavier de Almeida e Souza era ajudante da biblioteca da Faculdade de Direito, em 1856 e residia no Largo da Sé.

Dr. Clemente Falcão de Souza era lente catedrático, 1a. cadeira da Faculdade de Direito (4o. anno) e morador da Descida do Piques.

Diogo de Mendonça Pinto foi deputado da Assembléia Provincial; professor de História e Geografia da Faculdade de Direito, em 1856 e residia no Largo da Sé.

Cônego Fidelis Sigmaringa de Moraes em 1856, era professor de retórica da Faculdade de Direito e morador do Largo da Cadeia.

Dr. Francisco Maria de Souza Furtado de Mendonça era lente catedrático, 2a. cadeira da Faculdade de Direito (5o. anno) e morador da Descida do Porto Geral.

Dr. Gabriel José Rodrigues dos Santos foi suplente da Assembléia Provincial; lente substituto da Faculdade de Direito, em 1856, residia no Largo da Sé.

João Sertório Júnior foi deputado da Assembléia Provincial e em 1856, residia na Ladeira do Piques.

Joaquim Floriano de Toledo foi tenente-coronel; 6o. vice-presidente da Província; empregado provincial aposentado (secretario do governo) e em 1856, residia na Ladeira do Piques.

Manoel Antonio Bitancourt foi official-maior da Secretaria da Assembléia e morador da Ladeira de São João, em 1856.

 

2 de janeiro:

Sobre o calçamento da cidade:

    "CALÇADAS DA CIDADE. - O calçamento da rua Direita contratado pelo emprezario Sr. Marcellino Gerard vai progredindo convenientemente, e em breve estará concluido. Consta-se que o Sr. Marcellino Gerard tenciona apresentar uma proposta para o calçamento, pelo mesmo systema, de todas as ruas da capital, recebendo em pagamento prestações annuaes ou semestraes, em harmonia com as forças do nosso cofre provincial. parece que é este o meio mais vantajoso de possuir calçadas dignas deste nome. O emprezario tem proporções para esta consideravel empreza, e a fidelidade com que tem cumprido seus compromissos são a melhor garantia para a provincia."

    [Correio Paulistano: 2 de janeiro de 2856, p.3.]

O Tintureiro N.J.V. Ferrard publica anúncio cobrando a retirada de roupas que foram deixadas em seus estabelecimentos a mais de 1 e 2 anos.

Domingos Henrique da Silva anuncia no Correio Paulistano que recebeu produtos (fazendas - tecidos - chapeús) e que estes estão disponíveis para os interessados na Ladeira de Santo Antonio.

Um Armarinho na Rua das Casinhas n.5, anunciava que estava à disposição para venda "Direito das Nações Neutras". [Clique aqui, para ver o anúncio.].

José Marques da Cruz, anunciava no Correio Paulistano, os produtos disponíveis em sua Casa (secos e molhados), localizado na Rua do Comércio n.35 [clique aqui, para ver o anúncio]. E, também, anunciava a abertura de sua nova Padaria Anno Bom [clique aqui, para ver o anúncio].

Um dos moradores anunciava, no Correio Paulistano:

"Vende-se os trens de uma venda, e aluga-se a venda e um bom quarto atraz della. Quem quizer dirija-se a rua do Príncipe (Cruz preta) esquina da rua da Freira n.18"

Segundo anúncio publicado no Correio Paulistano (2 de janeiro de 1856), Carlos Marquios, médico homeopata e mudou-se da antiga residência, que ficava na Rua do Rosário para um novo endereço, na Rua de São Gonçalo n.2, onde as pessoas que necessitassem dos seus serviços, poderiam procurá-lo a qualquer hora do dia.

O Capitão José Joaquim de Jesus informa ao grande público, em anúncio no Correio Paulistano (2 de janeiro de 1856) que os interessados em pedras para calçadas e para paredes e pilares devem procurá-lo na Rua da Consoção n.62.

O alfaiate Fresneau informa que mudou sua loja para seu antigo endereço na Rua do Rosário, após funcionar uma temporada na Rua Direita. Clique aqui, para ver o anúncio do Correio Paulistano.

 

4 de janeiro:

Anúncio no Correio Paulistano:

"Arrematação.

Pelo juizo municipal desta cidade, e cartório do escrivão abaixo assignado, a requerimento de João Martins Miller, se faz publico, que no dia 11 do corrente as 10 horas da manhã, na casa do dito Miller, rua do Piques, se hão de arrematar 3 moradas de casas avaliadas pela quantia de 10:000$000.

S. Paulo 2 de janeiro de 1856.

Emilio José Alvarez."

A Ferraria Coelho & Marques, publica anúncio no Correio Paulistano, informando os preços de seus serviços. Clique aqui, para ver o anúncio.

De acordo com anúncio publicado no Correio Paulistano, estavam disponíveis "gottas anti-cholericas", nas Casas de Antonio Bernardo Quartim, Moreira etc. Santos e Henrique Fox.

 

7 de janeiro:

Segundo o anúncio no Correio Paulistano, publicado dias antes (2 de janeiro), as aulas no Lycêo Paulistano começariam no dia 7 de janeiro, e seriam ensinadas as matérias: Latim, Francês, Inglês, Aritmética, História, Filosofia, Primeiras Letras e Música.

Início do ano letivo do Curso Elementar de Bellas Letras, dirigido pelo bacharel de Direito Antônio Maria Chaves e Mello.

 

29 de abril:

Início do mandato do Dr. Francisco Diogo Pereira de Vasconcellos, como administrador da Província de São Paulo (fim do mandato: 22 de janeiro de 1857).

 


1857

22 de janeiro:

Fim do mandato do Dr. Francisco Diogo Pereira de Vasconcellos, como administrador da Província de São Paulo (início do mandato: 29 de abril de 1856).

 

26 de setembro:

Início do mandato do Dr. José Joaquim Fernandes Torres, como administrador da Província de São Paulo (fim do mandato: 17 de abril de 1860).

 


1858

Aparecem os primeiros serviços de transporte público na cidade, os tílburis:

"A tabela de preços varia conforme as corridas sejam 'dentro das pontes' (mais baratas) ou 'fora das pontes' (mais caras), o que revela a concepção que se tinha do espaço urbano: o ilhado entre o Tamanduateí e o Anhangabaú"

[SÃO PAULO 450 ANOS. Caderno de Fotografia Brasileira. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, 2004, p.12.]

Também foi durante esse período que grande parte do calçamento da cidade foi concluído, possibilitando . No mesmo ano (1858) é inaugurado o Cemitério da Consolação.

 


1860

Na década de 1860, a produção de café da região oeste paulista aumenta consideravelmente, se antes a produção partia do vale do Paraíba para o porto do Rio de Janeiro, a partir desse período, a produção passa a sair do país pelo Porto de Santos e São Paulo se transforma em ponto de parada, no caminho entre o interior e o litoral.

 

17 de abril:

Fim do mandato do Dr. José Joaquim Fernandes Torres, como administrador da Província de São Paulo (início do mandato: 26 de setembro de 1857).

 

17 de junho:

Anúncio publicado no periódico Revista Commercial (da cidade de Santos), em 17 de julho de 1860, n.89, página 4:

"Annuncios.
Hotel Palm
N.22 Largo de S. Francisco N.22
na cidade de S.Paulo

O abaixo assinado tendo tomado conta deste estabelecimento, que até o presente continuava como o título de Hotel dos Viajantes, participa do respeitável público, que a toda e qualquer hora, se encontrará uma grande variedade de comidas estrangeiras e nacionais, as quaes se apromtão com a maior brevidade possível, vinhos, licores etc. de todas as qualidades, e por preços muito moderada.

N.B. Encarrega-se toda e qualquer encomenda."

 

 

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CENTRO DE SÃO PAULO







SÉCULO XXI

2001 - 2010

2011 - 2020

 


São Paulo Antigo 1554-1910

Antonio Egydio Martins
Paz e Terra
2003

Antonio Egydio Martins foi responsável pela organização do Arquivo do Estado de São Paulo por 30 anos, ao longo dos quais percorreu a documentação em busca dos pormenores da história paulistana. São Paulo Antigo era o título das crônicas que passou a publicar nas páginas do Diário Popular e que caíram no gosto do público, dando origem ao livro, publicado em dois volumes em 1911 e 1912. O livro permaneceu como fonte privilegiada para se conhecer o cotidiano da cidade, tratando de seus personagens, das festas, dos costumes, dos hábitos alimentares, dos governantes, dos jornais, das lojas... São Paulo Antigo é como um baú da história paulistana, ao qual se recorre em busca da informação miúda, do detalhe, da data, dos tipos da cidade, dos pormenores perdidos no rolar do tempo...[+] 

Edição usada disponível na
Estante Virtual

 



HISTÓRIA DA CIDADE DE SÃO PAULO
A CIDADE COLONIAL
1554-1822

 

HISTÓRIA DA CIDADE DE SÃO PAULO
A CIDADE NO IMPÉRIO
1823-1889

 

HISTÓRIA DA CIDADE DE SÃO PAULO
A CIDADE NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX
1890-1954

Paula Porta
(organizadora)
Paz & Terra 
2004

A esta altura da história brasileira. que ninguém duvide: a Cidade de São Paulo é. sob qualquer ponto de vista. um fenômeno. Em 1872. quando o Brasil comemorava seu primeiro meio século como país independente. São Paulo era a 11ª cidade brasileira. Menor que Recife. Salvador e Rio de Janeiro. e também que Teresina. Em 1920. quando o Brasil já era República. São Paulo havia se transformado na segunda maior cidade do país. com seu meio milhão de habitantes. Maior só mesmo o Rio de Janeiro. capital federal. Mas a incipiente indústria estava concentrada em São Paulo. que oferecia aos olhos pasmos de seus visitantes e moradores os primeiros edifícios que subiam de maneira terrivelmente ousada rumo ao infinito. e mereciam. por isso mesmo. o nome de arranha-céu. Para tentar compreender - e explicar - essa história desta grande metrópole. esta obra está sendo editada em três volumes. Uma obra de longo fôlego e conteúdo profundo.

 


São Paulo 1860-1960: a paisagem humana

Fernando Portella
Terceiro Nome
Albatroz Editora e Produtora
2004

A aventura nesta grande metrópole - é este o tema deste livro que traz cerca de 230 fotos de São Paulo, cobrindo um século de progresso e grandes transformações. Década a década, de 1860 a 1960, o livro documenta as mudanças de hábitos, costumes, vestuário. Mostra, por exemplo, desde a população simples com suas carroças na rua, quando São Paulo mais se parecia uma pequena vila rural, até a cidade efervescente dos revolucionários de 1924 a 1932, das massas humanas nas avenidas durante as comemorações do IV Centenário e da alegria na Copa do mundo de 1954, entre outras cenas surpreendentes...[+]

 


Entre a casa e o armazém: relações sociais e experiência da urbanização
São Paulo, 1850 – 1900

Maria Luiza Ferreira de Oliveira
Alameda
2005

Este livro é um convite para o leitor voltar a um tempo no qual São Paulo combinava características de uma cidade moderna com traços fortemente rurais. Bastava uma rápida caminhada até a Igreja da Misericórdia para avistar, do alto de seu campanário, descampados, grotões, charnecas, beiras de rios e até animais silvestres e matas, que se estendiam muito além dos vales do Anhangabaú e Tamanduateí. Os personagens deste cenário? Aquela parte da população abstratamente designada como "classes médias" - na verdade, uma gente esquecida, os remediados da sociedade, uma multidão de figurantes mudos da cena paulistana - os quais atendiam pelos nomes de Dona Carolina, Seu Marcelino, Ana de Sorocaba e centenas de outros que aparecem nos registros dos quase mil inventários e testamentos que chegaram até nós. A maioria tinha pouco mais de quarenta anos no longínquo ano de 1872'...[+]

 

BIBLIOGRAFIA


A São Paulo Inventada por Álvares de Azevedo

Monica Gomes da Silva
AR
2014

Em 1848, Álvares de Azevedo chegou a São Paulo para estudar na Faculdade de Direito do Largo São Francisco e lá permaneceu até 1851. Foi companheiro de Aureliano Lima e Bernardo Guimarães, grandes boêmios, mas tornou-se amigo particular de Luís Antônio da Silva Nunes, o correspondente escolhido para falar de suas 'fantasias' e confessar dores marcadas pela maldição da melancolia e do tédio mais profundo. Na sua jornada, Mônica Gomes encontra, no 'espaço biográfico' das cartas, as sensações de estranhamento de um missivista peculiar, que se expressa e se constitui como sujeito da escrita, numa linguagem ondulada, que busca o tom exato das coisas, mesmo as mais triviais, com alusões, símbolos e metáforas. Na moldura temporal dos relatos, está o espaço geográfico e social da cidade paulista, desenhado como uma província de feição colonial, com poucos edifícios e ruas mal pavimentadas - 'Tudo aqui parece velho e centenário... até as moças são insípidas com a mesma velhice.' A personalidade literária do poeta, alimentada pela cultura livresca e cosmopolita, condena o atraso e a ignorância local, tornando o remetente irredutível na crítica ao nacionalismo vigente na época. São Paulo é o Brasil - 'na minha terra só há formigas e... caipiras.'...[+]

 


História da Saúde em São Paulo
Instituições e Patrimônio Arquitetônico
(1808 - 1958)

Maria Lúcia Mott
Gisele Sanglard
Manole
2012

A obra busca resgatar a trajetória e a inserção social de instituições como os hospitais que desempenharam múltiplas funções, como formação e treinamento de profissionais da saúde e modos variados de assistência à população. A partir de análises históricas e arquitetônicas e de um inventário de instituições, o livro procura contribuir tanto para a história da saúde pública em São Paulo quanto para a implementação de políticas efetivas de preservação desses espaços...[+]

 


O OFICIO DA LIBERDADE
TRABALHADORES LIBERTADOS EM SAO PAULO E CAMPINAS
(1830-1888)

Marília Bueno de Araújo Ariza
Alameda
2014

Para comprar a alforria de seu filho Paulo, de dez anos, a liberta Maria assumiu dívidas e o risco de pagá-las com a prestação de serviços indefinidos, por tempo indeterminado. Benedicta e Caciano igualmente entregaram seu trabalho para a compra da liberdade de Roza, respectivamente sua filha e companheira. Cazemiro, passando já dos 60 anos, custeava sozinho o preço de sua libertação ao prestar serviços 'compatíveis com sua idade'. Assentadas no território movediço dos limites entre liberdade e escravidão no século XIX, as histórias de Maria e Paulo, Cazemiro, Benedicta, Roza e Caciano não foram únicas e tampouco raras. Muitos outros homens e mulheres escravizados angariaram o apoio de família e amigos, empenharam economias e dedicaram anos de árduo trabalho para comprar alforrias por meio da prestação de serviços. Nascido de uma pesquisa de mestrado, 'O ofício da liberdade' investiga arranjos de trabalho e disputas por liberdade ao analisar contratos de locação de serviços nas cidades de São Paulo e Campinas entre 1830 e 1888. Ao mesmo tempo sucintos e complexos, estes contratos estiveram no centro de negociações e conflitos entre a camada senhorial e os trabalhadores determinados a realizar seus projetos de liberdade. Valendo-se também da análise de Ações de Liberdade e Cartas de Liberdade, o livro busca interpelar os sentidos das emancipações construídas por estes trabalhadores libertos. Duas faces da emancipação escrava estampam as páginas deste trabalho, de um lado, a inserção dos contratos de locação de serviços na lógica das alforrias compensatórias produzidas ao longo do século XIX, proporcionando a continuidade do domínio escravista e da exploração do trabalho dos egressos da escravidão no pós -emancipação. De outro, as lutas e a determinação de homens e mulheres escravizados a caminho da liberdade...[+]

 


Vida Cotidiana em São Paulo no Século XIX

Carlos E.M. de Moura
Edusp
2013

Os escritos selecionados para este livro apresentam a cidade de São Paulo no momento de transição entre a pequena vila dedicada à subsistência e a prosperidade decorrente do cultivo do café. São escritos diversos, como memórias, depoimentos, evocações, peças de teatro, que procuram reconstituir os contornos da cidade e de sua província. Os variados depoimentos oferecem um quadro da vida paulista, observada a partir de diversos ângulos e interesses, e deles emerge uma visão abrangente do cotidiano na cidade e no campo, observado por contemporâneos que o vivenciaram. A coletânea conta com textos de Aluísio de Almeida, D. Maria Paes de Barros, o Diário da Princesa Isabel, duas peças de teatro de autores paulistas, acompanhados de comentários de especialistas, e de um levantamento iconográfico de autoria do organizador, composto de desenhos e aquarelas de viajantes que aqui estiveram na primeira metade do século XIX...[+]

 


TIJOLO SOBRE TIJOLO
OS ALEMAES QUE CONSTRUIRAM SAO PAULO

Adriane Acosta Baldin
Prismas
2014

As grandes cidades são resultantes de complexos processos históricos, econômicos, sociais e têm uma sólida base na geografia natural e humana. Uma enorme quantidade de pessoas teve participação ativa em sua formação, deixando sua marca no que foi edificado e na cultura que as caracteriza. Em cada grande cidade a combinação desses elementos é única, dada a grande diversidade de fatores em ação. Entender como se deu a interação entre esses fatores exige a identificação de cada um deles e a avaliação de sua importância, permitindo ao historiador estabelecer a sua interpretação para o nexo que os une. É esse caminho que Adriane Baldin percorreu ao escolher a importante contribuição da imigração alemã de meados do século XIX para a construção da cidade de São Paulo. Caminho percorrido com segurança, repleto de descobertas à medida que as fontes primárias iam sendo pesquisadas, e que permitiu estabelecer com clareza o papel fundamental que os engenheiros e a mão de obra com qualificação técnica de origem alemã exerceram para a constituição da infraestrutura urbana e aprimoramento das técnicas de construção da cidade que, na segunda metade do século XIX, passou por um crescimento vertiginoso. Um aspecto original da pesquisa agora editada é a identificação da presença expressiva de imigrantes alemães entre os profissionais da construção civil no período estudado, das décadas de 1850 e 1860. Consultando arquivos, pesquisando e selecionando imagens e plantas da cidade, a autora traz com este trabalho uma contribuição altamente significativa para o conhecimento da história da cidade de São Paulo e da participação da imigração alemã na sua formação...[+]

 


Sobrados e barões da velha São Paulo

Mario Jorge Pires
Manole
2006

Apesar de o título sugerir algo de nostálgico, comum nos grandes memorialistas, Sobrados e Barões da Velha São Paulo é uma obra que vai muito além disso. Por meio de uma pesquisa acadêmica séria, realizada na Universidade de São Paulo, o autor revela muitos pontos até então obscuros da história de São Paulo. Para tanto, valeu-se de um grande número de fontes, sendo algumas pouco usadas na historiografia, como as listas telefônicas antigas e os almanaques do século XIX. Através delas, pôde responder com segurança: que elite residia em São Paulo antes do café? Onde morava? Qual a origem dos fazendeiros que mudaram para a cidade com a expansão da lavoura cafeeira em terras paulistas? A Avenida Paulista foi reduto dos barões do café? Quem eram e onde moraram os barões do café? Que tipos de residência construíram? Com linguagem fluente e agradável, porém sem perder-se em saudosismos, Sobrados e Barões da Velha São Paulo responde a estas e outras questões interessantes tanto ao especialista quanto ao leitor culto que deseja saber mais a respeito do passado desta grande e apaixonante cidade...[+]

 


HISTORIA DOS VELHOS TEATROS DE SAO PAULO

Antonio Barreto do Amaral 
Imesp
2006

A Coleção Paulística trata de diversos aspectos da História do Estado de São Paulo, de sua formação e cultura, de alguns de seus municípios e de algumas de suas personalidades. Publicados em meados do século XX, esses volumes tiveram sua última edição entre as décadas de 1970 e 1980. A reedição revista e atualizada de 5 volumes mostra-se muito oportuna: a coleção está esgotada e os poucos volumes em circulação têm merecido o tratamento de obra rara. Disponibiliza-se, assim, a pesquisadores e estudiosos da história de São Paulo, bem como ao público em geral, importante parte da obra. Os exemplares selecionados, escritos por nomes relevantes da prosa paulista, cobrem desde a saga dos Bandeirantes até a história dos teatros paulistas, destacando-se o importante Dicionário de História de São Paulo...[+]

 

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